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quarta-feira, 25/02/2026

Obesidade cresce 118% no Brasil e preocupa metas de saúde

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Em Brasília

LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS

A obesidade aumentou muito no Brasil nos últimos 19 anos, com um crescimento de 118% entre os adultos. Essa informação vem do Vigitel, uma pesquisa do Ministério da Saúde que acompanha doenças no país, divulgada em janeiro.

O estudo feito em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal mostra que o percentual de adultos com obesidade subiu de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. Isso significa que o número de pessoas obesas mais que dobrou.

O aumento foi observado tanto em homens quanto em mulheres, sendo um pouco maior entre as mulheres, que passaram de 12,1% para 26,7%. Já os homens foram de 11,4% para 24,4%.

Os dados indicam que a obesidade está crescendo rápido entre os adultos das cidades brasileiras. Embora o estudo só considere as capitais e o Distrito Federal, ele ajuda a entender o crescimento do problema no país.

Outras pesquisas confirmam que a obesidade está aumentando entre os brasileiros. Uma pesquisa do Datafolha em 2023 apontou que seis em cada dez adultos estão com sobrepeso ou obesos.

Além disso, um estudo feito pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde, da Fiocruz Bahia, mostrou aumento do sobrepeso e obesidade entre crianças. Aos nove anos, 30% dos meninos e 28,2% das meninas têm sobrepeso, e a obesidade aparece em 14,1% dos meninos e 10,1% das meninas. Esses números ficam acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) durante toda a infância.

Para Maria Edna de Melo, médica do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP e membro da Abeso, o aumento da obesidade está ligado à dificuldade de acesso a alimentos saudáveis e mudanças nos hábitos alimentares.

“Os alimentos ultraprocessados estão mais baratos, enquanto os naturais ficaram mais caros. O governo investe mais em grandes produtores do agro, e menos na agricultura familiar”, explica.

Bruno Geloneze Neto, pesquisador da Unicamp, diz que “uma geração está crescendo com muita exposição a telas, comendo muito alimento ultraprocessado e fazendo pouca atividade física não planejada”.

Segundo o Vigitel, o aumento da obesidade não afeta só um grupo: homens e mulheres, várias idades e níveis de escolaridade registraram crescimento.

Entre 2006 e 2024, o grupo de 35 a 44 anos teve a maior subida média. De 2019 a 2024, o crescimento foi mais rápido entre os adultos de 25 a 34 anos.

O grupo com ensino médio completo e superior incompleto foi o que mais cresceu em nível escolar.

O Brasil segue o Plano de Ação 2021-2030, que alinha as políticas de saúde a metas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Uma dessas metas é evitar que a obesidade ultrapasse 20,3% da população adulta até 2030. Esse limite já foi ultrapassado em 2020, com 21,7%.

O Ministério da Saúde investe em ações para prevenir a obesidade, como a estratégia Viva Mais Brasil, que recebeu R$ 340 milhões para incentivar a prática de exercícios físicos.

O órgão também destaca o Guia Alimentar para a População Brasileira, que oferece orientações para uma alimentação saudável, considerando as diferenças culturais, regionais e biológicas do país.

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