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Pior momento da pandemia: Lockdown 2.0 é a única saída para o Brasil?

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Um ano após o primeiro fechamento generalizado do comércio não essencial no Brasil, governos voltam a adotar a medida no pior momento da pandemia

Rio de Janeiro: prefeitura considera implementar o lockdown. (Buda Mendes/Getty Images)

Poucos dias após o marco de um ano do registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil, estados e municípios voltam a fechar estabelecimentos comerciais, restringir atividades, implementar toque de recolher e até mesmo o lockdown, medida mais restritiva de circulação de pessoas. O objetivo é frear o avanço da doença que está no pior momento e atingiu um novo recorde na quarta-feira, 3 de março: 1.910, segundo o Ministério da Saúde.

No primeiro fechamento generalizado da economia, em 2020, o motivo era diferente. No Brasil e no mundo, as incertezas que rondavam a covid-19 causavam temor: pouco se sabia sobre a doença, como ela impactaria os sistemas de saúde e como governos deveriam lidar com uma pandemia, algo que não acontecia em escala global há um século.

Passado um ano, é justamente o conhecimento que adquirimos nesse período que faz com que os gestores públicos adotem medidas de restrição. Sabemos da alta capacidade de transmissão, principalmente com as novas variantes, como a doença afeta nossa capacidade de atendimento hospitalar, e por quanto tempo as medidas mais extremas precisam ser adotadas.

Também temos 11 vacinas aprovadas e sendo amplamente aplicadas em todo o mundo. Isso faz com que a experiência de países, como Estados Unidos e Israel, que demonstraram que a imunização em massa é capaz de reduzir em 70% o número de novos casos em apenas um mês, tragam experiência para uma solução mais rápida da crise sanitária global.

O problema é que no Brasil a pandemia ganhou uma outra dinâmica no início de 2021. A vacinação por aqui ainda está lenta, com 3,36% da população imunizada com pelo menos a primeira dose. Por enquanto, só temos duas opções disponíveis de vacinas: do Instituto Butantan/Sinovac e da Fiocruz/AstraZeneca. O Ministério da Saúde prometeu comprar mais doses, inclusive da Pfzier e da Janssen, e imunizar todos os grupos vulneráveis até o fim do ano. Até lá, uma quarentena mais restrita é de fato a medida mais eficaz para reduzir a transmissão?

A falta de um lockdown nacional

Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, explica que o ideal seria aplicar um lockdown nacional por duas a três semanas para impedir a circulação do vírus e dar fôlego aos hospitais terem mais capacidade de atendimento.

“O ideal sempre foi que a gente tivesse uma coordenação nacional. E a falta disso contribuiu para chegar aonde a gente está. Infelizmente a gente nunca teve esse lockdown e ainda temos um governo que diz que o uso de máscara faz mal para crianças. Além de ser omisso, o governo federal atrapalha e os governadores ficam à deriva. Isso dificulta muito”, afirma.

No fim do ano passado, como se sabe, houve uma polarização em torno do início da vacinação, uma disputa política para saber quem era o “culpado” pela recessão econômica causada pelo fechamento de atividades econômicas, sobretudo no setor de serviços.

Ainda sem uma diretriz unitária e federal, governos locais adiaram o quanto puderam as medidas impopulares de fechamento. A conta chegou, com a capacidade dos leitos de UTI beirando os 100%.

Na quarta-feira, 3, o governo de São Paulo se juntou aos do Distrito Federal e de Goiás e determinou que somente os serviços essenciais podem funcionar a partir da meia-noite deste sábado, 6. A medida vale por duas semanas. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), não descarta o lockdown na cidade.

Desde o último fim de semana, os três estados do Sul do Brasil adotaram medidas semelhantes, com o fechamento de serviços não essenciais. No Paraná e no Rio Grande do Sul somente os serviços essenciais podem funcionar até o próximo domingo, 7. O governo de Santa Catarina foi menos restritivo e decidiu fechar o comércio somente aos finais de semana.

O toque de recolher é a restrição que mais foi adotada por vários governadores. Além dos três estados do Sul, Pernambuco e Mato Grosso também optaram pela medida. Em São Paulo, apesar de não ter multa, a Polícia Militar faz blitze das 23h às 5h, com o objetivo de verificar se os deslocamentos das pessoas são necessários e coibir aglomerações.

Todos os governadores e secretários de Saúde que restringiram a circulação de pessoas são unânimes ao afirmar que o Brasil vive o pior momento da pandemia de covid-19. Há 41 dias a média diária de mortes está acima de mil. Nos últimos dez dias foram batidos 6 recordes de número de vítimas da doença em 24h, sendo o último na terça-feira, 2, com 1.726.

A taxa de ocupação de leitos de UTI está em colapso ou muito próximo disso em pelo menos 20 capitais, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em Santa Catarina, a situação já é considerada colapso, após a ocupação passar de 100%, e pelo menos 35 pessoas morrem à espera de uma vaga. Em São Paulo a ocupação está em 75%, mas chegou ao mais alto patamar desde o início da pandemia, com 7.415. O valor é 18,6% maior que o pico, registrado em junho do ano passado.

O que dizem os especialistas sobre o lockdown?

Fernando Rosado Spilki, infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, diz que a dispersão das variantes do novo coronavírus indica que não há outra alternativa além do lockdown.

A variante brasileira P1 foi encontrada em Manaus entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando uma alta nos casos fez com que pesquisadores testassem amostras e descobrissem a presença da cepa em 42% delas. Anteriormente, um estudo havia estimado que até 76% da cidade já havia sido contaminada, sugerindo uma probabilidade de imunidade alta na população.

Os pesquisadores descobriram que a cepa contém “uma constelação única de mutações definidoras de linhagem” que poderia estar associada a “um aumento na transmissibilidade ou propensão para reinfecção de indivíduos”. A P1 foi um dos fatores para o colapso do sistema de saúde em Manaus no meio de janeiro, com falta de leitos e até mesmo de oxigênio hospitalar.

As variantes sul-africana (B1351) e britânica (B117) também já foram identificadas em solo brasileiro. As três têm em comum a mutação N501Y (também apelidada de “Nelly”), que faz com que as cepas sejam mais contagiosas.

A biomédica e idealizadora do Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra, destaca, porém, que não há como saber até que ponto as variantes estão impactando o número de casos. “É importante entendermos que as variantes podem ter contribuído para esse cenário, mas elas não são as únicas culpadas. Muito do que estamos vivendo é fruto da irresponsabilidade de muitas pessoas que desrespeitam as medidas de segurança”, afirma.

Para tentar conter o aumento de novos casos, o virologista Fernando Spilki acredita na restrição de movimentação pelas e entre cidades como medida principal. “Só que isso tem que ser algo coordenado e aplicado de maneira estratégica em diversas regiões. Infelizmente, não há muitas outras alternativas para evitar a disseminação destas variantes”, diz.

Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19, grupo que vem fazendo um conjunto de análises desde o início da pandemia no Brasil, diz que começou a notar uma correlação forte entre aumento de mobilidade e crescimento no número de casos.

“Houve uma queda de mobilidade em janeiro por conta do esvaziamento das cidades. Quando as coisas começaram a se normalizar, em fevereiro, começou o estouro”, diz Schrarstzhaupt, que atribui o “estouro” a eventos como a volta às aulas, que já estava previsto, mas também um fenômeno anual que ocorre toda sétima semana do ano.

[A sétima semana] é quando começa a aumentar os casos de síndrome respiratória aguda grave, causada por vírus respiratórios. O comportamento das pessoas muda de acordo com as épocas do ano e alguns deles são mais favoráveis ao aumento do vírus”, afirma.

O aumento de casos, ao mesmo tempo que já há uma preocupação em torno das variantes, foi a receita para os piores dias de pandemia já registrados no Brasil.

“A grande preocupação é a adesão da população. A queda de mobilidade não é tão acentuada quanto foi no início da pandemia. É muito necessário, se tivermos um lockdown, que as pessoas aderem a ele. As próximas semanas vão ser complicadas, com o possível colapso do sistema funerário vamos acabar vendo situações trágicas como as de Manaus. Ainda não estamos vendo o pico desta onda, ela só está subindo em um paredão crescente”, diz Mellanie Fontes-Dutra, que enfatiza a a importância de continuar fazendo o uso de máscara, álcool gel e medidas de distanciamento social.

O que diz a ciência sobre o lockdown?

Um estudo do International Journal of Infectious Diseases analisou as medidas de 190 países entre 23 de janeiro e 13 de abril de 2020, durante a primeira onda da covid-19 pelo mundo. Ele levou em consideração quatro tipos de intervenções não-farmacêuticas (NPI, na sua sigla em inglês) para a redução do coronavírus: o uso obrigatório de máscara em público; isolamento social ou quarentena; distanciamento social e restrição na mobilidade urbana.

Qualquer intervenção realizada isoladamente levou a uma redução significativa na transmissão do coronavírus: máscaras (-15,14%); quarentena (-11,40%); distanciamento social (-42,94%) e mobilidade urbana (-9,26%).

Porém, as intervenções mais efetivas foram aquelas feitas com mais de um NPI, especialmente as que incluíram distanciamento social, prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde o início da pandemia. Já a intervenção mais comum nos países analisados foi a restrição na mobilidade urbana.

Levando em consideração apenas a quarentena, houve uma diminuição de 10,6% na transmissão da covid-19. Quando combinada com outros NPIs, a redução se intensifica: -17,83% com restrição ao transporte público, -38.58% com distanciamento social e -54.12% juntando os três.

Com a adição do último NPI, máscara obrigatória, o número chega a -62.81% na redução no número de novas infecções. “As combinações com mais tipos de NPIs pareceram estar associadas a uma maior diminuição na transmissão da covid-19”, conclui o estudo.

Apesar dos dados comprovarem a eficácia de uma ou mais intervenções não-farmacêuticas, o conceito de “quarentena” aplicado em alguns países, inclusive no Brasil, se difere do lockdown. Enquanto o último implica obrigatoriedade, a quarentena seria uma recomendação, o que leva a um menor impacto na taxa de transmissão.

Um segundo estudo, publicado pela revista Science, analisa mais a fundo o impacto do lockdown definitivo em 41 países durante a primeira onda da pandemia. Ele analisou os seguintes NPIs: limitar reuniões a 1.000 pessoas ou menos (-23% de redução das infecções); limitar a 100 pessoas ou menos (-34%); limitar a 10 pessoas ou menos (-42%); fechar alguns negócios (-18%); fechar a maioria dos negócios não essenciais (-27%); fechar escolas e universidades (-38%).

Já o lockdown foi analisado como um efeito adicional sobre todos os outros NPIs, partindo da ideia de que o decreto já engloba as outras restrições mencionadas. Sua diminuição na transmissão, portanto, foi “apenas” -13%.

“Nós descobrimos que emitir um pedido de permanência em casa teve um pequeno efeito quando um país já havia fechado instituições educacionais e negócios não essenciais e havia proibido reuniões”, explicam os pesquisadores. “Sempre que os países introduziram pedidos de permanência em casa, eles essencialmente sempre implementaram, ou já haviam implementado, todos os outros NPIs neste estudo.”

 

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USP identifica variante sul-africana do coronavírus pela primeira vez no Brasil

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A cepa africana é a que mais preocupa os cientistas por ser mais a transmissível e por ter a maior capacidade de fugir do sistema imune

Estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, do Instituto Butantan e da Fapesp

A variante sul-africana do coronavírus, conhecida como B.1.351, foi identificada pela primeira vez no Brasil em um paciente da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, por meio de estudo realizado por pesquisadores Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Butantan e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A variante africana é a que mais preocupa os cientistas por ser mais transmissível que as outras cepas e por ser a mais resistente aos anticorpos. Segundo a pesquisa, o paciente que carregava a variante sul-africana não tinha histórico de viagem e também não havia se encontrado com pessoas que viajaram para fora do Brasil, o que sugere que o vírus foi introduzido por viajantes vindos do exterior, levando à transmissão local da variante.

No entanto, uma análise profunda do perfil mutacional desta cepa demonstrou que, em comparação com a referência sul-africana, o material genético carregava três mutações específicas. Isso sugere que a variante detectada também pode ser uma evolução da variante brasileira, a P.1. Os pesquisadores afirmam que mais pesquisas são necessárias para mapear a real origem desta variante no Brasil. Os pesquisadores analisaram cerca de 217 amostras até março de 2021: 2 de Araçatuba, 64 de Santos, 65 de Campinas, 24 de São Paulo, 3 de Marília, 32 de Sorocaba, 26 de Ribeirão Preto e 1 de Taubaté. O estudo mostrou que maioria das sequências pertenciam à linhagem P.1 (64,05%), variante de Manaus, seguido pela B.1.1.28 (25,34%), que era a de maior distribuição no país e provavelmente deu origem à P.1. A variante britânica, a B.1.1.7,  foi detectada em 5,99% dos casos.

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Pouco acessível, pulmão artificial é aliado na luta contra a Covid-19

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Segundo Sociedade Internacional, existem apenas 21 centros registrados no Brasil que oferecem o tratamento

O tratamento não é barato, só o aparelho tem um valor entre R$ 50 mil e R$60 mil reais

A torcida pela recuperação do ator Paulo Gustavo popularizou nos últimos dias a sigla médica ECMO, que representa a oxigenação por membrana extracorpórea. A tecnologia é exatamente o que o nome sugere: um equipamento fora do corpo que faz a função do pulmão, oxigenando o sangue. “Esse é um sistema que faz com que a gente consiga aspirar o sangue que está sem oxigênio, oxigenar esse sangue e devolver para que o paciente fora do corpo. Permitindo que o paciente passe a ter mais tempo para se recuperar da infecção pulmonar pela Covid-19 e não morra de insuficiência respiratória”, explica Diego Gaia, cirurgião cardiovascular e responsável pela equipe que monitora o uso da tecnologia no hospital particular Santa Catarina, na capital paulista. Ele comenta que o uso da ECMO, geralmente, não é o primeiro passo para tratamento de infecções pelo coronavírus. A recomendação é o procedimento seja iniciado após intubação e percepção de que o paciente não está respondendo às outras alternativas.

“É claro que como todo tratamento existem contra indicações. Doentes que têm muitas funções do corpo comprometidas que não vão se recuperar não adianta a gente tratar oi pulmão, porque os outros órgãos não vão funcionais mais adequadamente. Esses pacientes precisam receber anticoagulantes enquanto estão conectados à máquina de ECMO, então pacientes que têm sangramento ativo podem ser contraindicados para este tipo de tratamento”, relata. No Hospital Santa Catarina existem quatro aparelhos para a ECMO. Desde o inicio da pandemia, a tecnologia foi usada em 12 pessoas, sendo que em 80% dos casos os pacientes se recuperaram. O tratamento não é barato, só o aparelho tem um valor entre R$ 50 mil e R$60 mil reais. O custo para o paciente, segundo o hospital, depende da gravidade do caso. De acordo com informações divulgadas a veículos de imprensa, a terapia de Paulo Gustavo teria custo de R$ 30 mil por dia. No Estado de São Paulo não há nenhum hospital público que tenha o pulmão artificial. Segundo a Sociedade Internacional Extracorporeal Life Support Organization (Elso), existem apenas 21 centros registrados no Brasil.

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Brasil pode sofrer apagão de vacinas nas próximas semanas, diz Conass

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Carlos Eduardo Lula, presidente do conselho, destacou a incerteza de chegada de doses e a dificuldade de importação de insumos da China

Vacina: a avaliação foi dada um dia após o Brasil registrar novo recorde de mortes pela doença, com 4.211 registros de vítimas em 24 horas (Pedro Nunes/Reuters)

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretário estadual de Saúde do Maranhão, Carlos Eduardo Lula, avalia que o Brasil corre o risco de sofrer um apagão de vacinas nas próximas semanas. Entre os motivos para a falta de imunizantes, o presidente do conselho destacou, em entrevista à rádio CBN, a incerteza de chegada das doses prometidas pelo Ministério da Saúde e dificuldade de importação de insumos da China pelo Instituto Butantan.

A avaliação foi dada um dia após o Brasil registrar novo recorde de mortes pela doença, com 4.211 registros de vítimas em 24 horas. O secretário disse que o Brasil hoje sofre com decisões erradas do passado. “A gente apostou mal, a gente rejeitou vacinas e agora não tem vacina suficiente para o Brasil. A gente tinha condição de ter começado a vacinar em novembro do ano passado”, afirmou.

Carlos Eduardo Lula informou também que em dez Estados os estoques de medicamentos para a intubação de pacientes acometidos pela covid-19 devem acabar em pouco mais de uma semana. Segundo o secretário, bloqueadores neuromusculares estão em falta em 14 Estados e sedativos em falta ou com baixa cobertura em 11 Estados. O secretário afirmou que a falta de medicamentos afeta tanto o setor público quanto o privado.

Sobre a proposta em tramitação no Legislativo nacional que autoriza a compra de vacinas pelo setor privado, Carlos Eduardo disse que o texto cria uma competição entre o Sistema Único de Saúde (SUS) – e as vacinas que seriam dadas para o grupo de risco e setores prioritários como professores, policiais e médicos – e empresas privadas. Para o presidente do Conass, a medida é um “equívoco”, “absurdo” e “não tem sentido”.

“A desfaçatez é tanta – e a gente fica muito chateado com isso – que chegou a ter uma cláusula que as empresas teriam isenção no imposto de renda para comprar essas vacinas, ou seja, não só íamos permitir um ‘fura-fila’ institucionalizado, como também toda a sociedade ia ter que arcar com o custo das empresas”, completou. O texto-base da proposta foi aprovado ontem na Câmara. Nesta quarta, os deputados analisam destaques apresentados ao texto.

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LIRAa aponta alto risco de epidemia em Divinópolis

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Levantamento apontou 7,52% de infestação do mosquito Aedes aegypti. Trabalho, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), foi realizado entre os dias 8 e 12 de março.

Pesquisa detecta a presença de criadouros do mosquito Aedes aegypti — Foto: Divulgação

O último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) em Divinópolis apontou índice de infestação em 7,52%, que significa alto risco de epidemia. O trabalho, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), foi realizado entre os dias 8 e 12 de março.

De acordo com o Ministério da Saúde, o índice é considerado satisfatório quando fica abaixo de 1%; situação de alerta quando está no intervalo entre 1% e 3,9%; e indica risco de surto quando é igual ou superior a 4%.

Foram visitados 4.916 imóveis em 165 bairros. Segundo o levantamento, 91% dos focos de criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre amarela, da chikungunya e do zika vírus estão nas residências e 9% nos lotes vagos.

Para combater a infestação, a Vigilância Ambiental realizou vários mutirões de limpeza. A Prefeitura, no entanto, ressalta a necessidade do apoio da população para que o controle seja possível.

Foram encontrados focos em baldes, garrafas, pneus, entre outros; os depósitos móveis, como pratos e vasos de plantas; os locais de armazenamento de água, como tanques e caixas d’água; e os depósitos, como ralos, caixas de passagem e fonte ornamental.

Regiões

Segundo a Semusa, na região Norte, onde estão os bairros Candelária, Serra Verde, Alvorada, foi apontado o maior índice de infestação: 12,9%. Em seguida, aparece a região Nordeste, composta por bairros como Manoel Valinhas, Niterói, São Luis, com o índice em 10%.

Na região Sudeste, dos bairros Interlagos, Nações, Dona Rosa, o índice de infestação é 8,3%. Na região Central o índice está em 6,8% e na região Sudoeste, da qual fazem parte o São José, Belvedere, São Judas, o índice de infestação está em 4,7%.

Por fim, a região Oeste, única do município que está com risco médio de infestação e abrange bairro como Ipiranga, São Roque e Tietê, o índice está em 3,6%.

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Megaferiado não amplia isolamento social em São Paulo

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Dados do Sistema de Monitoramento Inteligente do governo de São Paulo, que mostra o índice de adesão ao isolamento social no estado, apontam que o domingo foi o dia em que a população da capital menos circulou: o isolamento chegou a 50%

(crédito: AFP / NELSON ALMEIDA)

A antecipação de três feriados municipais na capital paulista e o recesso de dez dias articulado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) tiveram baixo impacto no isolamento no Município, que ficou na média de 44,7% na sexta-feira e no sábado, 3. Nos dias úteis anteriores, a taxa variava entre 42% e 43% – 1,5% a menos.
Dados do Sistema de Monitoramento Inteligente do governo de São Paulo, que mostra o índice de adesão ao isolamento social no Estado, apontam que o domingo foi o dia em que a população da capital menos circulou: o isolamento chegou a 50%. Mas os fins de semana já costumam apresentar um número maior de pessoas em casa.
Nas últimas quarta e quinta-feira, 31 e 1º, a folga dos feriados municipais ampliou em apenas 1% o índice de isolamento na capital, que ficou em 43%. Nos mesmos dias da semana anterior, a taxa era de 42%. O movimento anunciado na capital foi repetido em cidades próximas, mas o impacto também foi baixo na taxa estadual, que teve média de 45,3% nos nove primeiros dias do feriadão e pico no domingo, com 51%.
A administração municipal não anunciou qual era a meta pretendida. No ano passado, o Estado havia divulgado no início da pandemia que o ideal era chegar a 60%, mas o Centro de Contingência da Covid-19 tem evitado usar esse porcentual. Se ele ainda fosse válido, só três cidades paulistas teriam atingido o índice neste sábado: São Joaquim da Barra (68%), Mococa (61%) e Bertioga (60%).
Litoral norte
O anúncio do megaferiado preocupou os municípios do litoral norte e da Baixada Santista, que fizeram barreiras sanitárias e tomaram medidas diversas para desestimular a procura de turistas. Kayo Amado (Podemos), prefeito de São Vicente, que se diz “grande crítico” da antecipação dos feriados, mandou instalar barreiras sanitárias e pontos de orientação, além de faixas em áreas mais visitadas. No mirante da Ilha do Porchat, contudo, turistas arrancaram a sinalização e se aglomeraram para fazer fotos e confraternizar. “É um cenário muito ruim que a gente observa. Se o prefeito de São Paulo precisa tomar medidas mais rígidas , que as tome. Mas que não jogue a responsabilidade para a gente”, afirmou.
Em Bertioga, 15 entradas foram bloqueadas e três barreiras sanitárias foram criadas entre o centro e a Riviera de São Lourenço, que abordaram mais de 21,5 mil veículos até sábado. A cidade está com 100% de ocupação de UTIs, média com baixa variação nas últimas duas semanas. Em São Sebastião, a barreira sanitária incluiu a realização de testes rápidos, em que ao menos 65 pessoas deram positivo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Pela 1ª vez em 17 anos, mais de 50% não tem segurança alimentar no Brasil

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São mais de 116 milhões de brasileiros nessa situação. A pandemia deixou 19 milhões em insegurança alimentar grave em 2020, quase o dobro de 2018

(MST/Divulgação)

Pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população não teve certeza se haveria comida suficiente em casa no dia seguinte, teve que diminuir a qualidade e a quantidade do consumo de alimentos e até passou fome.

São 116,8 milhões de pessoas nessa situação de insegurança alimentar no Brasil, de acordo com pesquisa divulgada na segunda-feira pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), que reúne pesquisadores e professores ligados à segurança alimentar.

A pandemia deixou 19 milhões com fome em 2020, atingindo 9% da população brasileira, a maior taxa desde 2004, há 17 anos, quando essa parcela tinha alcançado 9,5%. E quase o dobro do que havia em 2018, quando o IBGE identificou 10,3 milhões de brasileiros nessa situação.

A pesquisa revela um processo de intensa aceleração da fome, com um crescimento que passa a ser de 27,6% ao ano entre 2018 e 2020. Entre 2013 e 2018, o aumento era de 8% ao ano. Chegamos ao final de 2020 com 19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, mas podemos supor que agora no primeiro trimestre deste ano a situação já piorou ainda mais. É urgente conter essa escalada. Não se pode naturalizar essa questão como uma fatalidade sobre a qual não se pode intervir”, destaca Francisco Menezes, analista de Políticas e Programas da ActionAid.

Mais mulheres e negros

Rosana Salles, uma das pesquisadoras responsáveis pelo levantamento da Rede Penssan e professora de Nutrição da UFRJ, diz que além do aumento da fome, o que chamou a atenção foi a “queda brusca na segurança alimentar”, quando as famílias não têm problemas para pôr comida na mesa, que caiu de 63,3% em 2018 para 44,8%. É o menor índice da série iniciada em 2004.

— O acesso insuficiente em quantidade e qualidade da alimentação para família cresceu muito, principalmente a insegurança leve (não há garantia de que a família será capaz de comprar comida). Esse é o primeiro prejuízo, que vem com a perda de emprego ou corte do salário. Mas não imaginávamos que menos da metade da população tivesse segurança alimentar no Brasil.

A insegurança alimentar leve subiu de 20,7% em 2018 para 34,7%, em 2020, ““mostrando que a classe média não foi poupada dos efeitos da pandemia”, afirmou Renato Maluf, coordenador da Rede PENSSAN.

E as perspectivas não são animadoras. No último trimestre do ano passado, quando a pesquisa foi feita, ainda estava sendo pago o auxílio emergencial no valor de R$ 300. Benefício que foi cortado no início do ano e só começou a voltar nesta terça-feira, três meses depois, num valor menor e para menos famílias.

A incidência da fome é maior nas casas onde a renda per capita é de meio a um salário mínimo, as que são chefiadas por mulheres e por negros.

Existe fome em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres. Quando a pessoa de referência é um homem, a parcela dos que passam fome é de 7,7%. Pessoas pretas ou pardas enfrentam insegurança alimentar grave em 10,7% dos lares, contra 7,5% entre os brancos.

— Já tínhamos visto isso em dados de 2018. Quando a pessoa de referência de família é mulher, é negra ou tem baixa escolaridade, a fome aumente ainda mais — diz Rosana.

A pesquisa teve apoio do Instituto Ibirapitanga e parceria de ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert Stiftung Brasil e Oxfam Brasil.

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

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