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Pandemia continua freando a recuperação econômica mundial, alerta FMI

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FMI estima que a inflação retornará aos níveis anteriores à pandemia em meados do próximo ano, tanto nas economias avançadas quanto nas emergentes

(crédito: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, nesta terça-feira (12), que a persistência da pandemia de covid-19 e a distribuição desigual de vacinas continuam a desacelerar a recuperação econômica global e piorar as perspectivas para os países em desenvolvimento, incluindo os da América Latina.

O crescimento global para 2021 é projetado em 5,9%, contra 6% estimados em julho, uma queda “marginal”, explicou o FMI em sua atualização do relatório trimestral “World Economic Outlook” (WEO).

Mas esses números mascaram grandes contratempos em algumas nações, alertou Gita Gopinath, economista-chefe do FMI, observando que “as perspectivas para o grupo de países em desenvolvimento de baixa renda pioraram consideravelmente devido ao agravamento da dinâmica da pandemia”.

Somada à onda de infecções da variante delta do coronavírus está uma taxa de vacinação marcadamente mais baixa nos países em desenvolvimento.

Cerca de 58% da população das economias avançadas já está totalmente imunizada, contra 36% nas economias emergentes e menos de 5% nos países pobres, sublinha o FMI, que publica as suas previsões no âmbito das reuniões anuais com o Banco Mundial esta semana em Washington.

Outro desafio global são os gargalos de logística que deixaram as cadeias de suprimentos globais fora de sincronia, levando a bloqueios nos portos, escassez de uma variedade de produtos e aumento dos custos de exportação.

Redução para EUA, Brasil e México
Como resultado, o FMI reduziu a previsão de crescimento em 2021 para a maior economia do mundo – para 6%, ante 7% em julho. Mas revisou em alta para 2022, a 5,2%, levando em conta os projetos de gastos planejados pelo governo Joe Biden de vários trilhões de dólares.

Em contraste, o Fundo revisou para cima sua previsão de crescimento para 2021 na zona do euro (+0,4 ponto, a 5%).

Neste caso, novamente, as disparidades são grandes, com um aumento em sua estimativa de crescimento para a França (+0,5 ponto,a 6,3%), graças à aceleração da vacinação de sua população, e redução para a Alemanha, que sofre com a escassez de semicondutores (-0,5 ponto, a 3,1%).

A China, segunda potência econômica do mundo e onde a pandemia começou no final de 2019, continuará impulsionando o crescimento global (-0,1 ponto, a 8%) junto com Estados Unidos e Índia (9,5%, inalterado), disse o IMF.

Para a América Latina e o Caribe, região muito afetada pela pandemia, o Fundo melhorou sua projeção de crescimento para este ano (+0,5 ponto, a 6,3%), após uma forte recessão registrada em 2020 (-7% ante -3,1% em todo o mundo).

Mas reduziu a projeção para o Brasil e o México, as duas principais economias da região, estimando uma expansão do PIB de 5,2% e 6,2%, respectivamente, em ambos os casos 0,1 ponto percentual a menos do que o previsto anteriormente.

Para 2022, o FMI manteve sua estimativa de crescimento global em 4,9%.

Todas essas previsões, no entanto, permanecem muito incertas, ressaltou Gopinath, lembrando que se baseiam, em particular, em uma meta de vacinação de 40% da população mundial até o final deste ano e 70% para o primeiro semestre de 2022.

“Divergência perigosa”

Para Gopinath, está muito claro que “a pandemia não terminará em um lugar até acabar em todos os lugares”.

Uma recessão prolongada “poderia reduzir o PIB mundial em US $ 5,3 trilhões acumulados nos próximos cinco anos”, alertou.

Para a economista-chefe do FMI, a maior preocupação é a “perigosa divergência” nas perspectivas econômicas entre os países.

O PIB das economias avançadas deve retornar à sua trajetória pré-pandemia em 2022.

Mas o PIB dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento (excluindo a China) deve permanecer 5,5% abaixo das projeções pré-pandemia em 2024, acarretando “uma redução significativa na melhoria do padrão de vida” dessas populações.

Além disso, “os preços dos alimentos aumentaram mais nos países de baixa renda, onde a insegurança alimentar é mais aguda, sobrecarregando as famílias mais pobres e elevando o risco de agitação social”, observou Gopinath.

Ainda assim, o FMI estima que a inflação retornará aos níveis anteriores à pandemia em meados do próximo ano, tanto nas economias avançadas quanto nas emergentes.

Para a instituição, a prioridade absoluta continua sendo o controle da pandemia.

“A comunidade mundial deve redobrar seus esforços para garantir o acesso equitativo às vacinas para todos os países, superar as dúvidas sobre as vacinas quando houver oferta adequada e garantir melhores perspectivas econômicas para todos”, concluiu Gopinath.

 

Economia

Com decisão do Copom, dólar sobe por cautela com inflação e fiscal

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a Selic em 150 pontos-base na quarta-feira, para 7,75% ao ano, a maior alta de juros em 19 anos

Jorge AraújoFotos Publicas

O dólar opera em alta nesta quinta-feira, 28, após o Copom elevar a Selic em 150 pontos, ontem, a 7,75% ao ano. Os gatilhos são o avanço do IGP-M de outubro acima do teto das projeções do mercado e o novo adiamento da PEC dos Precatórios na Câmara, que aumentam as preocupações com a inflação e o risco fiscal extrateto de gastos públicos.

A subida da moeda americana ante o euro mais cedo é precificada também. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a Selic em 150 pontos-base na quarta-feira, para 7,75% ao ano, a maior alta de juros em 19 anos – além de sinalizar outra alta da mesma magnitude em dezembro.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,64% em outubro, após cair 0,64% em setembro. O resultado ficou acima do teto das estimativas do mercado coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,61%.

A subida da moeda americana ante o euro mais cedo é precificada também. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a Selic em 150 pontos-base na quarta-feira, para 7,75% ao ano, a maior alta de juros em 19 anos – além de sinalizar outra alta da mesma magnitude em dezembro.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,64% em outubro, após cair 0,64% em setembro. O resultado ficou acima do teto das estimativas do mercado coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,61%.

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançou 1,8 ponto na passagem de setembro para outubro, na série com ajuste sazonal, para 99,1 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 0,4 ponto.

Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 4,5% em outubro ante igual mês de 2020, mostrando também aceleração em relação ao avanço de 4,1% em setembro e acima do esperado por analistas (+4,4%).

O dado alemão reforça a cautela com a inflação na Europa e também porque o BCE anunciou hoje cedo a manutenção de juros e que seguirá com compras do PEPP em ritmo moderadamente menor. O BCE reafirmou também que os juros básicos vão continuar nos níveis atuais ou menores “até que a meta de inflação de 2%” seja alcançada de forma duradoura, ajudando ainda a enfraquecer o euro.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, comenta a decisão de hoje em coletiva de imprensa, a partir das 9h30. No mesmo horário, será divulgado o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no terceiro trimestre.

Às 9h24 desta quinta, o dólar à vista subia 0,88%, a R$ 5,6045. O dólar para novembro ganhava 1,19%, a R$ 5,6060.

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Ibovespa tem leve alta com exterior e Selic no radar; Ambev dispara

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Resultados corporativos dão o tom positivo no mercado internacional, enquanto investidores brasileiros avaliam possíveis efeito da alta de juros na atividade econômica

(crédito: Freepik/Reprodução)

O Ibovespa avança nesta quinta-feira, 28, subindo 0,11%, a 106.476 pontos, às 11h30, com o cenário internacional positivo se contrapondo à nova alta de juros no país.

Na última noite, o Comitê de Política Monetária elevou a taxa básica de juros em 150 pontos-base, com a Selic passando de 6,25% para 7,75% ao ano. A alta de juro representou uma aceleração no ritmo do ciclo de ajustes, que vinha sendo de 100 em 100 bps. Para a próxima reunião foi sinalizado um novo ajuste de “mesma magnitude”, ou seja, de 150 bps.

Após a decisão, os juros futuros negociados na B3 operam em leve alta, com investidores reajustando suas projeções para um aperto monetário mais duro.

“O comunicado apontou que a Selic vai ‘para território ainda mais contracionista’, a dúvida é qual será esse território. Para 2022, ainda estamos digerindo a decisão, mas parece que 11,5% é uma taxa razoável para o ano que vem”, diz Leonardo Paiva, economista do BTG Pactual Digital em Abertura de Mercado desta quinta.

Embora visto como necessário por parte do mercado, a alta de juros tende a arrefecer o nível da atividade econômica local, pressionando, principalmente, empresas de consumo cíclico. Apesar do BC mais contracionista, o dólar volta a subir contra o real, que tem o pior desempenho entre as principais moedas emergentes. Nesta manhã, a moeda avança 0,90%, a 5,605 reais.

Nos Estados Unidos, os principais índice de ações sobem embalados pela agenda de resultados, mesmo após o PIB americano do terceiro trimestre, divulgado nesta manhã, ter saído abaixo das expectativas. No período, a economia americana cresceu 2% contra as estimativas de expansão de 2,7%. Por outro lado, os pedidos de seguro desemprego renovaram a mínima desde o início da pandemia, ficando em 282.000, abaixo dos 290.000 previstos.

Ibovespa avança nesta quinta-feira, 28, subindo 0,11%, a 106.476 pontos, às 11h30, com o cenário internacional positivo se contrapondo à nova alta de juros no país.

Na última noite, o Comitê de Política Monetária elevou a taxa básica de juros em 150 pontos-base, com a Selic passando de 6,25% para 7,75% ao ano. A alta de juro representou uma aceleração no ritmo do ciclo de ajustes, que vinha sendo de 100 em 100 bps. Para a próxima reunião foi sinalizado um novo ajuste de “mesma magnitude”, ou seja, de 150 bps.

Após a decisão, os juros futuros negociados na B3 operam em leve alta, com investidores reajustando suas projeções  para um aperto monetário mais duro.

“O comunicado apontou que a Selic vai ‘para território ainda mais contracionista’, a dúvida é qual será esse território. Para 2022, ainda estamos digerindo a decisão, mas parece que 11,5% é uma taxa razoável para o ano que vem”, diz Leonardo Paiva, economista do BTG Pactual Digital em Abertura de Mercado desta quinta.

Embora visto como necessário por parte do mercado, a alta de juros tende a arrefecer o nível da atividade econômica local, pressionando, principalmente, empresas de consumo cíclico. Apesar do BC mais contracionista, o dólar volta a subir contra o real, que tem o pior desempenho entre as principais moedas emergentes. Nesta manhã, a moeda avança 0,90%, a 5,605 reais.

Nos Estados Unidos, os principais índice de ações sobem embalados pela agenda de resultados, mesmo após o PIB americano do terceiro trimestre, divulgado nesta manhã, ter saído abaixo das expectativas. No período, a economia americana cresceu 2% contra as estimativas de expansão de 2,7%. Por outro lado, os pedidos de seguro desemprego renovaram a mínima desde o início da pandemia, ficando em 282.000, abaixo dos 290.000 previstos.

 

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Câmara aprova projeto de auxílio-gás para famílias de baixa renda

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Pelo texto, terão direito ao benefício famílias do CadUnico com renda familiar mensal per capital menor ou igual a meio salário mínimo ou que tenham entre seus integrantes pessoa que receba o BPC

Botijões de gás de cozinha. (Pedro Ventura/Agência Brasilia/Divulgação)

A Câmara aprovou o projeto de lei que cria o um auxílio-gás para subsidiar o preço do botijão para famílias de baixa renda. De autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o texto já havia sido aprovado pelos deputados e recebeu aval do Senado. Com as mudanças propostas pelos senadores, o projeto retornou para a votação final na Câmara, foi aprovado em votação simbólica e segue agora para sanção presidencial.

Pelo texto, o programa Auxílio Gás dos Brasileiros será bancado por meio da receita de leilões de óleo e gás destinada à União e da parcela de royalties devida ao governo federal ao longo da exploração, além de um imposto, a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), que passa a incidir sobre o botijão de 13 quilos.

A cobrança vai gerar aumento no preço do produto, já que será cobrada de todos os consumidores exceto daqueles que recebem benefícios sociais do governo e que não serão contemplados pelo novo programa,. O Senado havia retirado a cobrança de Cide, mas os deputados optaram por retomá-la.

Segundo o relator, deputado Christino Áureo (PP-RJ), a ideia é que o valor da Cide seja de R$ 2,77 por botijão, equivalente ao valor que a União cobrava em PIS/Cofins sobre o gás de cozinha antes que os impostos fossem zerados, em março.

Com a cobrança da Cide será possível aumentar a base de atendidos em dois milhões de famílias do Cadastro Único dos programas sociais do governo, diz o relatório, cujo custo anual será de R$ 592,2 milhões.

Pelo texto, terão direito ao benefício famílias do CadUnico com renda familiar mensal per capital menor ou igual a meio salário mínimo ou que tenham entre seus integrantes pessoa que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Mulheres vítimas de violência doméstica e que estejam sob monitoramento de medidas protetivas terão preferência.

O benefício será dado na forma de um cartão eletrônico ou meio equivalente, com uso exclusivo para aquisição de gás de cozinha. O cálculo considera um botijão por família a cada dois meses. O valor do benefício deverá ser de, no mínimo, 50% do preço do botijão, com preferência de pagamento às mulheres responsáveis pela família.

“É uma solução temporária para o aumento do preço do gás, colocou a Petrobras a serviço dos acionistas minoritários”, disse Zarattini. Para o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ), o programa será um paliativo, que ajuda, mas não resolve o problema das famílias mais pobres.

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Caixa paga auxílio emergencial a nascidos em julho

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O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem

Trabalhadores informais nascidos em julho recebem hoje (27) a sétima parcela do auxílio emergencial em 2021. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também recebem hoje a sétima parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 8. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela rodada do auxílio emergencial deste ano. O benefício começou a ser pago em abril.

 Sétima parcela do auxílio emergencial para beneficiários do CadÚnico
Sétima parcela do auxílio emergencial para beneficiários do CadÚnico – Caixa/Divulgação

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da sétima parcela aos inscritos no Bolsa Família começou no último dia 18 e segue até a próxima sexta-feira (29). O auxílio emergencial somente é depositado quando o valor é superior ao benefício do programa social.

Calendário da sétima parcela do auxilio emergencial para beneficiários do bolsa família
Calendário da sétima parcela do auxilio emergencial para beneficiários do bolsa família – Divulgação/Caixa

Em todos os casos, o auxílio está sendo pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à atual rodada (veja guia de perguntas e respostas no último parágrafo).

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas. A partir de novembro, o público do Bolsa Família será migrado para o Auxílio Brasil.

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Pressão no dólar dificulta inflação convergir em 2022, diz Levy

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A inflação já atingiu dois dígitos no acumulado em 12 meses no país e o Banco Central busca fazer com que volte para a meta de 3,5% no próximo anodó

O Copom provavelmente elevará a Selic em 1,5 ponto percentual nesta quarta-feira, acelerando o passo em relação à alta anterior de 1 ponto, diz o ex-ministro

O avanço do dólar na esteira da incerteza fiscal causada pela quebra do teto de gastos atrapalha a convergência da inflação para 4% em 2022, diz Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda no governo de Dilma Rousseff.

A inflação já atingiu dois dígitos no acumulado em 12 meses no país e o Banco Central busca fazer com que volte para a meta de 3,5% no próximo ano.

O Copom provavelmente elevará a Selic em 1,5 ponto percentual nesta quarta-feira, acelerando o passo em relação à alta anterior de 1 ponto, afirma Levy, que atualmente é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados do Banco Safra.

Segundo ele, o maior ritmo dos juros é proporcional ao desafio fiscal e também ao resultado da inflação medida pelo IPCA-15 divulgado na terça-feira, que superou todas as expectativas.

Exceções ao teto

A volatilidade vista recentemente no mercado brasileiro é compatível com a perda da âncora do teto de gastos, diz o ex-ministro. Tem sido verificada “certa facilidade” de se criar excepcionalidades ao teto de gastos por meio de emendas constitucionais com pouca contrapartida fiscal, avalia. “É normal que as variáveis financeiras se ajustem um pouco bruscamente.”

O dólar subiu 3,5% na semana passada, fazendo do real a segunda pior moeda emergente no período, após o governo enviar ao Congresso a PEC dos precatórios com uma revisão da regra do teto de gastos para acomodar o novo programa social do governo, de R$ 400,00 por mês.

Ao mesmo tempo, os juros futuros dispararam com apostas de que o Banco Central terá de ampliar o aperto monetário para conter a piora das expectativas inflacionárias.

Além da piora da trajetória da dívida pública, as indicações são de que o crescimento do PIB migrará para perto de 1% no próximo ano, passado o efeito imediato do estímulo fiscal de quase R$ 1 trilhão dado em 2020, diz Levy.

Segundo o ex-ministro, o país precisa enfrentar os problemas sociais de maneira sistemática, com estudos que ancorem do ponto de vista fiscal os programas que venham a ser adotados. “Só assim é possível esperar atender as enormes demandas da saúde, educação e sustento dos mais vulneráveis com um mínimo de sucesso e respeitando a limitação de recursos que está evidente a todos.”

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Real digital: BC pode adotar solução da Visa para pagamentos offline

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O coordenador do projeto do Real Digital revelou que o BC estuda a adoção de uma solução da Visa, gigante mundial de pagamentos, para viabilizar transações offline dentro da plataforma da CBDC do Brasil

Previsão de lançamento do Real Digital para o público é em 2024 (Priscila Zambotto/Getty Images)

O coordenador do projeto do Real Digital dentro do Banco Central do Brasil, Fábio Araújo, revelou em uma audiência pública na Câmara dos Deputados que o BC estuda a adoção de uma solução da Visa, gigante mundial de pagamentos, para viabilizar transações offline dentro da plataforma da CBDC do Brasil.

A audiência foi realizada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados atendendo a um pedido do deputado federal Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

No debate Araújo revelou que diversas empresas apresentaram soluções para transações offline dentro do Real Digital, mas que ainda não são tão ‘maduras’ como as soluções empresariais para pagamentos online. Entretanto, o BC pretende implementar testes com uma solução apresentada pela Visa no ano que vem.
“A gente tem conversado com Mastercard e Visa e a gente vê nelas uma intenção de entrar neste mercado para prover soluções de pagamento, para prover serviços para os países. A Visa tem um Laboratório de inovação muito interessante e a gente tem bastante interesse em soluções da Visa especialmente uma solução que a Visa implementou para pagamentos online. Tem outras soluções de pagamentos offline bastante interessantes mas estas soluções não são tão maduras como as soluções online. A gente vai fazer testes ainda”, revelou.

Real Digital

Ainda segundo Araújo a adoção e implementação do Real Digital no Brasil ocorre em dois grandes contextos, um doméstico e um global.

No caso do doméstico ele é mais uma iniciativa de desenvolvimento de novas formas de pagamento e digitalização do dinheiro que estão na agenda do BC desde 2002 e que culminou também com o Pix e o Open Banking, que serão os dois principais pilares para o CBDC nacional.

Já segundo o executivo do BC, no contexto global até 2019 a ordem do BC era estudar CBDCs mas com mais calma. Mas então veio o Facebook com seus planos de lançar a Libra e junto com a pandemia este processo precisou ser acelerado.

Ainda segundo ele, os principais objetivos do Real Digital são acompanhar o dinamismo da economia brasileira, fomentar novos modelos de negócios, aumentar a eficiência dos meios de pagamento e favorecer a entrada do Brasil no cenário econômico regional e global.

Real Digital e DeFi

Araújo voltou a destacar que o BC trabalha para a implementação do Real Digital com vistas a criar uma grande plataforma que permita não apenas pagamentos mas o desenvolvimento de aplicações de finanças descentralizadas, smart contracts, internet das coisas (IoT) que, na sua opinião, são grandes contribuições do ecossistema do bitcoin e das criptomoedas.

Nesta linha Araújo revelou, durante o webinar “Criptoeconomia sem filtro – CBDC”, promovido pelo Blockchain Hub Brasil (BHB), que o BC pretende trazer este ambiente de inovação dos criptoativos para dentro do Banco Central e, com ele, impulsionar novos casos de uso para melhorar os serviços financeiros prestados para a população.
“Estes pontos fundamentais do ambiente cripto nós pretendemos trazer para dentro do nosso perímetro regulatório para fazer uma coisa massificada e dar acesso a mais pessoas. Nós pretendemos fazer uma coisa mais padronizada para que as pessoas possam fazer uso no dia a dia. O que a gente quer trazer é as tecnologias dos smart contracts e do DeFi para dentro para que a gente possa atingir o público mais amplo”, disse na época.

Além disso, o BC já declarou que a plataforma do Real Digital também deve permitir a integração com smart contracts construídos em plataformas públicas como Ethereum, Solana entre outras.

2022

Ainda na Audiência Pública na Câmara dos Deputados, Araújo pontuou que uma CBDC não se confunde com os criptoativos e que o BC mantém a opinião sobre estes ativos, que são ativos especulativos e tem que ser usados por quem entende dessas aplicações.
“O Real digital vai ser uma versão digital do Real que é emitido pelo BC”, frisou.

Ainda segundo ele, entre os objetivos do Real Digital também estão o desenvolvimento de modelos inovadores – smart contracts, IoT e dinheiro programável; extensão para pagamentos de varejo, online e possivelmente offline; ser uma extensão do real com emissão feita pelo BC e custódia e distribuição pelo sistema de pagamentos; ausência de remuneração; permitir a prevenção a lavagem de dinheiro inclusive para rastrear transações via ordens judiciais, ter interoperabilidade e padrões de segurança.
“Tudo isso é fundamental para o real digital”, revelou.

Sobre os prazos de implementação, o executivo do BC destacou que em 2022 o país começará as provas de conceito, PoC, com o Real Digital e, dentro delas, haverá o uso de blockchain.

No entanto, a previsão de lançamento do Real Digital para o público é em 2024, quando, segundo o executivo, o poder legislativo terá também aprovado mudanças nas legislações atuais, incluindo a lei de câmbio do país, para que o Real Digital seja efetivamente lançado.
“No estágio atual o BC está desenvolvendo webinars e em 2022 vamos lançar prova de conceito. Vamos anunciar o projeto em breve e sua implementação para a população depende também do amadurecimento de nossa gente interna, com o Pix e Open Banking que são degraus para o Real Digital. Do amadurecimento de nosso mercado, pois embora haja muitos projetos de tokenização a maior parte dos stakeholders ainda estão pensando em como fazer isso e do amadurecimento internacional pois ele precisa ser interoperável e os BCs vão ganhar muito com a implementação de CBDCs” finalizou.

 

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