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O que comer para envelhecer bem

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Uma das formas de garantir disposição e saúde lá na frente é olhar para o seu prato hoje mesmo. Conheça os alimentos e hábitos que ajudam nesse processo

A escolha dos alimentos tem tudo a ver com a capacidade física na maturidade. (Foto: Akepong Srichaichana/Eyeen/Getty Images / Ilustração: Daniel Almeida/SAÚDE é Vital)

No fundo, a verdade é que ninguém quer se tornar mais vulnerável e dependente para as atividades básicas do dia a dia. “Para um bom envelhecimento, nosso grande objetivo é de fato manter a capacidade funcional do indivíduo”, resume o geriatra Fábio Campos Leonel, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Durante o último Ganepão, um dos maiores congressos de nutrição da América Latina, ocorrido em junho na capital paulista, o especialista frisou que não adianta só conquistarmos anos extras de vida — algo que o avanço da tecnologia e da medicina vem nos proporcionando. “O mais importante é que eles sejam aproveitados com qualidade”, enfatiza.

Embora as informações contidas no DNA sejam importantes para definir se alguém chegará inteirão aos 100 anos, elas não seguram a bronca sozinhas. “Se observarmos irmãos gêmeos, com a mesma genética, mas em dois tipos de ambiente e seguindo comportamentos diferentes, notaremos que cada um envelhecerá de um jeito”, descreve Leonel.

Em outras palavras, nossa rotina desde a infância diz muito sobre o tipo de idoso que seremos. E entre os hábitos mais impactantes nesse aspecto está a alimentação.

O que vai no prato na juventude e na fase adulta é essencial para assegurar a capacidade física, tão cara na maturidade. Nossa maneira de comer influencia, por exemplo, a formação das massas óssea e muscular, determinantes para envelhecer com a mobilidade preservada. “Cabe lembrar que o declínio funcional começa ainda por volta dos 30, 40 anos”, pontua o geriatra.

Também é consenso que o perfil da dieta tem tudo a ver com o surgimento (ou a prevenção) de problemas de saúde como obesidade, colesterol alto, hipertensão e diabetes. Falamos de condições que sabotam a qualidade e a expectativa de vida.

“Quando essas doenças aparecem, é maior a chance de precisar tomar um monte de remédio”, avisa a nutricionista Simone Fiebrantz Pinto, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). E o pior é que uma porção de gente nem sequer vai fazer uso dos medicamentos direito.

A geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pondera que algumas condições são até esperadas com o tempo — artrose, osteoporose e falhas na visão entram na lista. “Mas esses quadros podem demorar mais a surgir se pensarmos no envelhecimento desde cedo. O que não pode é deixar para fazer isso depois dos 60”, reforça.

Então que tal começar com uma nova atitude à mesa? Conheça, a seguir, recomendações e ingredientes indispensáveis para uma maturidade gostosa e vigorosa.

1) Fuja das dietas radicais

Na busca pelo emagrecimento, tem gente que embarca em dietas restritivas, baseadas na eliminação de certos grupos alimentares — carboidratos e lácteos costumam ser os alvos.

“Acontece que elas levam a importantes deficiências nutricionais, principalmente de minerais e vitaminas”, ensina a nutricionista Natália Lopes, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e conferencista no Ganepão. “Uma prova disso é que há vários relatos de queda de cabelo e unhas fracas após os períodos de dieta.”

Lá por volta dos 40, os efeitos dessa tática tendem a ser preocupantes. É que nessa fase a regeneração óssea anda mais lenta e a perda de músculos já está em marcha. A carência de nutrientes pode, então, acelerar esses processos.

“O envelhecimento bacana é aquele sem desnutrição, o que mantém a quantidade certa de gordura e músculos no corpo para a realização de atividades como o caminhar”, ressalta a nutricionista Myrian Najas, professora da Unifesp. Mesmo se for preciso perder peso, ela garante que dá para comer de tudo — basta diminuir as quantidades.

Menos calorias para viver mais tempo?

Uma linha de pesquisa defende que é possível aumentar a longevidade ao fazer uma restrição calórica relevante — veja bem, fala-se em reduzir a porção de comida, mas sem déficit de nutrientes. “Só que são necessários estudos de longo prazo para provar esse benefício”, avalia Natália.

2) Garanta as proteínas

“Elas são fundamentais para a formação, a manutenção e a reposição de uma boa massa muscular”, resume a nutricionista Liliane Pacheco, coordenadora do Projeto de Promoção da Saúde e Envelhecimento da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Por isso, precisamos do nutriente desde que nascemos. Mas ele acaba assumindo papel-chave mesmo por volta dos 40 anos, quando os músculos começam a minguar. “E devemos manter uma reserva para, no futuro, ficarmos protegidos de doenças crônicas e quedas, muito prevalentes nos idosos”, informa Liliane.

Os alimentos de origem animal (carne, frango, peixes e ovo) são considerados as melhores fontes porque ofertam todos os aminoácidos que o corpo não fabrica. No reino vegetal dá para achar as proteínas em leguminosas como feijão, ervilha e lentilha.

Porém, Myrian avisa que os teores são menores. Por isso, caso você não coma alimentos de origem animal, vale a pena aprender as combinações mais adequadas. “Para formar músculo, o ideal é distribuir as fontes de proteína em todas as refeições”, aconselha a nutricionista especializada em gerontologia Maristela Strufaldi, de São Paulo.

Onde tem proteína

  • 1 bife de filé-mignon: 32,8 g
  • 1 ovo cozido: 5,9 g
  • 1 coxa de frango: 10,7 g
  • 1 concha de feijão-preto: 6,3 g
  • 1 colher de sopa de lentilha: 1,1 g

3) Não exagere na carne vermelha

Apesar de ela carregar proteínas valiosíssimas, além de muito ferro, o abuso pode trazer repercussões desfavoráveis. Quem viu isso de perto foi o nutricionista Jyrki Virtanen, da Universidade da Finlândia Oriental.

Em estudo, ele calculou a ingestão proteica de 2 641 homens de 42 a 60 anos e percebeu, após quase duas décadas, que quem consumia mais de 200 gramas de carne por dia — coisa de dois bifes médios — exibia um risco 23% maior de morrer durante o período do que aqueles que não passavam dos 100 gramas.

“É provável que a explicação não tenha a ver com um único fator”, interpreta. Ele cita o tipo de gordura presente no alimento — a saturada, cujo excesso aumenta o risco cardiovascular — e substâncias formadas durante o preparo. Sem falar que quem se entope de carne costuma deixar de lado os vegetais, cheios de nutrientes.

Para uma vida longa, Virtanen sugere comer bife no máximo duas vezes por semana. “Priorize outras fontes proteicas, como peixes, ovos, lácteos, leguminosas e castanhas”, orienta. Na hora de se render à carne, a dica é optar por cortes magros cozidos, assados ou grelhados.

Na velhice é diferente

Problemas digestivos e de mastigação podem deixar o idoso carente de proteínas. Aí, o certo é individualizar o consumo de carne. Em geral, recomenda-se que o bife tenha o tamanho equivalente ao da palma da mão.

4) Tome cuidado com o refrigerante

Acredite: o que vai ao copo também tem a ver com a longevidade. Para a nutricionista Cindy Leung, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, seria ótimo evitar os refrigerantes. Ela descobriu que o consumo de cerca de 600 mililitros da bebida por dia deixa uma pessoa 4,6 anos mais velha do que sua idade real — impacto similar ao do cigarro.

Para chegar a essa conclusão, Cindy avaliou os hábitos de 5 309 indivíduos de 20 a 65 anos e mediu o comprimento de seus telômeros — a extremidade dos cromossomos, os pacotes onde estão contidas as fitas de DNA. Essas estruturas protegem o material genético e, com o tempo, ficam menores mesmo. O problema é quando o encurtamento ocorre precocemente.

“Acreditamos que a associação entre o refrigerante e o envelhecimento celular passa pela resistência à ação da insulina e por uma inflamação sistêmica”, diz Cindy. Esses mesmos fatores estão atrelados a obesidade, diabetes e problemas do coração.

Quem também oferta basicamente calorias são as bebidas alcoólicas. “O exagero culmina em doenças que se agravarão na velhice”, aponta Liliane.

Tomou água?

Segundo Simone, muita gente perde a percepção da sede com a idade. E tem quem troque a água por sucos, refris e afins. Mas nada bate o líquido natural em matéria de hidratação.

“Não bebê-lo pode levar a confusão mental e infecção urinária”, cita Simone. Até a pele fica mais envelhecida. “Não adianta passar creme no rosto e esquecer de beber água.”

5) Priorize as fontes de cálcio

A tão desejada capacidade funcional depende do binômio músculos mais ossos. E, para formar um esqueleto forte, não dá para ignorar o cálcio — maior constituinte desse tecido. Ainda mais na fase adulta, já que o pico de formação de massa óssea ocorre por volta dos 25, 30 anos. Esse momento tem que render porque lá pelos 45 anos começa uma perda gradativa mesmo.

Para chegar a essa fase com uma boa reserva, Maristela afirma que são indicados mil miligramas do mineral por dia. É possível encontrá-lo em vegetais, sobretudo os verde-escuros. Mas suas fontes primordiais são leite e derivados — itens que são jogados para escanteio em algumas dietas por causa da lactose.

Myrian esclarece que é natural, com o avançar dos anos, sentir estufamento ao consumi-los, porque há uma redução na produção da lactase, a enzima que quebra o açúcar do leite. “Mas não precisamos excluir esses produtos, só fazer ajustes”, pondera.

Para quem já partiu para as bebidas vegetais (de amêndoa, coco, arroz etc.), Simone indica priorizar as versões que são fortificadas com cálcio.

Alimentos que trazem cálcio na medida

  • Leite: 2 copos (200 ml cada um) já fornecem 500 mg do mineral.
  • Iogurte: 1 pote (170 g) oferta cerca de 250 mg de cálcio.
  • Queijo: Uma fatia e meia do minas frescal traz 280 mg.

6) Pense na qualidade das gorduras

A membrana que reveste nossas células é constituída basicamente de gordura. Logo, não dá para dispensá-la do menu. Mas há gorduras e gorduras. Mantê-las em equilíbrio é um dos segredos para se tornar um verdadeiro superlongevo.

O primeiro passo é entender que, entre os tipos poli-insaturados, há um cujo consumo anda elevado demais. É o ômega-6, fornecido pelos óleos vegetais. Por outro lado, a ingestão de ômega-3 deixa a desejar — ele é ofertado por peixes de águas frias e sementes.

Tal desbalanço torna o organismo mais suscetível a inflamações. “Não precisamos trocar um pelo outro. Para promover o equilíbrio, basta aumentar o consumo de ômega-3”, prescreve Natália.

Além de estar associada à prevenção de inúmeras doenças, essa gordura parece evitar o tal encurtamento dos telômeros.

Agora, um tipo que exige parcimônia é a gordura saturada, de carnes, lácteos e itens industrializados. Perder a linha diante dela representa maior risco de enfrentar doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares. Já a trans, ou parcialmente hidrogenada, não deve ter vez: ela sobe o colesterol ruim e faz o bom cair. Ainda está presente em alguns alimentos industrializados.

Invista no ômega-3

  • Sardinha (pode ser em lata)
  • Salmão
  • Atum
  • Semente de linhaça
  • Semente de chia

Maneire no ômega-6

  • Óleo de milho
  • Óleo de girassol
  • Óleo de soja
  • Óleo de cártamo

7) Não se esqueça da vitamina D

“Não é só de cálcio que se faz um osso”, repara Maristela. Sem vitamina D, o esqueleto padece, porque é ela que auxilia a fixação do cálcio na massa óssea. Aí, sim, o tecido fica duro na queda. A substância ainda contribui para a formação de músculos. “Não adianta dar um monte de proteínas se a vitamina D continuar baixa”, avisa Myrian.

Só que poucos alimentos são redutos do nutriente. A principal via para obtê-lo é se expondo ao sol. E, embora a gente viva em um país tropical, a deficiência da substância é notória por aqui.

Diante disso, muitas vezes a suplementação por meio de cápsulas e gotas se faz bem-vinda. Mas só compre com a indicação de um especialista. “A vitamina D é lipossolúvel, ou seja, não é eliminada pelo corpo. Por isso, tem que dosá-la e suplementar só o necessário”, recomenda Maristela.

Para adultos, o objetivo deve ser atingir pelo menos 20 nanogramas da vitamina por mililitro de sangue. Assim, a perda óssea tende a não ter impacto tão negativo. A partir dos 45 anos, estima-se que 0,5% de massa desapareça por ano. Nas mulheres, com a menopausa, o valor chega a 1%.

As fontes alimentares

  • Óleo de fígado de bacalhau
  • Salmão grelhado
  • Sardinha em lata
  • Ovo cozido
  • Shiitake cozido
  • Leite integral

8) Consuma menos alimentos industrializados

Passamos uma considerável parte da vida adulta correndo para vencer uma rotina maluca de trabalho, trânsito e cuidados com a casa. No meio disso, alimentos ultraprocessados, fáceis de comer, nos seduzem — falamos de salgadinhos, congelados, macarrão instantâneo e companhia. Mas a rapidez pode se traduzir em menos aniversários adiante.

Uma equipe da Universidade de Navarra, na Espanha, acompanhou 19 899 adultos por 15 anos e detectou que um alto consumo desses itens (mais de quatro porções ao dia) resultava em uma probabilidade 62% maior de morrer mais precocemente por qualquer causa.

A nutricionista Erica Fernanda, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, explica que eles são ricos em gorduras, açúcar, carboidratos simples, sódio e aditivos químicos. “Além disso, têm déficit de vitaminas, minerais e fibras.” Ou seja, um balanço pra lá de nocivo.

Não por acaso, esses produtos já são acusados de patrocinar o ganho de peso e males como diabetes e doenças cardiovasculares. “Eles devem ser evitados sempre”, avalia Liliane. “Precisamos incentivar o consumo de comida de verdade, com ingredientes naturais ou minimamente processados”, orienta a nutricionista da Uerj.

Identificando um ultraprocessado

  • Leva cinco ou mais ingredientes.
  • Carrega aditivos conhecidos como cosméticos, já que têm como função alterar aroma e cor, por exemplo.
  • Reúne ingredientes que não estão disponíveis para usarmos na cozinha de casa — só aparecem na indústria.

9) Valorize o magnésio

É difícil alguém apresentar carência desse mineral, que está distribuído em uma legião de alimentos — sobretudo as oleaginosas, caso de amêndoas e castanhas. Mesmo assim, ele merece ter suas habilidades reconhecidas.

Myrian Najas acha incrível como o pouco que ingerimos dele tem participação decisiva no desenvolvimento da massa muscular. “O magnésio ainda é fundamental para a contração dos músculos”, descreve Simone.

A nutricionista da SBGG ainda lembra que o mineral, assim como a vitamina D, atua em favor da fixação do cálcio nos ossos, o que garante o fortalecimento do esqueleto. E, por falar em vitamina D, investigações recentes têm mostrado que a presença de magnésio é imprescindível para que ela atue no organismo como manda o figurino. Ao que tudo indica, o mineral participa de reações responsáveis por ativar a vitamina obtida por meio do sol.

Enquanto homens adultos precisam de 420 miligramas de magnésio por dia, o valor é de 320 para as mulheres.

Onde ele aparece

  • 30 g de amêndoas (um punhado): 66 mg
  • 30 g de linhaça (2 col. de sopa): 104 mg
  • 2 conchas de feijão-carioca: 84 mg
  • 1 unidade de banana-nanica: 39,2 mg
  • 1 copo (200 ml) de leite: 20 mg

10) Bote em ação os antioxidantes

Todo santo dia nosso corpo produz moléculas instáveis chamadas radicais livres — trata-se de um processo natural. Só que o caldo pode desandar. É que fatores como poluição, estresse e (olha ela aí!) má alimentação levam à fabricação exagerada dessas substâncias.

Moral da história: elas agridem nossas células e nos deixam a caminho de um envelhecimento precoce. Sem falar no aumento da inflamação e no perigo de encarar doenças.

Segundo a nutricionista Isabel Jereissati, do Rio de Janeiro, um dos melhores recursos para neutralizar os radicais livres é apostar em antioxidantes. “Essas substâncias estão principalmente em verduras, legumes e frutas”, relata. Ela explica que os alimentos as produzem enquanto crescem para se defender de insetos, vento, chuva…

“Ao comê-los, nós também saímos ganhando”, afirma. “Eles combatem o excesso de radicais livres e previnem o encurtamento dos telômeros”, descreve Natália. Ou seja, até os genes saem resguardados.

Para tirar proveito de diversos tipos de antioxidante, a dica é colorir o menu com os vegetais — cada tom entrega ingredientes específicos e protetores.

Não se esqueça destes cinco tons nas refeições

  • Branco: maçã, pera, couve-flor, banana
  • Roxo: uva, açaí, amora, berinjela, ameixa
  • Verde: brócolis, espinafre, couve, rúcula, alface
  • Laranja: cenoura, damasco, laranja, manga, abóbora
  • Vermelho: tomate, goiaba, melancia, pimentão, morango

Outro lembretes importantes para envelhecer bem

Exercício é decisivo: para ser aquele idoso firme e ágil, tem que praticar atividade física ao longo da vida. “Não precisa ser exercício de alta intensidade”, avisa Paulo Farinatti, educador físico da Uerj.

Segundo o professor, o primordial é focar na regularidade. Manter-se ativo assegura, mais tarde, maior eficácia e segurança para realizar qualquer movimento — subir escadas, pegar os netos no colo ou carregar uma sacola.

O sedentarismo, por sua vez, cobra um preço alto. “Quando não damos estímulos a músculos, ossos e sistema cardiovascular, a tendência é comprometer suas funções”, alerta o expert.

Cultive os laços sociais: Tom Jobim (1927-1994) já cantava a bola em Wave, quando dizia que é impossível ser feliz sozinho. Mas, se o compositor fazia referência a uma relação amorosa, aqui cabe uma adaptação: para uma maturidade tranquila, fortaleça os vínculos também com amigos e familiares — quanto antes criar uma rede de apoio, melhor.

“No futuro, esses laços mudam toda a vida. Você percebe que está vivo”, reflete a geriatra Maisa Kairalla. Com gente por perto, o idoso passeia mais, fica motivado para fazer exercícios e mantém uma troca de ideias — tudo coopera para uma ótima saúde mental.

O poder da felicidade: na Universidade de Utah, nos Estados Unidos, cientistas analisaram 150 estudos e concluíram que, sim, se sentir feliz tem efeito real na saúde. Há até fortes suspeitas de que vivenciar o bem-estar blinde nossos genes, ampliando, assim, a expectativa de vida.

Para a geriatra Maisa Kairalla, os achados não surpreendem. Na visão dela, quem é otimista também envelhece melhor. Então, fora mirar na alimentação e nos exercícios, cuidar das emoções entra no pacote para uma bem-aventurada maturidade.

Nunca é tarde para mudar: mesmo quem já se considera idoso vai arrecadar benefícios ao revisitar certos hábitos. “Em qualquer fase da vida uma mudança de comportamento é positiva”, ressalta Maristela. Isso vale para o prato ou para a rotina de exercícios.

O educador físico Paulo Farinatti conta que, quanto mais destreinada é a pessoa, mais rápido é o ganho. Em seu laboratório de pesquisa, ele já viu idosos de 90 anos turbinarem em 200% a força das pernas em duas semanas — claro que os exercícios devem ser adaptados.

Fonte: Sergio Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional São Paulo.

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Saúde

Novo coronavírus pode infectar células do coração, mostra estudo da USP

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Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) estão investigando o impacto da covid-19 no corpo humano para melhorar o desenvolvimento de remédios

Coronavírus: doença pode afetar também o coração e não somente os pulmões (Getty Images/Getty Images)

Além dos pulmões, do cérebro e dos intestinos, o novo coronavírus pode infectar células que compõem o músculo do coração, os cardiomiócitos, aponta uma pesquisa feita por Cientistas da Plataforma de Triagem Fenotípica, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Instituto de Biociências (IB) da universidade.

O grupo de pesquisadores estava investigando células Vero infectadas com o vírus (originárias de rins de macaco, comumente utilizadas nesse tipo de estudo) desde o fim de março e agora estão adaptando a plataforma para estender os testes também às celulas do coração, segundo publicação no Jornal da USP. Os cardiomiócitos utilizados no teste foram modelos celulares mais próximos aos humanos e foram obtidos com pesquisadores do LaNCE – Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias do Instituto de Biociências (IB) da USP.

Uma das ideias dos cientistas é descobrir como o vírus se comporta para realizar o teste de novos remédios contra a covid-19 e outras doenças, como a chagas, o que, de acordo com eles, “pode otimizar a pesquisa e diminuir a espera para ensaios em humanos”.

Lúcio Freitas Junior, coordenador do laboratório onde a pesquisa foi realizada, identifica os testes de medicamentos em células humanas normais como um dos grandes desafios para o descobrimento dos remédios. Para ele, o uso de células humanas no estudo de patógenos é o “ideal”, visando a variação do comportamento do vírus em diversos “tipos celulares e organismos”.

Enquanto isso não é possível, os modelos celulares podem funcionar bem.

Assim que os medicamentos potenciais contra a SARS-CoV-2 forem encontrados, os resultados serão avaliados e estudos preliminares serão feitos em humanos — ainda não há estimativa de quanto tempo a próxima etapa levará.

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Saúde

OMS divulga novas orientações para fazer máscaras caseiras

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Máscaras devem ter camada externa com material resistente à água; uma camada interna, que absorva; e uma intermediária, para agir como um filtro

Máscaras: OMS diz que elas devem ser usadas em locais com muita transmissão da covid-19 e dificuldades para o distanciamento físico (Natalia Fedosenko/Getty Images)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira, 5, diretrizes atualizadas para o uso de máscaras não médicas, que podem ser feitas em casa, segundo a própria entidade.

“Baseando-se em nova pesquisa, a OMS recomenda que as máscaras fabricadas devem consistir de ao menos três camadas, de diferente material”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante entrevista coletiva.

A OMS diz que elas devem ser usadas em locais com muita transmissão da covid-19 e dificuldades para o distanciamento físico, sobretudo por pessoas com mais de 60 anos ou doenças pré-existentes.

Segundo as diretrizes divulgadas hoje, as máscaras devem ter:

  • mais interna, que absorva a água; e uma intermediária, para agir como um filtro.

As máscaras devem ainda necessariamente cobrir o nariz, a boca e o queixo. É preciso colocá-la com as mãos limpas e evitar tocá-las durante o uso. Caso toque nelas, o usuário deve limpar novamente as mãos, recomenda a OMS.

Após o uso, o recomendado é retirar a máscara a partir das faixas laterais nas orelhas, sem tocar o centro dela, e de qualquer modo é preciso lavar novamente as mãos depois desse procedimento.

Além de atualizar diretrizes, a OMS recomenda agora que profissionais de saúde em áreas com casos de novo coronavírus usem máscaras durante o trabalho sempre, mesmo que não lidem diretamente com pacientes da covid-19.

De qualquer modo, o comando da OMS ressaltou na coletiva que o uso de máscaras não substitui outras medidas para conter a doença, como o distanciamento social e a higiene das mãos.

As máscaras em si não protegerão você da covid-19”, disse Ghebreyesus e a OMS também lembrou que elas funcionam mais para evitar disseminar a doença do que para não pegá-la.

Caso uma pessoa doente e isolada tenha que deixar o confinamento é crucial que ela use uma máscara médica. Além disso, pessoas que cuidam de um doente em casa devem usar uma máscara médica se estiverem no mesmo ambiente, afirmou Ghebreyesus.

 

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Saúde

Com duas novas mortes por coronavírus, DF chega a 178 óbitos

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A capital do país também registrou mais 231 novos casos da Covid-19 em relação ao balanço anterior. Agora, são 12.251 infectados

Covid-19

Com mais duas mortes por coronavírus registradas no início da tarde desta quinta-feira (04/06), o Distrito Federal tem agora 178 vítimas da Covid-19. Os mais recentes óbitos a entrarem na estatística do Governo do Distrito Federal (GDF) são de moradores do Gama e de Sobradinho.

Se somados os 15 residentes de outras unidades da Federação que foram internados e morreram no DF, a quantidade de óbitos chega a 193.

Foram contabilizados 231 novos casos confirmados da doença em relação ao balanço anterior, divulgado na noite dessa quarta-feira (03/06), que indicava 12.020 infectados. Com os mais recentes contaminados, o número de doentes chega a 12.251.

Entre os 12.251 infectados, 6.919 (56,5%) se recuperaram. A Secretaria de Saúde do DF considera como recuperados aqueles pacientes que tiveram os primeiros sintomas há mais de 14 dias e não estão hospitalizados.

Da maioria das pessoas diagnosticadas com a Covid-19 em território brasiliense, 6.339 (51,7%) são homens. A doença contaminou 5.912 (48,3%) mulheres.

Os dados são do Painel Covid-19, do GDF, atualizado às 12h.

 

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Médico suspeito de desviar respiradores da rede pública é afastado da direção do Iges-DF

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Nesta quarta-feira (3), operação investigou esquema de revenda de equipamentos liderado por Fabiano Duarte Dutra. G1 tenta contato com defesa.

Médico Fabiano Dutra, quando foi preso, em 2016 — Foto: Mara Puljiz/TV Globo

O Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF) decidiu afastar o médico Fabiano Duarte Dutra do cargo de diretor da organização. A medida ocorre após o servidor ser apontado pela Polícia Civil (PCDF) como um dos chefes de um esquema de desvio de respiradores da Secretaria de Saúde.

Dutra é investigado pela Operação In Rem Suam, deflagrada nesta quarta-feira (3) pela PCDF em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). A suspeita é de que equipamentos hospitalares da rede pública estariam sendo desviados de hospitais e revendidos a terceiros ao próprio GDF por meio de empresas.

Segundo a investigação, a suposta fraude ocorreu durante compras emergenciais autorizadas pelo governo durante a pandemia do novo coronavírus. Nesses casos, a aquisição é feita sem licitação.

Em nota ao G1, o advogado do médico, Cleber Lopes, informou que o afastamento ocorre “para resguardar a defesa”. Ele afirmou que “não há nenhuma prova de furto” e que tem “convicção de que o inquérito será arquivado “.

Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal — Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal — Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Afastamento

Segundo o Iges-DF, além de afastar o servidor, o instituto instaurou uma apuração interna “para averiguar qualquer fato que possa prejudicar a instituição”. Veja íntegra da nota:

“O IGESDF informa que o investigado já foi afastado do cargo e, por intermédio da Assessoria de Compliance, foi instaurada uma apuração interna para averiguar qualquer fato que possa prejudicar a instituição.

O IGESDF reforça que a gestão é pautada pela transparência, não tolera irregularidades e todos os dados necessários serão repassados à equipe que conduz a operação.

Ressalta, ainda, que não adquiriu insumos ou equipamentos com as empresas investigadas”.

Máfia das Próteses

Em outubro de 2016, Fabiano Dutra foi preso em outra operação, que apurava a existência de uma suposta Máfia das Próteses.

Na época, uma denúncia anônima levou a polícia até o Parque Ecológico Dom Bosco, onde agentes identificaram papéis, pendrives e HDs destruído – os pertences seriam supostas provas. Câmeras de segurança mostraram o médico chegando e saindo de carro.

“Havia prontuários médicos, nome de outros funcionários do hospital, documentos indicando existência de repasses médicos e nome de planos de saúde”, afirmou à época o delegado Adriano Valente, que estava à frente da investigação.

O médico era coordenador de Ortopedia da Secretaria de Saúde e também atuava em um dos estabelecimentos então investigados como médico cirurgião.

Segundo o advogado dele, o médico não queimou provas. Apenas decidiu dar fim a documentos pessoais que ocupavam a casa dele.

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Saúde

Mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave crescem 1.023% no DF em meio à pandemia

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Até 23 de maio deste ano, foram 266 óbitos contra 26 em período similar no ano passado. Estatísticas incluem mortes por Covid-19, que representam 31% do total.

Testagens de amostras para vírus respiratórios pela Secretaria de Saúde do DF — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde

Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) apontam que 266 moradores do DF morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até o dia 23 de maio deste ano. O número representa crescimento de 1.023% em relação ao registrado até 1º de junho do ano passado, quando houve 26 notificações.

A SRAG é um diagnóstico clínico que reúne sintomas graves de infecções virais – incluindo febre, dor de garganta e falta de ar (saiba mais abaixo). Por isso, entram nas estatísticas pacientes infectados por vírus como o da gripe ou pela Covid-19.

Entre as 266 mortes por SRAG até 23 de maio, 85 apresentaram resultado positivo para o novo coronavírus, o que representa 31% do total. A maioria dos óbitos, no entanto, teve causa registrada como síndrome não especificada. Veja:

  • SRAG não especificada: 157 mortes
  • SARS-CoV-2 (Coronavírus): 85 mortes
  • Outros vírus respiratórios: 13 mortes
  • Em investigação: 2 mortes
  • Por influenza: 3 mortes
  • Outros vírus: 6 mortes

Segundo a Secretaria de Saúde, “todos os casos com coleta de amostra respiratória foram testados primeiramente para o novo coronavírus. Quando o resultado é negativo, o Lacen [Laboratório Central de Saúde Pública] realiza o teste de outros vírus”.

“O resultado negativo, não garante que realmente não houve infecção, porque outras questões precisam ser avaliadas, como o período e a coleta adequada da amostra”, diz a pasta.

Além do coronavírus, as amostras dos pacientes passam por testagem para diagnósticos como influenza A (H1N1), rinovírus, adenovírus, entre outros.

Disparada em março

O número de casos e mortes por SRAG saltou a partir de março deste ano, quando o DF confirmou o primeiro caso da Covid-19 – no dia 7 daquele mês.

A capital contabilizou 1.819 registros de SRAG entre moradores do DF até 23 de maio deste ano, um aumento de 86% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando houve 978 registros.

SRAG sem vírus identificado

Das 1.819 notificações de SRAG neste ano, 914 não tiveram o vírus identificado, ou seja, metade dos registros. No mesmo período do ano passado, os casos de síndrome sem especificação representavam 30% do total (291 de 978).

Entre os pacientes com SRAG em 2020, 445 testaram positivo para coronavírus. Esse número representa também a quantidade de pacientes com Covid-19 que precisaram ser hospitalizados, já que a SRAG caracteriza o estado grave da doença. Veja a relação abaixo:

  • SRAG não especificada: 914
  • SARS-CoV-2 (Coronavírus): 445
  • Outros vírus respiratórios: 245
  • Em investigação: 163
  • SRAG por influenza: 34
  • Outros vírus: 18
Teste coronavírus no DF.  — Foto:  Leopoldo Silva/Agência Senado

Teste coronavírus no DF. — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Há ainda os casos em que não houve amostra coletada para análise. Neste ano, foram 114 registros, ou seja 12% do total dos casos sem especificação. Em período equivalente no ano passado, foram 162.

Idade dos pacientes

Em 2019, 72% dos casos da síndrome ocorreram entre crianças com menos de um ano. Já neste ano, a SRAG passou a atingir todas as faixas etárias e os registros em crianças de até dois anos não chegam nem a 20% do total (veja abaixo). As mortes estão principalmente entre os maiores de 60 anos.

Pacientes com SRAG em 2020

Idade Casos
Menor de 2 anos 139
2 a 10 anos 68
11 a 19 anos 8
20 a 29 anos 30
30 a 39 anos 75
40 a 49 anos 103
50 a 59 anos 100
60 a 69 anos 92
70 a 79 anos 57
Mais de 80 anos 52

De acordo com o infectologista José David Urbaéz, a prevalência da síndrome em crianças, em situações comuns, se deve principalmente ao “vírus sincicial respiratório”, comum na faixa etária e que coloca menores de até dois anos no grupo de risco nas campanhas vacinais da influenza.

O especialista também explica que a falta de diagnóstico em casos de SRAG é comum, já que eles incluem uma série de vírus. “Muitas vezes pode ser também um virose sazonal que esteja circulando, que ataca o tecido pulmonar. Todos os anos lidamos com vírus diferentes”, afirma.

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Saúde

Começam testes de primeira terapia de anticorpos contra novo coronavírus

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Pesquisadores canadenses estudaram mais de 5 milhões de células de pacientes curados da covid-19 para criar a droga

reprodução/Veja

A companhia canadense Eli Lilly começou os testes em seres humanos de um tratamento com anticorpos contra o novo coronavírus. A droga foi desenvolvida pela empresa junto ao centro de pesquisa sobre vacinas do governo dos Estados Unidos e com a AbCellera.

O medicamento foi criado com base na análise de 5 milhões de células do sistema imune de pacientes que se recuperaram da covid-19.

Os testes serão conduzidos por pesquisadores com um grupo de controle, em que uma parte dos participantes recebe um placebo, enquanto a outra recebe o medicamento. Nesta etapa de testes, 32 pacientes estarão envolvidos. O teste, vale notar, não é o mais cientificamente eficiente devido à baixa amostragem e à ausência de uma técnica mais sofisticada de testagem, como a abordagem chamada duplo-cego, na qual nem pesquisadores nem pacientes sabem qual medicamento é testado.

“Essa é a primeira terapia personalizada apresentada para a covid-19”, afirma, em nota, Carl Hansen, cofundador e presidente da AbCellera, empresa canadense dedicada à pesquisa e inovação sobre terapias e vacinas. Hansen foi anteriormente professor estudando microssistemas e nanotecnologia na Universidade da Colúmbia Britânica. “Devido aos anos de trabalho em nossa tecnologia, especificamente para resposta a pandemias, estávamos em posição de fazer a diferença.”

Até o momento, nenhuma terapia ou vacina tem aprovação clínica ou aval da Organização Mundial da Saúde para ser aplicada especificamente a pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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