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Pesquisa de vacina contra covid-19 será concluída em agosto, diz Oxford

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Caso as etapas da pesquisa de Oxford continuarem a dar certo, o governo britânico poderá aprovar a vacina contra o coronavírus em setembro

Coronavírus: em 23 de abril, 320 voluntários receberam a vacina contra covid-19 (Javier Zayas Photography/Getty Images)

O grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford que está na corrida para desenvolver uma vacina contra o coronavírus prometeu finalizar em agosto os testes clínicos da vacina, que já foi aplicada em 1,1 mil voluntários no fim de abril. Mas a Agência Europeia de Medicamentos se mostrou cética quanto à promessa de ter uma cura para a covid-19 no mercado ainda neste ano, pois o desenvolvimento e o licenciamento desse tipo de medicamento leva mais tempo, e, no cenário mais otimista, isso aconteceria no prazo de um ano.

Em entrevista à Rádio 4 da BBC, nesta quinta-feira, o professor de Medicina da universidade e diretor não executivo da farmacêutica Roche, Sir John Bell, disse que, se as etapas da pesquisa de Oxford continuarem a dar certo o governo britânico terá aprovado a vacina no começo de setembro e começado a fabricá-la para a população. Agora, o grupo precisa avaliar se as pessoas que receberam a dose contra o coronavírus foram infectadas ou não – para ver se encontraram uma vacina com potencial para acabar com a pandemia.

Em 23 de abril, os pesquisadores injetaram nos 320 primeiros voluntários a vacina ChAdOx1 nCoV-19, que é a combinação do adenovírus de chimpanzé e do material genético de uma proteína encontrada na superfície do coronavírus – usada para infectar células humanas. Outro grupo recebeu uma vacina para meningite, pois os efeitos colaterais são similares aos causados pela ChAdOx1 nCoV-19: elevação da temperatura corporal, dor de cabeça e nos braços. Assim, os pacientes não teriam como saber qual das duas vacinas receberam.

Para descobrir se a vacina funciona, é preciso olhar nas estatísticas o nível de infecção dos dois grupos. E, para isso, é necessário que um pequeno grupo desenvolva a covid-19. E é nesta etapa que os pesquisadores se encontram. “A rapidez com que nosso time tenha os números necessários (para a avaliação) depende do nível de transmissão do vírus na população. Se a transmissão permanecer alta, poderemos ter dados suficientes em dois meses. Caso a transmissão caia, isso pode levar seis meses” diz um post de 23 de abril da Oxford. “Até junho, devemos ter o número suficiente de pessoas com a doença. E, se eles não tiverem sido infectados, é bola para frente”, afirmou Bell à BBC.

Processo longo

Já o chefe do departamento de vacinas da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri, disse em conferência virtual que “são muito poucas as vacinas que chegam até o processo final de licença e, em muitos casos se requer provas adicionais para confirmar que não provocam nenhum efeito colateral grave”.

Ele ainda pontuou que não é possível descartar uma terceira etapa do processo de desenvolvimento da vacina, na qual o nível de proteção e os efeitos colaterais são investigados mediante provas em milhares de pessoas fora dos laboratórios – o que leva a determinar, entre outros fatores, se a vacina faz com que as pessoas se tornem mais suscetíveis ao contágio.

Por outro lado, a agência também tem 115 ensaios clínicos pendentes para os sintomas causados pelo coronavírus. Cavaleri afirmou que alguns desses ensaios poderiam ser aprovados na Europa ainda neste ano, mas não especificou qual método seria. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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China alerta para nova pneumonia mais mortal que a covid-19

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Nova epidemia já teria matado 1.772 pessoas e infectado mais de 100.000 pessoas no Cazaquistão. Governo local diz que alerta é equivocado

China: segundo a embaixada, mais de 100 mil pessoas já foram contaminadas por essa nova pneumonia (cnsphoto/Reuters)

Um novo surto de doença respiratória, potencialmente mais letal que a covid-19, pode estar começando na Ásia.

A embaixada chinesa no Cazaquistão alertou ontem seus cidadãos no país sobre uma nova “pneumonia desconhecida”.

Segundo a China, no primeiro semestre deste ano 1.772 pessoas morreram da doença este ano, 628 delas apenas em junho. Cerca de 100.000 pessoas já teriam sido contaminadas.

“Essa taxa de mortalidade da doença é muito maior que a da covid-19 e as autoridades do Cazaquistão estão conduzindo um estudo comparativo do vírus sobre o qual ainda não há definição”, afirmou a embaixada chinesa, segundo o jornal South China Morning Post

O ministro da Saúde do Cazaquistão respondeu nesta sexta-feira, pelo Facebook. Alexei Tsoi afirmou que a informação divulgada pela China é “incorreta”.

Segundo ele, a conta oficial inclui todos os tipos de pneumonias já conhecidas, incluindo as causadas por vírus e bactérias.

Ele não especificou quantos dos casos tratados como pneumonia podem na verdade ser de covid-19, nem entrou em detalhes sobre se há ou não uma nova doença em circulação no país.

A Organização Mundial da Saúde afirmou ao diário chinês que tem conhecimento apenas da circulação da covid-19 no Cazaquistão, e que a doença causada pelo novo coronavírus pode explicar o aumento nos casos de pneumonia no país.

Segundo a CNN, a capital do país, Nursultan, mais que dobrou os casos de pneumonia em relação a junho de 2020. A China afirmou que pretende trabalhar junto com o país no combate ao surto.

O Cazaquistão tem oficialmente 50.000 casos de covid-19, e recentemente adotou medidas mais rigorosas de distanciamento social após um avanço no contágio — a quinta-feira foi o dia com mais novos casos, 1.962.

Romper a cortina de fumaça em torno do Cazaquistão não deve ser fácil. O país é um dos mais fechados do mundo. A capital foi rebatizada com o atual nome ano passado, em homenagem a Nursultan Nazabayev, que deixou o cargo um dia antes após governar o país desde o fim da União Soviética, 30 anos atrás.

Ele ainda é presidente do Conselho de Segurança e chefe do partido que domina o parlamento, o que lhe garante poder total sobre o país da Ásia Central. O Cazaquistão tem 17 milhões de habitantes e faz fronteira, entre outros, com a China e a Rússia (onde o atual presidente, Vladimir Putin, acabou de passar uma lei que lhe permite ficar no poder por mais duas décadas).

 

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Vacina contra coronavírus recebe autorização para novo teste no Brasil

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Anúncio foi feito pelo governador de São Paulo, João Doria, em seu perfil no Twitter; fase 3 é a mais avançada antes da distribuição de uma vacina

Vacina: governo paulista gastará cerca de 83 milhões de reais com parceria (Taechit Taechamanodom/Getty Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), anunciou em seu perfil no Twitter na manhã desta quinta-feira (9), que a fase três de testes clínicos para a vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, a Coronavac, foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A vacina começará a ser testada em brasileiros já nas próximas semanas. Em entrevista coletiva nesta semana, Doria informou que o processo de testagem da CoronaVac começará em 20 de julho em São Paulo, Brasilia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A princípio, a fase custará R$ 83 milhões aos cofres do governo paulista.

João Doria
Bom dia, pessoal. Excelente notícia: a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovou a realização da terceira fase de ensaios clínicos da vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan com o laboratório Sinovac Biotech.

A potencial vacina será testada em um estudo com 9 mil voluntários brasileiros, liderado pelo Instituto Butantan. Os voluntários, que serão exclusivamente os profissionais de saúde, poderão se inscrever a partir do dia 13 de julho, por meio de um aplicativo que ainda será lançado.

Para poder se candidatar, o profissional precisa ter mais de 18 anos, não ter contraído o novo coronavírus, não estar grávida ou planejar engravidar e não ter outras doenças. O voluntário também não pode participar de outros estudos.

A fase três de testes é a última antes da distribuição da vacina e consiste em estabelecer que a vacina produz a imunidade contra um determinado vírus.

A AstraZeneca e a Oxford também testarão sua vacina por aqui, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A Organização da Saúde (OMS) acredita que essa é a opção mais avançada no mundo em termos de teste.

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Coronavírus causa sérios problemas neurológicos em pacientes, diz estudo

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Pesquisa aponta que alguns problemas neurológicos têm sido desencadeados pela covid-19, como inflamação cerebral, delírios e até AVCs

Pessoas com trajes de proteção em Melbourne 06/07/2020 AAP Image/James Ross/via REUTERS (James Ross/Reuters)

Um estudo publicado na revista científica Brain, especializada em neurologia, sugeriu que os médicos do mundo todo devem ficar atentos a mais uma complicação que pode ser fatal em infecções causadas pelo novo coronavírus. Segundo eles, alguns problemas neurológicos têm sido desencadeados pelo vírus, como inflamação cerebral, delírios, problemas no sistema nervoso e até AVCs.

43 pacientes com sintomas leves ou graves da doença foram analisados pelos cientistas no Reino Unido. Em alguns casos, de acordo com a observação dos profissionais, os sintomas neurológicos foram os primeiros ou os principais a serem apresentados nos casos de covid-19.

Uma das pacientes observada pelo estudo tem 55 anos e não tinha nenhum histórico prévio de doenças psiquiátricas. Ela chegou ao hospital apresentando febre, tosse, dores musculares, falta de ar e também falta de olfato e paladar.

Com um caso mais leve, ela quase não precisou de oxigenação mecânica e teve alta três dias depois. No dia seguinte a sua saída no hospital, o marido dela começou a reparar que ela havia adotado um comportamento esquisito, como colocar e tirar repetidamente o casaco, bem como ter alucinações e ver leões nas paredes.

Outra paciente, de 47 anos e também sem histórico de doenças neurológicas, sentiu o lado esquerdo de seu corpo formigando e apresentou forte dor de cabeça antes de ser internada — o que pode significar que os efeitos acontecem antes e depois da internação.

Com essa análise, eles foram capazes de observar que uma condição ameaçadora chamada de doença desmielinizante do Sistema Nervoso Central (SNC), ou Acute Disseminated Encephalomyelitis (Adem, na sigla em inglês) aumentou durante a primeira onda de infecções no país britânico. Antes da pandemia, os casos de Adem eram dois ou quatro por semana nos meses de abril e maio.

O estudo ainda é preliminar e, de acordo com os próprios cientistas, ainda precisa ser mais aprofundado para entender melhor como o SARS-CoV-2 é realmente capaz de afetar o cérebro humano e quais serão os tratamentos adotados para lidar com a complicação.

O efeito neurológico do coronavírus

No final de junho, outro estudo feito por cientistas das universidades britânicas de Liverpool, Southampton, New Castle e a College London apontou que os pacientes mais graves do novo coronavírus podem desenvolver problemas cerebrais e correm mais risco de ter derrames.

Segundo a pesquisa, feita com 125 pacientes hospitalizados no ápice da crise do vírus no Reino Unido em abril, seis a cada dez corriam o risco. Desses, 62% sofreram derrames durante a hospitalização e quase um terço desenvolveu sintomas parecidos com demência ou psicose.

No entanto, os pesquisadores admitem que o estudo é ainda muito preliminar para ter conclusões 100% assertivas, mas que isso pode jogar luz nos problemas neurológicos menos conhecidos que a doença respiratória pode engatilhar em determinados casos.

Um dos motivos que pode levar um infectado a ter derrames é o desenvolvimento de coágulos sanguíneos, efeito colateral bastante conhecido e estudo em casos de covid-19, o que pode levar a um derrame fatal caso eles migrem para o cérebro e cortem o fornecimento de sangue ao restante do corpo. Ainda não há nenhum estudo que confirme exatamente o por que de os coágulos se formarem em quadros mais severos da doença e causarem inflamações.

Essas inflamações nas principais artérias podem estar, inclusive, por trás dos efeitos psiquiátricos do vírus em alguns casos.

Dos pacientes estudados pelas universidades acima que apresentaram casos cerebrovasculares, 74% tiveram acidente vascular cerebral isquêmico, 12% uma hemorragia intracerebral e 1% vasculite, que é uma doença capaz de inflamar os vasos sanguíneos.

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Recuperados da covid-19 mantêm cuidados mesmo após infecção

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Ainda não há evidências de que quem contraiu o novo coronavírus não se contamina novamente

Coronavírus: “Depois de ter passado, não quero vivenciar isso de novo”, diz paciente recuperada (Wolfgang Rattay/Reuters)

Na casa da artista plástica e produtora cultural Leticia Tandeta, 59 anos, no Rio de Janeiro, quase todos foram infectados em meados de maio. Ela, o marido, o filho e o irmão. “Ficamos praticamente todos doentes ao mesmo tempo. A sorte foi que todos tivemos sintomas brandos, ninguém teve falta de ar ou uma febre absurdamente alta”, diz. A única que não adoeceu foi a mãe de Leticia, que tem 93 anos. A família tomou o cuidado de isolá-la e de separar tudo que era usado por ela.

“Hoje é estranho porque não sabemos se estamos imunizados ou não”, diz Leticia. “Os médicos dizem que provavelmente temos algum tipo de imunização, talvez de um mês, dois meses, três”. Por causa das incertezas, ela diz que a família continua tomando cuidados como sair de casa o mínimo possível, apenas quando necessário, usando sempre máscara. Já ter contraído a doença, no entanto, traz um certo tipo de relaxamento: “Não é que a gente relaxe nos cuidados, mas há um certo relaxamento interno sim”.

De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, mesmo quem já teve a doença deve continuar tomando cuidado. “Não temos certeza, por enquanto, de que quem teve covid-19 uma vez não terá novamente. É importante que quem já teve a doença continue se prevenindo. Continue com as medidas preventivas, usando máscaras, higienizando as mãos e evitando aglomeração”.

As pessoas que já foram infectadas, de acordo com Weissmann, assim como as demais, podem ajudar a propagar o vírus caso não tomem os devidos cuidados. “Mesmo a pessoa que não estiver infectada, se ela puser a mão em um lugar contaminado, ela pode carregar o vírus. Por isso é importante estar sempre higienizando as mãos, lavando com água e sabão ou com álcool 70%”, orienta.

Síndrome da Fadiga Crônica

Em março, a psicóloga Joanna Franco, 37 anos, teve dores no corpo, tosse seca, dor de cabeça, febre alta, dificuldade de respirar, perda de olfato e paladar, diarreia e vômito. Na época que recebeu o diagnóstico clínico de covid-19, o Brasil começava a adotar medidas de isolamento social. Morando sozinha em Niterói, ela cumpriu todas as regras de quarentena e de isolamento social. Os sintomas passaram. Para garantir que não transmitiria o vírus para ninguém, ela ainda permaneceu em isolamento por cerca de 40 dias. Foi então que percebeu que não estava totalmente recuperada, estava muito cansada. “Vinha um cansaço, parecendo que eu tinha subido ladeiras, uma sensação de que isso nunca ia acabar, que não ia sair de mim. Fiquei bem prostrada”.

Quase três meses depois, ela diz que se sente melhor, que está conseguindo retomar uma rotina de exercícios físicos, que antes eram impossíveis. Depois de passar pelo que passou, ela redobrou todos os cuidados que já vinha tendo. “Depois de ter passado, não quero vivenciar isso de novo e não quero que outras pessoas vivenciem”, diz.

O cansaço que Joanna sentiu após se recuperar da doença pode ter sido a chamada Síndrome da Fadiga Crônica, que tem sido relatada por pessoas que foram contaminadas pela covid-19, segundo o neurologista, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Gabriel de Freitas. O principal sintoma é o cansaço, mas pode haver alteração na pressão, na frequência cardíaca e insônia. “O que predomina é a  fadiga, o cansaço. A pessoa não consegue trabalhar, não consegue voltar à atividade”, afirma.

A síndrome não é exclusiva do novo coronavírus, mas ocorre também por causa de outros vírus. Ela pode durar até cerca de um ano, é mais frequente em mulheres entre 40 e 50 anos e que tiveram covid-19 pelo menos de forma moderada. Mas, de acordo com Freitas, ainda há muitas dúvidas pelo fato de ser uma doença recente. Para o tratamento, geralmente é recomendada psicoterapia, atividades físicas, antivirais e antidepressivos.

“Essa síndrome traz uma angústia muito grande para as pessoas porque fadiga não é um sintoma mensurável. Não se consegue mensurar por exame. Muitas vezes é mal compreendido”.

Gabriel diz que a pandemia pode ser mais complexa do que se pensa e defende que todos os cuidados possíveis sejam adotados. “Parece que não é estar recuperado e ponto final. Talvez essas pessoas tenham mais sintomas. A Síndrome da Fadiga Crônica pode ser apenas um deles. Acho que a gente não tem essa informação. É possível que existam complicações a médio e a longo prazo. O que alguns autores colocam é que as medidas de isolamento social são importantes não só para evitar a morte. A gente tem que levar em consideração e colocar nessa equação as complicações a médio e longo prazos”.

Medo e ansiedade

Além de lidar com os sintomas da covid-19 e com as consequências da doença, muitas pessoas estão lidando com sintomas de ansiedade, de acordo com a psicóloga da equipe de coordenação de saúde do trabalhador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marta Montenegro. “A covid-19 é uma doença muito nova, recente, um vírus cujas informações foram se construindo nesse processo de pandemia. Os próprios profissionais de saúde estavam tentando entender as formas de cuidado e isso deixa as pessoas muito inseguras. O ser humano se sente mais seguro se tiver previsibilidade do que vai acontecer. Essa incerteza sobre formas de contaminação, se pode ou não se contaminar de novo, deixa as pessoas vulneráveis”, explica.

De acordo com a psicóloga, buscar informações confiáveis ajuda a lidar melhor com a pandemia. “Buscar informação válida, de fontes confiáveis. Isso alivia sintomas emocionais. Às vezes, as pessoas estão em casa recebendo informações que nem sempre são as melhores e  acabam ficando muito confusas. Depois de três meses, acham que só estão protegidas dessa forma. Isso acaba gerando um medo de sair de casa. No outro extremo, há pessoas saindo como se não tivessem o vírus, em um processo de negação por dificuldade de lidar com a situação. São dois extremos. Existe o vírus. É necessário manter medidas de biossegurança, mas isso não pode paralisar as pessoas”, acrescenta.

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Estudo com 55 mil pacientes mostra que cloroquina não previne covid-19

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Pesquisa francesa não recomenda o “uso preventivo” da cloroquina ou hidroxicloroquina em casos de covid-19

Estudo sugere que o uso do remédio não tenha papel preventivo contra a covid-19 (Foto/AFP)

Os pacientes tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina, especialmente por doenças autoimunes, não foram menos afetados pelas formas graves da covid-19 durante a pandemia, aponta um estudo francês publicado nesta terça-feira.

O estudo, que contou com quase 55.000 pacientes, “não sugere que o uso de antimaláricos sintéticos (APS) a longo prazo tenha um papel preventivo quanto ao risco de hospitalização, intubação ou morte relacionada com a COVID-19”, afirmam os autores.

Embora este trabalho de observação “não permita concluir formalmente na ausência de benefícios” deste tratamento na prevenção de uma forma grave da COVID-19, seus resultados não levam a recomendar o “uso preventivo” da hidroxicloroquina entre a população.

Os autores estudaram os casos de pacientes que receberam a prescrição de pelo menos seis tratamentos de hidroxicloroquina ou cloroquina entre 1 de janeiro de 2019 e 15 de fevereiro de 2020.

A hidroxicloroquina, derivado do antimalárico cloroquina, é receita em particular para tratar doenças autoimunes como o lúpus e a artrite reumatoide.

Os resultados apontam inclusive um “risco maior de hospitalização, intubação e morte devido à COVID-19 entre os pacientes sob APS a longo prazo na comparação com o restante da população francesa”.

Mas as análises sugerem que isto se deve às “características associadas à patologia crônica subjacente”, sobretudo ao tratamento associado com “corticoides orais, mais do que à exposição aos APS”, segundo o estudo realizado pelo instituto francês Epi-phare.

A maioria dos testes clínicos com hidroxicloroquina foi interrompida no fim de maio, depois que vários estudos apontaram a falta de benefícios ante a COVID-19, como foi o caso do amplo estudo britânico Recovery.

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Estados Unidos pagam US$ 1,6 bilhão por vacina contra covid-19

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A decisão faz parte da ação governamental chamada de Warp Speed, voltada para identificar rapidamente o desenvolvimento de vacinas contra o vírus

Vacina: os Estados Unidos aceleraram corrida para reservar remédios contra o novo coronavírus (SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, deu mais um passo em direção ao domínio dos tratamentos contra o novo coronavírus. Além de o governo americano ter reservado 90% do estoque do remdesivir, primeiro tratamento promissor contra o vírus, agora pagará 1,6 bilhão de dólares para que a empresa de biotecnologia Novavax desenvolva 100 milhões de doses de sua potencial vacina até o começo de 2021.

A decisão faz parte da ação governamental chamada de Warp Speed (Velocidade de Dobra, em tradução literal), voltada para identificar rapidamente o desenvolvimento de vacinas para a covid-19. Em junho deste ano, os Estados Unidos anunciaram que estavam avaliando 14 candidatas para a produção delas. Dessas, apenas cinco chegaram a final, sendo elas as opções da Johnson & Johnson, da Moderna, Merck, Pfizer e a da parceria entre a farmacêutica anglo-sueca AztraZeneca e a Universidade de Oxford, que também será testada no Brasil em 5.000 voluntários.

A vacina Novavax está na fase 1/2 de testes clínicos e a expectativa da empresa é usar uma opção de duas doses, dadas com uma diferença de três semanas entre elas. No entanto, a companhia americana está estudando a possibilidade de uma vacina de apenas uma dose.

Mais de 200 medicamentos e cerca de 165 vacinas contra o vírus estão sendo desenvolvidos ao redor do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 18 delas já estão na fase de testes clínicos.

Os projetos mais promissores, no momento, além do de Oxford, são os criados pela Sinovac e pela farmacêutica Moderna. O projeto da universidade britânica é o único que está na fase 3 de testes. A Moderna anunciou em junho a liberação para a terceira etapa, que começará já neste mês. Em primeiro de julho, a vacina da farmacêutica Pfizer demonstrou bons resultados em seres humanos em um teste preliminar com 45 pessoas.

A reserva do remdesivir

A Gilead, fabricante do medicamento, concordou em vender mais de 500.000 tratamentos para os Estados Unidos até setembro, o que é quase toda a capacidade de produção da empresa. Em um comunicado publicado no site oficial do Serviço de Saúde e Humanidades (HHS, na sigla em inglês) americano, o diretor do órgão, Alex Azar, afirmou que “o presidente Donald Trump conseguiu um acordo incrível para assegurar que os americanos tenham acesso à primeira terapia para covid-19” — o que pode fazer com que os demais países, inclusive o Brasil, receba menos doses da medicação, pelo menos nos próximos três meses.

Quando teremos uma vacina contra a covid-19?

Uma pesquisa aponta que as chances de prováveis candidatas para uma vacina dar certo é de 6 a cada 100 e a produção pode levar até 10,7 anos. O doutor em microbiologia e divulgador científico, Atila Iamarino, acredita que as vacinas da Coronavac, a americana Novavax e a de Oxford são, também, as mais promissoras. Iamarino também acredita que, caso as vacinas não deem certo, outras que estão sendo produzidas pelas farmacêuticas Johnson & Johnson e pela MSD podem solucionar o problema.

Apesar disso, as expectativas de uma prevenção ser criada ainda em 2020 são baixas e a maioria das companhias aponta que, se tudo der certo, teremos uma até o ano que vem.

Por aqui, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal vão participar dos testes da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. Nove mil voluntários serão testados. O acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório Sinovac prevê a transferência de tecnologia para a produção da vacina e distribuição no Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é que esteja disponível para a população em abril ou maio de 2021.

De acordo com o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 511.909 morreram. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,6 milhões de doentes e mais de 127.000 mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.402.041 de infectados e mais de 59.000 óbitos.

Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais.

Segundo o relatório A Corrida pela Vida, produzido, unidade de análises de investimentos e pesquisas da , as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos.

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