BRUNO LUCCA E GUSTAVO GONÇALVES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está avaliando mudanças no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para o ano de 2028. Uma das propostas em análise é alterar o formato da redação.
Atualmente, o exame exige uma redação dissertativo-argumentativa de 30 linhas. A sugestão é dividir a prova escrita em partes específicas: 20 linhas em linguagens, 10 em ciências humanas, 10 em ciências da natureza e 10 em matemática, somando um total de 50 linhas. Essa proposta tem sido debatida em reuniões técnicas, segundo relatos de participantes.
O objetivo dessa mudança é exigir dos estudantes diferentes tipos de raciocínio, ao invés de focar em um único tema para a redação.
O Inep informou que ainda não tomou uma decisão final sobre os detalhes do novo formato, mas que uma proposta preliminar será discutida e concluída até o final deste ano.
O órgão atua em conjunto com especialistas e o Ministério da Educação (MEC) para garantir que o Enem de 2028 avalie o ensino médio alinhado à Base Nacional Comum Curricular e à Política Nacional do Ensino Médio.
Essa ideia vem meses após o governo Lula (PT) anunciar mudanças nas funções do exame. Em março, um decreto estabeleceu que o Enem também será usado para medir o aprendizado dos estudantes ao término do ensino médio, em parceria com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Além disso, o exame continuará servindo para ingresso na educação superior via programas como Sisu, Prouni e Fies.
A alteração faz parte da estratégia do governo para usar os resultados do Enem para diagnosticar a situação da educação básica, monitorar desigualdades e acompanhar o cumprimento de metas educacionais.
No Enem 2025, última edição aplicada, estudantes e professores relataram uma impressão de notas mais baixas na redação. O Inep negou mudança nos critérios de correção e atribuiu essa percepção, entre outras razões, ao uso frequente de modelos prontos e respostas decoradas.
Segundo o Instituto, referências genéricas e decoradas, usadas sem ligação real com o tema ou a argumentação, já poderiam ser penalizadas em edições anteriores. Na época, o Inep destacou que a frequência desses modelos tornou a evolução na correção mais relevante.
