NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A Petrobras informou nesta terça-feira (17) que cancelou os leilões de combustíveis previstos para esta semana. Essa decisão gerou preocupação no setor sobre o abastecimento em abril, pois as importações de empresas privadas diminuíram após o conflito no Irã.
A empresa tem realizado leilões regulares para complementar a oferta de diesel no país devido à baixa participação do setor privado nas importações. Em nota, a Petrobras afirmou que vai analisar novamente a situação e informará sobre os leilões quando for oportuno.
Profissionais do setor indicam que a estatal planejava leiloar para abril 95 milhões de litros de gasolina e 70 milhões de litros de diesel, quantidades que correspondem a cerca de 3% e 1,4% das vendas desses combustíveis no mês.
Esses volumes são pequenos, mas importantes para as distribuidoras, já que a Petrobras terá papel mais ativo no abastecimento interno no próximo mês.
Isso ocorre porque as importações privadas caíram bastante devido à alta dos preços internacionais do petróleo causada pela guerra. Fontes do setor garantem que o abastecimento de março está assegurado, porém os volumes importados para abril são muito baixos.
Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira das Importadoras de Combustíveis (Abicom), declarou que os contratos de importação firmados após a guerra foram muito reduzidos. O setor privado reclama da dificuldade de importar devido à diferença entre os preços nacionais e internacionais.
Na abertura do mercado na terça-feira, o diesel das refinarias da Petrobras custava R$ 1,97 por litro a menos que o preço de importação calculado pela Abicom, enquanto a gasolina estava R$ 1,20 por litro mais barata.
Essas diferenças persistem mesmo depois do aumento de R$ 0,38 no preço do diesel anunciado na última sexta-feira (13), que ocorreu após o lançamento de um pacote do governo para amenizar a alta do petróleo.
O pacote do governo prevê isenção de impostos federais no valor de R$ 0,32 por litro e subsídios iguais para incentivar produtores e importadores a venderem diesel abaixo de um preço que será definido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).
A ANP está trabalhando para estabelecer esse preço ainda nesta semana, mas enquanto isso não ocorre, as empresas privadas evitam comprar diesel do exterior. Em 2025, os importadores privados responderam por cerca de metade do volume comprado do combustível no exterior.
A Petrobras afirmou que tem entregue ao mercado volumes 15% maiores que os contratados e adiou manutenções nas refinarias para garantir o abastecimento durante o período de conflito. Na sexta-feira, a presidente da estatal, Magda Chambriard, declarou que não há falta de combustíveis no país.
