Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Brasil

Pessoas com deficiência enfrentam mais dificuldades na leitura e na moradia, mostra IBGE

Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

Pessoas com deficiência no Brasil têm maiores dificuldades para aprender a ler e escrever, vivem em moradias com piores condições e têm pouca participação na política, segundo dados recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esses dados fazem parte de um estudo feito pelo IBGE com informações do último Censo Demográfico e outras pesquisas. O estudo foi divulgado perto do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

De acordo com o Censo, em 2022, o índice de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência foi de 12,2%, muito maior que o 1% dos jovens sem deficiência da mesma idade.

A diferença também é notável em outras faixas etárias: entre 30 a 39 anos (13,5% com deficiência e 2% sem), entre 40 a 49 anos (15% e 4,8%), de 50 a 59 anos (18% e 7,9%) e pessoas com 60 anos ou mais (27,9% e 14,4%).

Segundo o IBGE, o nível maior de analfabetismo em pessoas com deficiência se deve em parte ao fato de que muitas delas são idosas, mas a desigualdade existe também entre os mais jovens.

No estudo, analfabetos são definidos como pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever um bilhete simples. O percentual geral de analfabetismo é 21,3% entre pessoas com deficiência e 5,2% entre pessoas sem deficiência.

Em 2022, o Censo mostrou que o Brasil tinha 14,4 milhões de habitantes com dois anos ou mais que têm alguma deficiência, o que representa 7,3% da população dessa faixa etária.

Desafios na moradia

O estudo também revelou que em 2022, 56,6% das pessoas com deficiência viviam em casas que tinham ao mesmo tempo acesso à água tratada, coleta de lixo e esgoto ou fossa séptica, menor que os 60,2% das pessoas sem deficiência.

Além disso, apenas 60,4% das casas de pessoas com deficiência tinham máquina de lavar, contra 68,9% das casas de pessoas sem deficiência.

O acesso à internet em casa também é menor entre pessoas com deficiência (78,9%) comparado ao restante da população (90,2%).

Leonardo Athias, pesquisador do IBGE, destacou que a internet é importante para educação, trabalho e serviços digitais, o que torna essa diferença significativa.

Quando considerados os arredores, 67,4% das pessoas com deficiência moravam em locais onde as calçadas apresentavam obstáculos, e só 12,9% tinham rampas para cadeirantes perto de casa. Entre pessoas sem deficiência, esses números são 65,2% e 15,4%, respectivamente.

Crianças e jovens sob cuidados maternos

O estudo também analisou as famílias. Em 2022, 30,1% das crianças e adolescentes entre 2 e 17 anos com deficiência moravam apenas com a mãe ou madrasta, sem a presença do pai ou padrasto. Entre crianças sem deficiência, esse percentual é 21,5%.

Luanda Chaves Botelho, pesquisadora do IBGE, explicou que essa situação indica uma preocupação, pois as mães acabam sendo as únicas responsáveis pelo cuidado das crianças com deficiência.

Quando a análise considera só as famílias com renda abaixo da linha da pobreza, 35,1% das crianças com deficiência moravam apenas com mãe ou madrasta.

Luanda acrescentou que esse cenário está relacionado ao baixo índice de ocupação das mulheres em famílias com crianças com deficiência (43,1%), muito inferior ao índice nas famílias de crianças sem deficiência (55,2%).

Essa situação pode aumentar a vulnerabilidade dessas famílias.

A linha de pobreza usada no estudo é definida pelo Banco Mundial como renda domiciliar per capita inferior a US$ 8,30 por dia, cerca de R$ 770 por mês.

Pouca participação política

No campo político, o IBGE analisou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre 2020 e 2024, o número de vereadores eleitos com deficiência caiu de 522 para 391 (-25,1%) e o de prefeitos de 56 para 24 (-57,1%).

Nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados, a presença de políticos com deficiência também é muito reduzida, com apenas dois deputados estaduais, uma deputada estadual, um deputado federal e uma deputada federal eleitos em 2022.

O estudo ainda mostra que, em 2022, 52,5% das pessoas com deficiência entre 18 e 59 anos viviam em algum tipo de união estável, número abaixo dos 59,8% das pessoas sem deficiência nessa faixa etária. Entre idosos, a diferença é também significativa (45,2% e 57,6%).

Esses dados indicam que pessoas com deficiência podem enfrentar rejeição social e, por conta do baixo envolvimento no trabalho, ter mais dificuldades em participar da vida social e comunitária.

Publicidade
Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.