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quarta-feira, 14/01/2026

PF descobre três rotas de voo de Vorcaro antes da prisão

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Adriana Fernandes e Bruno Boghossian
Folhapress

A Polícia Federal encontrou evidências de que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tinha pelo menos três rotas de voo planejadas antes de ser detido na noite de 17 de novembro do ano passado, quando se preparava para viajar para o exterior.

Segundo os investigadores, a presença de múltiplas rotas reforça a suspeita de que o ex-banqueiro tentava escapar do país, e não apenas realizar uma viagem a Dubai para concluir a venda do banco a investidores árabes, em parceria com o Grupo Fictor.

Essas informações fazem parte do inquérito em andamento. Fontes anônimas ligadas às investigações disseram à reportagem que esses dados desmentem a defesa de Vorcaro, que afirmava não ter havido tentativa de fuga, mas sim negociações legítimas, e que o Banco Central agiu precipitadamente ao liquidar o Master.

Antes de ser preso, o ex-banqueiro estava sendo monitorado pela PF, que suspeita que um helicóptero foi utilizado para despistar eventuais rastreamentos.

A defesa de Vorcaro negou as acusações de tentativa de fuga, classificando as informações como especulações. Em nota, afirmaram que ele busca soluções transparentes e legítimas para o conglomerado Master, respeitando os reguladores.

Segundo os advogados, Vorcaro comunicou o Banco Central sobre várias negociações para a venda das instituições do grupo e informou que no dia 17 seria anunciada a venda para a empresa Fictor.

Os representantes legais não esclareceram as dúvidas sobre os diferentes planos de voo revelados pela PF.

Desde a prisão, a defesa sustenta que o Banco Central deveria ter considerado a proposta da Fictor antes de liquidar o banco.

No dia seguinte à liquidação, em 18 de novembro, uma reportagem indicava que investigadores suspeitavam que a oferta da Fictor Holding Financeira para comprar o Master teria sido uma manobra para facilitar a fuga do banqueiro.

Fontes próximas às investigações disseram que a ordem de prisão foi assinada às 15h de 17 de novembro e que, no mesmo dia, a Fictor anunciou a compra conjunta com investidores dos Emirados Árabes Unidos.

Investigadores ainda acreditam que houve vazamento da ordem de prisão e da intenção do Banco Central de liquidar o Master. Alertado, Vorcaro teria acelerado a simulação da venda para criar uma justificativa para sair do país.

Em comunicado recente, a Fictor reconheceu dificuldades financeiras para cumprir compromissos, comprometendo-se a regularizar sua situação até 12 de fevereiro de 2026.

Autoridades interpretam a situação financeira atual da Fictor como mais um indício de que não teria condições reais de comprar o Master há menos de dois meses.

A decisão do Banco Central pela liquidação do Master ocorreu no mesmo dia 17, em reunião da diretoria. Os advogados negam que Vorcaro tenha tentado fugir, afirmando que ele viajava para Dubai para tratar da venda com a Fictor. O jato privado que Vorcaro planejava usar tinha Malta como parada técnica antes de seguir para os Emirados Árabes Unidos.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, teve reunião virtual com Vorcaro pouco antes de sua prisão, fato usado pela defesa para questionar a alegação de risco de fuga.

Investigadores que acompanham o caso dizem que já existem provas sólidas para concluir sobre o envolvimento dos acusados no esquema. Um agente, sob anonimato, afirmou que a fase final das apurações poderá ocorrer após os depoimentos previstos para o final de janeiro e início de fevereiro.

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