Nos dias 12 e 13 de janeiro, os municípios de Gurupá e Salvaterra, localizados no arquipélago do Marajó, Pará, receberam oficinas sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Essas oficinas tiveram como objetivo ampliar o acesso a políticas públicas, incentivando a geração de renda e a independência econômica das mulheres quilombolas em suas comunidades.
As oficinas focaram na alimentação escolar e no uso das compras públicas para incluir produtos da agricultura familiar. Foram explicados o funcionamento dos programas, os critérios para participar e os passos necessários, destacando o papel ativo das mulheres quilombolas e a importância dos produtos locais.
As participantes compartilharam experiências dos seus grupos, discutiram os desafios na implementação das políticas, mapearam a produção local e organizaram a documentação necessária para participar dos programas. Ao final, foram definidos planos para ampliar o acesso ao PNAE e ao PAA nas regiões do Marajó.
Luciana Miranda, do Quilombo Flechinha, em Gurupá, disse que a oficina trouxe mais segurança para participar dos programas. “Tiramos todas as nossas dúvidas e saímos da oficina com uma nova visão que valoriza nossos produtos. Estou feliz em ver que o município apoia para que as políticas públicas cheguem diretamente aos nossos quilombos”, afirmou.
A solicitação pelas oficinas veio das mulheres quilombolas e da Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará (Malungu), em parceria com o projeto “Mulheres na Transformação Justa” e outras instituições parceiras.
Em Gurupá, a oficina contou com a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos de Gurupá (ARQMG), a prefeitura e a Associação dos Municípios do Consórcio de Belo Monte (ACBM). Já em Salvaterra, foi organizada pelo Núcleo de Ação e Resistência Quilombola Campina Vila União (Narq) e pela Associação de Mães e Agricultores Remanescentes de Quilombos de Vila União/Campinas (Amarqvuc), em colaboração com o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Universidade Federal do Pará (Cecane-UFPA).
Mariana Semeghini, assessora técnica da GIZ, destacou que promover essas discussões nas comunidades é fundamental para adaptar as políticas públicas, gerando renda e autonomia. Ela ressaltou que os programas PNAE e PAA valorizam os modos de vida tradicionais, garantindo segurança alimentar e qualidade de vida.
O projeto “Mulheres na Transformação Justa” faz parte da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, realizado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e pelo Ministério das Mulheres, com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha. No Pará, a iniciativa é coordenada pela Secretaria Estadual de Mulheres, em parceria com o Consórcio ECO Consult, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e a Conexsus.

