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quarta-feira, 18/03/2026




ONU apresenta progresso do Brasil na redução da morte infantil

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O relatório ‘Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil’, divulgado pelo grupo das Nações Unidas para dados sobre mortalidade infantil, em conjunto com o Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde e a ONU, informa que em 2024 morreram 4,9 milhões de crianças menores de cinco anos em todo o mundo. Deste total, cerca de 2,3 milhões eram recém-nascidos, e as principais causas incluem prematuridade (36%), problemas no parto (21%), infecções e defeitos congênitos.

Os óbitos estão concentrados em algumas regiões: a África Subsaariana é responsável por 58% das mortes de crianças menores de cinco anos, principalmente por doenças como pneumonia, malária e diarreia, responsáveis por 54% dos casos na área. O Sul da Ásia representa 25%, onde problemas neonatais são comuns. Europa e América do Norte reúnem 9%, enquanto Austrália e Nova Zelândia registram 6%. Países com conflitos e instabilidade têm quase três vezes mais risco de mortalidade infantil.

No mundo todo, a taxa de morte infantil caiu pela metade desde 2000, mas a velocidade dessa melhora diminuiu mais de 60% desde 2015. Se as condições permanecerem iguais, estima-se que entre 2025 e 2030, 27,3 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos, incluindo 13 milhões durante o período neonatal, principalmente na África Subsaariana e no Sul da Ásia.

No Brasil, houve avanços importantes, alcançando as menores taxas de mortalidade neonatal e infantil dos últimos 34 anos. Em 1990, a mortalidade neonatal era de 25 por mil nascimentos, e em 2024 caiu para sete por mil. Para crianças até cinco anos, a taxa era de 63 por mil em 1990, passou para 34 em 2000, e chegou a 14,2 em 2024.

Esses resultados são fruto de políticas públicas eficazes como o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a ampliação da rede pública de saúde, além de vacinação e incentivo à amamentação, com suporte de organizações como o Unicef. Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, destaca que “milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam podem agora crescer com saúde e chegar à vida adulta”. Ela ressalta que é necessário acelerar os esforços para preservar e ampliar esses avanços.

Porém, o Brasil também enfrenta uma desaceleração na redução desses índices na última década, acompanhando a tendência global, com a redução passando de 4,9% ao ano entre 2000 e 2009 para 3,16% entre 2010 e 2024.

O relatório também mostra que cerca de 2,1 milhões de jovens e crianças entre cinco e 24 anos morreram em 2024. No Brasil, entre jovens de 15 a 19 anos, a violência causou 49% das mortes de meninos, seguida por doenças não transmissíveis (18%) e acidentes de trânsito (14%). Para meninas, doenças não transmissíveis são a principal causa (37%), seguidas de doenças transmissíveis (17%), violência (12%) e suicídio (10%). Globalmente, o suicídio é a principal causa para meninas e acidentes de trânsito para meninos nessa faixa etária.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável querem eliminar mortes infantis evitáveis até 2030, com metas de 25 mortes por mil crianças menores de cinco anos e 12 para recém-nascidos. Porém, 60 países correm risco de não alcançar a primeira meta e 66 a segunda, afetando mais de 400 milhões de crianças. Se as metas forem cumpridas, poderão ser salvas mais 8 milhões de vidas entre 2025 e 2030.

Unicef reforça que investir na saúde infantil traz grandes benefícios: cada dólar investido pode gerar até 20 dólares em ganhos sociais e econômicos. Intervenções simples como vacinas, tratamento da desnutrição e profissionais preparados para gestação, parto e cuidados após o nascimento são essenciais. A organização recomenda direcionar recursos para áreas de maior risco, fortalecer a atenção básica e ampliar o acesso a serviços eficazes, especialmente em locais com pobreza, conflitos e mudanças climáticas.




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