YURI EIRAS
FOLHAPRESS
A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (22) o vereador do Rio de Janeiro, Jorge Canella (União Brasil), suspeito de possuir armas ilegais. Na casa do parlamentar na Barra da Tijuca, a PF encontrou dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito.
A assessoria do vereador informou que o gabinete não fará declarações e não comunicou sobre a contratação de advogado pelo parlamentar.
Esta é a sétima fase da operação Unha e Carne, que investiga a relação entre políticos do Rio e o crime organizado. Em fases anteriores, a operação levou à prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella (União), que é aliado político de Jorge Canella, mas sem parentesco entre eles.
Marcio Canella foi preso em flagrante em julho após ter um fuzil encontrado em seu carro, mas foi solto por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que solicitou explicações sobre o armamento.
Marcio Canella e Jorge Canella são aliados do presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Este último, natural de Pernambuco, busca ampliar sua influência política no Rio e é candidato a deputado federal.
Jorge Canella também apoia o senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nas fases anteriores da operação Unha e Carne, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), foi preso sob acusação de vazar informações de investigações policiais.
Outros suspeitos presos na operação incluem o ex-deputado TH Joias e o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), este último suspeito de fraudes na secretaria de Educação.
Na ação desta terça-feira, foram cumpridos mandados de busca na Câmara do Rio e em imóveis no Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca. O gabinete do vereador foi alvo da busca, porém nenhuma material foi apreendido segundo a assessoria da Câmara.
Jorge Canella foi conduzido à superintendência da PF no centro da cidade, onde responderá pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. As armas foram levadas para a sede da PF.
O tenente-coronel da Polícia Militar, Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, que já foi comandante de batalhão, secretário de segurança pública de Belford Roxo e diretor do Inea, foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro em 2024, impulsionado pelo movimento político de Marcio Canella, que busca expandir sua base em outros municípios além de Belford Roxo.
Marcio Canella foi indicado pelo Flávio Bolsonaro como candidato bolsonarista ao Senado, mas devido à prisão em julho, sua candidatura foi substituída por uma candidatura a deputado estadual. O União Brasil, em federação com o PP, também desistiu da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio.
