ANDRÉ FLEURY MORAES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Uma operação que envolve o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e outras 15 pessoas investigadas por ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de transportes também aponta conexão com uma organização de saúde que enfrenta problemas legais e no Tribunal de Contas de São Paulo.
Essa organização é o Instituto de Atenção à Saúde e Educação, conhecido como Iase, antes chamado de Aceni até 2022.
As autoridades tentaram contato com a entidade na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), mas não receberam resposta. Em declarações anteriores, a instituição negou as acusações, classificando-as como suposições feitas por terceiros.
Dois investigados na operação têm relação com essa organização. O primeiro é José Daniel Satilite, apontado pela polícia como membro do PCC e que foi conselheiro da Aceni em 2017.
O segundo é Paulo Korek, que se entregou no sábado à noite após estar foragido por quase três dias. O irmão e o sogro de Korek também integraram o conselho da organização.
O nome do Iase apareceu em áudios interceptados em 2020, nos quais Satilite sugere a criação de uma ONG e menciona que Korek já havia realizado isso. Em outra gravação, Satilite afirma que seu nome foi usado para compor o conselho da entidade.
A polícia indica que Satilite atuava como intermediário para outros envolvidos, não apenas no transporte, mas também na área da saúde. Ele teve mandado de prisão expedido, mas continua foragido.
O advogado de Korek, Roberto Vasco, declarou que não há provas contra seu cliente e que as citações são diálogos entre terceiros sem ligação direta com ele.
O Iase já havia chamado atenção da polícia e do Ministério Público anteriormente. A organização social está relacionada a investigações que resultaram no afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), acusado de liderar um esquema de desvio de recursos, o qual ele nega.
Durante a gestão de Rodrigo Manga, a prefeitura firmou dois contratos com o Iase: o primeiro sem licitação, sob suspeita do Ministério Público Federal, e o segundo por edital que teria sido direcionado à entidade.
As acusações apontam que os desvios ocorreram em contratos fraudulentos entre o Iase e fornecedores, alguns ligados à diretoria da organização.
Antes disso, o Iase enfrentou problemas na operação Raio-X, que investigou grandes desvios na saúde em São Paulo, culminando com a renúncia de um ex-presidente da entidade em 2020 após denúncias criminais.
Além disso, o Iase possui contratos rejeitados pelo Tribunal de Contas de São Paulo em várias cidades onde atuou na área da saúde.
Por exemplo, em Arujá, a Aceni foi contratada em 2019 por R$ 7 milhões, mas o Tribunal considerou que a entidade não tinha experiência suficiente para administrar uma unidade de saúde local e constatou estrutura inadequada.
Em Guarujá, tanto o Tribunal de Contas da União quanto o Tribunal de Contas de São Paulo identificaram irregularidades em contrato para operação de hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19 em 2020, apontando sobrepreço acima de 40% nas aquisições.
