DANIELE MADUREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) enviou uma carta aos seus fornecedores na terça-feira (3) para tranquilizá-los sobre a situação financeira da empresa. A empresa destacou que as dívidas que estão sendo negociadas são com bancos, e não com seus parceiros comerciais.
O grupo afirmou que continua cumprindo suas obrigações com os fornecedores normalmente, garantindo que não há mudanças na operação que possam causar falta de produtos nas lojas.
Na terça-feira, as ações do GPA tiveram uma queda de 17,77%, sendo negociadas a R$ 2,59.
A notícia foi inicialmente divulgada pelo Valor e confirmada pela reportagem.
Essa comunicação ocorreu logo após a agência Fitch Ratings rebaixar a nota de crédito do GPA, de ‘A’ para ‘CCC’, indicando uma alta possibilidade de inadimplência.
Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete maiores riscos para refinanciamento da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), queda na liquidez e previsão de fluxos de caixa negativos a médio prazo, salvo se houver redução significativa da dívida. A agência acredita, porém, que uma reestruturação das dívidas é viável.
A agência também destacou que o consumo está pressionado pela inflação e concorrência, e que a nova estrutura acionária, na qual a família Coelho Diniz se tornou principal acionista, com 24,6% do capital, ainda gera dúvidas quanto à estratégia da empresa a médio e longo prazos e sua capacidade de fortalecer o perfil financeiro.
Desde que os Coelho Diniz assumiram a liderança do grupo em maio do ano passado, substituindo o Casino, que estava no comando desde 2012, não concederam entrevistas. A família, originária de Minas Gerais, também controla uma rede de supermercados local.
Em resposta ao rebaixamento da Fitch, o GPA afirmou que a mudança na classificação de risco não implica descumprimento dos contratos de dívidas e financiamentos da empresa.
O grupo tem R$ 1,7 bilhão em dívidas que vencem em 2026, e no final do quarto trimestre, seu capital de giro estava negativo em R$ 1,2 bilhão. O endividamento total é de cerca de R$ 4 bilhões. Em 2025, o balanço indicou aproximadamente R$ 16 bilhões em disputas fiscais, consideradas como perdas possíveis e não contabilizadas.
Na última terça-feira (24), o grupo afirmou que há incertezas que podem colocar em dúvida a continuidade das operações. A administração está adotando medidas que incluem negociações para estender prazos das dívidas, redução de custos financeiros e despesas, além da monetização de créditos fiscais.

