A ONG Redes Cordiais publicou um guia chamado ‘Fala que Protege: guia para comunicadores sobre a violência contra a mulher’, com o intuito de tornar a internet mais segura, informativa e acolhedora. Essa ação foi feita para comunicadores e influenciadores digitais, conta com o apoio do YouTube e será distribuída gratuitamente. O lançamento aconteceu no domingo (8), Dia Internacional da Mulher.
Este guia foi criado em um momento em que crimes motivados por gênero estão ganhando mais atenção, assim como a propagação de discursos de ódio na internet, especialmente em grupos ligados ao movimento ‘redpill’. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que em 2025 foram registradas 621.202 medidas protetivas, 998.368 processos novos por violência doméstica e 4.243 casos de feminicídio nos tribunais de primeira instância. Em 2020, foram 2.188 feminicídios, o que representa um aumento de quase 94% em cinco anos.
A diretora executiva e cofundadora do Redes Cordiais, Clara Becker, afirma que a internet tem ampliado esses discursos de ódio. Segundo ela, esses comportamentos de controle e posse são encorajados nesses grupos online que incentivam o ódio contra mulheres.
O guia explica diferentes tipos de violência, o conceito de consentimento e traz dicas práticas para jornalistas e produtores de conteúdo. Entre as recomendações principais estão: nunca culpar a vítima, independentemente do seu jeito de se vestir, comportamento, histórico, consumo de álcool ou opções afetivas; evitar o uso da voz passiva para não esconder o agressor; não usar sensacionalismo com detalhes ou imagens fortes; colocar os casos em contexto maior como misoginia e racismo; deixar que as vítimas falem por si próprias e, ao mencionar o agressor, usar termos como ‘suspeito’ ou ‘investigado’ até que haja sentença judicial.
O guia também tem um capítulo para comunicadores que são procurados por vítimas, orientando-os a serem acolhedores, não duvidar do relato, oferecer contatos úteis como o Ligue 180 e o 190, não divulgar a história sem permissão e saber seus próprios limites diante da situação.

