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O coronavírus causa estragos tanto quanto o cigarro, mas em tempo recorde

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Uma especialista revela o que a pandemia de Covid-19 ensina sobre o tabagismo. E qual a relação entre essas duas ameaças à saúde

O cigarro pode agravar a infecção por coronavírus. (Foto: GI/Getty Images)

Na segunda quinzena de abril, veio a público um estudo francês sobre possíveis efeitos protetivos do tabagismo contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). De acordo com essa pesquisa, realizada com pacientes que testaram positivo para a doença, apenas 5% dos infectados eram fumantes. O estudo foi duramente criticado por conter vários erros, como a exclusão de pacientes internados na UTI, e por desconsiderar que cerca de 20% dos infectados eram profissionais de saúde com baixa prevalência de tabagismo, entre outras limitações.

O fato é que, baseado nesse artigo, surgiu uma hipótese de que a nicotina protegeria contra a Covid-19 por diminuir a presença do receptor ACE2, usado pelo Sars-CoV-2 para invadir as células da mucosa respiratória. Fato absolutamente não comprovado.

Ainda que a hipótese da ação “positiva” da nicotina fosse confirmada por meio de estudos robustos, sua utilização como forma de prevenir uma possível infecção só seria razoável se feita por meio de medicamentos já disponíveis no mercado, que visam suprimir os sintomas de abstinência no tratamento do tabagismo. Jamais haveria da classe médica a recomendação para consumo do cigarro ou de seus equivalentes, como cigarro eletrônico, sabidamente nocivos à saúde.

No entanto, o argumento a favor da nicotina parece ser bem questionável, visto que fumantes têm maior risco de infecção pelo vírus influenza (da gripe), além de por outros da família coronavírus, como o Sars e Mers, que usam o mesmo receptor (ACE2) para invadir a células.

Estatísticas das internações na China apontam que 50% dos fumantes infectados pelo coronavírus estão mais sujeitos a serem intubados, necessitando dos cuidados de unidades de terapia intensiva. Dados de internações de mais de 8.000 pacientes na China, Estados Unidos e Europa confirmam risco maior de mortalidade entre fumantes. A Turquia também detectou que 45% dos internados por Covid-19 eram tabagistas. Isso acontece porque o tabaco inflama as mucosas das vias aéreas e prejudica os mecanismos de defesa do corpo, fazendo desse grupo um alvo fácil para infecções.

É possível fazer uma analogia entre os danos do cigarro e os da Covid-19. O tabagismo provoca estragos no decorrer de anos, enquanto coronavírus desencadeia em poucos dias, para cerca de 20% dos infectados, um grave processo inflamatório, que muitas vezes se complica com formação de coágulos, disfunção cardíaca e renal.

No caso da Covid-19, fumar — que, por si só, já é um fator de risco para muitas doenças, pode contribuir para o agravamento da infecção.
O fato é que a pandemia está em curso. Até a última semana de abril, os óbitos mundiais giravam em torno de 220 mil. Uma catástrofe, sem dúvida!
Por outro lado, o tabagismo ainda é responsável por 7 milhões de óbitos por ano no mundo. Estamos falando da principal causa evitável de morte, que encurta a vida de homens em dez anos e de mulheres, em 12.

A compreensão de que as consequências do coronavírus para os tabagistas podem ser mais graves e até letais tem motivado muitos fumantes a iniciarem um processo para largar o vício. E é fundamental que a Organização Mundial da Saúde (OMS), governos e entidades médicas se apropriem da bandeira antitabagismo nesse momento histórico, em que fica claro o protagonismo do cigarro nessa verdadeira história de terror.

O Brasil está fazendo a lição de casa — e não é de hoje. O país se tornou o segundo do mundo a cumprir as medidas indicadas pela OMS para a redução do fumo. Na última década, o número de fumantes no país caiu 40%. Um relatório da OMS revela que, entre as 171 nações que aderiram às medidas globais, apenas o Brasil e a Turquia implementaram ações bem-sucedidas em todas as esferas propostas.

Mas ainda temos muito a fazer. Ocupamos o oitavo lugar no ranking mundial de tabagistas, com 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens. Portanto, as campanhas antitabaco devem pegar carona na pandemia para que o trabalho de conscientização da população continue progredindo.

Porém, largar o cigarro não é tão simples quanto pode parecer. Estamos falando de uma doença, e não de um (mau) hábito. Trata-se de uma patologia com mais de cinco circuitos cerebrais envolvidos.

Uma pesquisa recente realizada na Austrália revelou que fumantes apresentavam concentrações maiores de receptores de ACE2 em comparação com os não fumantes. A diferença aumentava ainda mais quando os tabagistas tinham comprometimento respiratório por Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) relacionada ao tabagismo, o que favorece a entrada do vírus no organismo.

Ninguém espera que um diabético ou um hipertenso se trate sozinho. Da mesma maneira, um tabagista que busca uma solução definitiva para o seu problema irá precisar de uma estratégia terapêutica, com remédios específicos que aumentam em até cinco vezes a chance de parar de fumar e minimizam a possibilidade de recaída precoce e ganho de peso, um dos medos de quem quer deixar o cigarro de lado.

Os tratamentos — que, inclusive, são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) gratuitamente — preveem o uso da terapia escalonada. Ou seja, a introdução gradual dos remédios, como se faz para cuidar de quem tem pressão alta. A diferença é que, nesse caso, o paciente será medicado apenas por um período médio de três a quatro meses.

A boa notícia é que a recompensa por vencer a luta contra o tabagismo chega rápido: 20 minutos depois do último cigarro, a pressão e a frequência cardíaca normalizam. Entre 24 e 72 horas, os pulmões já oxigenam o sangue melhor. Depois de alguns dias, o olfato e o paladar ficam mais aguçados. Um ano sem cigarro é sinônimo de reduzir o risco de infarto pela metade. Entre cinco e dez anos após a cessação do tabagismo, a probabilidade de um infarto será igual ao de uma pessoa que nunca fumou.

Sabemos que a batalha não é simples, mas a Covid-19 está nos mostrando, em velocidade acelerada e com menor chance de defesa, a importância de apagar o cigarro de sua história.

Definitivamente.*Dra. Jaqueline Scholz é cardiologista, assessora científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, do Hospital das Clínicas da USP.

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Saúde

Coronavírus foi encontrado no esgoto de Florianópolis em novembro

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Um estudo preliminar feito na UFSC traz o que pode ser a evidência mais antiga do vírus nas Américas

Coronavírus: o vírus pode ter chegado ao Brasil em novembro (Radoslav Zilinsky/Getty Images)

O novo coronavírus foi descrito cientificamente apenas em 31 de dezembro de 2019, mas algumas pistas indicam que ele pode ter surgido antes disso. No Brasil, pesquisadores encontraram o vírus em uma amostra de esgoto de novembro de 2019.  O estudo, ainda preliminar, indica que o vírus já estava em Florianópolis, Santa Catarina, mais de um mês antes de ser identificado e anunciado globalmente.

O estudo indica que o novo coronavírus chegou às Américas dois meses antes do que se sabia. O primeiro caso oficialmente reportado foi em 21 de janeiro de 2020, nos Estados Unidos. No Brasil, acreditava-se que o vírus teria chegado entre o fim de fevereiro e o começo de março deste ano.

A nova pesquisa é chamada SARS-CoV-2 in Human Sewage in Santa Catarina, Brazil, November 2019 e é assinada por 14 pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, da Universidade de Burgos, na Espanha, e da startup brasileira de saúde BiomeHub.

O estudo ainda precisa passar pela revisão de pares, uma validação da comunidade científica que atesta a credibilidade dos dados de uma pesquisa. Vale notar que um estudo semelhante com amostra de esgoto na China indica a presença do novo coronavírus em outubro do ano passado.

 

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EUA reserva 90% do estoque do redemsivir e acende alerta no resto do mundo

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Remédio foi o 1º tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences

Antiviral drug remdesivir FDA approved for treatment of novel coronavirus covid-19. The design created for photography purpose only

Os Estados Unidos compraram mais de 90% do estoque do remdesivir, primeiro tratamento promissor na luta contra o novo coronavírus, da farmacêutica americana Gilead Sciences — o que pode fazer com que os demais países, inclusive o Brasil, receba menos doses da medicação, pelo menos nos próximos três meses.

A Gilead concordou em vender mais de 500 mil tratamentos para os EUA até setembro, o que é quase toda a capacidade de produção da empresa. Em um comunicado publicado no site oficial do Serviço de Saúde e Humanidades (HHS, na sigla em inglês) americano, o diretor do órgão, Alex Azar, afirmou que “o presidente Donald Trump conseguiu um acordo incrível para assegurar que os americanos tenham acesso à primeira terapia para covid-19”.

Segundo o comunicado, a quantidade de remédios reservados significa “100% da previsão de produção da Gilead para julho, 90% da produção de agosto e 90% da produção de setembro”. O que deixa uma quantidade ínfima da medicação para os demais países gravemente afetados pela doença.

De acordo com o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 511.909 morreram. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,6 milhões de doentes e mais de 127 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.402.041 de infectados e mais de 59 mil óbitos.

As vacinas também têm preferência

O mesmo tem acontecido em relação às vacinas. Cerca de 136 estão em desenvolvimento atualmente, algumas mais avançadas do que as outras. A Coronavac, feita pela chinesa Sinovac, está entre as fases 1 e 2 de produção. Segundo a agência Bloomberg, mais de 90% das pessoas que receberam doses da vacina produzida pelo laboratório produziram anticorpos contra a covid-19 num intervalo de 14 dias. Outra que está tendo bons resultados é a da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que está na fase 3 de testes.

E os países mais ricos estão investindo pesado para encontrar uma cura para a covid-19. Em maio, o Reino Unido investiu 79 milhões de dólares no programa de Oxford em troca de receber 30 milhões de doses. Já os Estados Unidos asseguraram 300 milhões de doses da mesma vacina ao assinar um acordo de até 1,2 bilhão de dólares com a farmacêutica britânica AstraZeneca.

A Alemanha, a Itália, a França e os Países Baixos também não ficaram para trás e assinaram um acordo com a mesma farmacêutica para receber 400 milhões de doses até o final de 2020. E em 17 de junho, a União Europeia criou uma Estratégia de Vacina Europeia para garantir o acesso à proteção para todos os integrantes do bloco econômico e 2,3 bilhões de dólares podem ter sido investidos nisso.

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Anticoagulante pode diminuir tempo de internação por covid-19

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Rivaroxabana, remédio usado no tratamento da trombose, será testado em 600 pacientes em 40 hospitais no Brasil

Covid-19: coágulos e trombos podem complicar situação dos infectados (MR.Cole_Photographer/Getty Images)

Em maio deste ano, um  estudo observacional feito por especialistas do Hospital Mount Sinai, de Nova York (EUA), apontou que o uso de anticoagulantes no tratamento do novo coronavírus poderia melhorar o tempo de sobrevivência de pacientes graves infectados pela doença. A pesquisa foi realizada com 2.773 pacientes internados por covid-19. Destes, 28% (786) tiveram um tratamento com doses completas de anticoagulantes, uma dose maior do que é geralmente administrada em casos de coágulos sanguíneos. Foi observado, então, que o uso dos medicamentos melhorou as chances de sobrevivência dos doentes dentro e fora da UTI.

A formação de coágulos (ou trombos) é um dos principais agravantes da covid-19. Eles impedem que o sangue dos infectados circule e podem surgir em diversas partes do corpo, como os pulmões, nas pernas e no cérebro. Em muitos casos, os pacientes fatais do vírus passam pela formação de coágulos. É ai que os anticoagulantes entram: como uma opção de afinar o sangue e melhorar a circulação, evitando, assim, que um estado pró-trombótico se instaure e o infectado desenvolva um quadro mais grave.

Recentemente a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em uma pesquisa feita em parceria com pesquisadores da Inglaterra e da Itália, testaram o anticoagulante heparina em casos de SARS-CoV-2. Os testes em laboratório se mostraram promissores e o remédio foi capaz de reduzir em 70% a infecção de células pelo novo coronavírus.

Agora se iniciam os testes clínicos de um novo anticoagulante em doses maiores. A rivaroxabana, medicamento oral usado para o tratamento de trombose venosa profunda, pode ser mais uma das opções no mercado para reduzir o tempo de internação dos pacientes por coronavírus.

A ideia do grupo brasileiro Coalizão é testar a eficácia da rivaroxabana em dose plena versus a da heparina (intravenosa) em doses menores e identificar se o primeiro será responsável por diminuir ainda mais a formação de coágulos. “A gente já conhece a eficácia e a segurança dessa droga. Mas agora queremos dar uma resposta muito importante que o mundo precisa hoje: será que se eu usar uma droga mais potente para diminuir a criação de trombos e coágulos isso pode melhorar a sobrevida dos doentes e o tempo de internação do hospital?”, questiona o doutor Renato Lopes, professor da Divisão de Cardiologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e líder da pesquisa no Brasil.

O objetivo é testar a droga em até 600 pacientes em 40 hospitais ao redor do Brasil e chegar a uma conclusão positiva em até quatro meses. Até o momento, 10 voluntários estão participando da testagem com a rivaroxabana. “Estamos muito no começo para garantir algo”, explica Lopes.

Para garantir a eficácia da pesquisa e evitar riscos (como o aumento de sangramento nos pacientes), um comitê internacional analisará todo o processo. Se algo não estiver certo na avaliação deste, o estudo será pausado.

Mas Lopes ressalta que o uso de anticoagulantes não é a cura para o novo coronavírus. “Isso é um tratamento para uma das complicações mais graves que os pacientes da covid-19 têm, que são as tromboses — que matam e deixam sequelas. Esse medicamento pode vir a salvar vidas. A gente não sabe ainda, por isso estamos estudando”, diz.

O grupo Coalização é formado pelas instituições Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). O projeto conta com o apoio da farmacêutica EMS fornecendo os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina, da fabricante Aché fornecendo dexametasona e da gigante na área medicinal Bayer fornecendo a rivaroxabana.

Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais.

De acordo com o relatório A Corrida pela Vida, produzido pela Exame Research, unidade de análises de investimentos e pesquisas da Exame, as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos. Mais de 200 vacinas estão sendo desenvolvidas atualmente.

Segundo o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 509.474 morreram, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,5 milhões de doentes e mais de 129 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.368.195 de infectados e 58.314 óbitos.

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Saúde

Teste inédito de covid-19 no Brasil pode ajudar a achar melhor tratamento

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Teste farmacogenético pretende encontrar o melhor remédio para cada pessoa com base em seu DNA

Um profissional de saúde usando roupas protetoras atende a uma paciente numa UTI de hospital (Andreas Solaro/AFP)

Na medicina, muito se fala sobre os remédios receitados para determinados pacientes de acordo com o seu próprio DNA. A ideia é que, seguindo o sequenciamento genético das pessoas, pode-se encontrar a medicação e a dosagem correta para cada um — evitando os infames efeitos colaterais que um indíviduo pode ter durante um tratamento enquanto outro paciente, com o mesmo remédio, não sente absolutamente nada.

Nos Estados Unidos, a chamada medicina de precisão já é usada, embora de forma limitada, em casos de crianças com leucemia e HIV, pelo fato de muitos serem alérgicos a determinados remédios. Agora, aqui no Brasil, o laboratório GnTech vai usar a tecnologia farmacogenética também para entender qual medicamento será melhor indicado para cada caso de covid-19.

Estudos apontam que cada pessoa, apesar de ser integrante ou não de um grupo de risco, sofrem efeitos diferentes da doença a longo prazo. De anticorpos a diabetes, a opção de medicar as pessoas de acordo com seu próprio DNA pode ser algo bastante positivo na hora de testar as drogas que têm mostrado resultados positivos na luta contra a covid-19 — como é o caso da hidroxicloroquina, de outros antivirais, antibióticos, anticoagulantes e antiparasitas que podem ajudar no tratamento. Outros remédios, como o remdesivir e a dexametasona ainda não estão incluídos no teste. “Nosso critério é apenas incluir genes que tenham uma assertividade científica mais alta”, explica o doutor Guido May, médico do corpo clínico do Albert Einstein e sócio fundador da GnTech.

A tecnologia da GnTech será capaz de analisar 60 genes e 172 fármacos voltados para tratamentos de doenças infecciosas como o novo coronavírus, cardiológicas, que também podem impactar nos casos do SARS-CoV-2, oncológicas e psiquiátricas, como transtornos de ansiedade, transtorno bipolar e depressão. “Os medicamentos impactam os genes de três maneiras: na metabolização, de que maneira ele será metabolizado pelo corpo e portanto em que dose ele vai correr pelo sangue do paciente, impactam na resposta, de que maneira o medicamento vai atingir o sistema nervoso dos humanos e o teste mostra se o medicamento será bom e também na toxicidade, o que mostra se o remédio vai ter mais ou menos efeitos colaterais. Usamos nossos algoritmos para cruzar todos esses dados”, diz.

O novo teste já estava sendo estudado há algum tempo, inclusive com remédios como a própria hidroxicloroquina e a azitromicina em sua base, mas o foco mudou uma vez que a pandemia do coronavírus alastrou o mundo. A testagem farmacogenética, que visa ajudar os médicos a encontrar a melhor forma de tratamento para os pacientes, também é um movimento interessante para os negócios da empresa.

O TOTALGENE, como é chamado o teste que analisa as quatro frentes médicas, custa 3.893 reais à vista e pode ser parcelado em até 12x. Já o preço dos testes por especialidade é de 3.380 reais à vista e pode ser parcelado em 12x de 331 reais. Os pacientes poderão adquirir os testes por si só e levá-los a um médico especializado para que ele faça a interpretação correta e indique o melhor medicamento baseado no DNA.

Para May, os novos testes serão capazes de trazer mais eficiência no tratamento dos infectados. “O mais importante de tudo é que o teste é uma ferramenta para tornar os tratamentos mais rápidos e mais seguros e além disso economizar custos. Se a gente tem tratamentos mais eficientes, a gente também economiza custos com tratamentos ineficientes”, garante.

Nenhum medicamento ou vacina para a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais.

Segundo o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 509.474 morreram, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,5 milhões de doentes e mais de 129 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.368.195 de infectados e 58.314 óbitos.

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Saúde

Hidroxicloroquina previne contra covid-19? Teste deve recomeçar

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Estudos mostraram que remédio não trata pacientes com covid-19, mas ainda não há conclusões sobre possível prevenção

Pessoas de máscaras na China: novo coronavírus já infectou mais de 5 milhões de pessoas no mundo (Noel Celis/AFP)

Um teste global concebido para analisar se os remédios antimalária hidroxicloroquina e cloroquina podem evitar infecções decovid-19 deve recomeçar depois de ser aprovado por agências reguladoras do Reino Unido.

A Agência Regulatória de Remédios e Produtos de Saúde (MHRA) tomou a decisão a respeito do que é conhecido como teste Copcov depois que outro teste britânico de hidroxicloroquina mostrar que o remédio não oferece benefícios no tratamento de pacientes já infectados com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

O estudo Copcov foi suspenso após os resultados do teste de tratamento e aguarda análise.

Trata-se de um teste aleatório com placebo que visa recrutar 40 mil profissionais de saúde e outros trabalhadores em risco em todo o mundo, e está sendo realizado pela Unidade de Pesquisa de Medicina Tropical Mahidol Oxford da Universidade de Oxford (Moru) na capital tailandesa Bangcoc.

Em março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a hidroxicloroquina poderia ser um divisor de águas e depois disse que ele mesmo a estava usando, apesar de a Agência de Alimentos e Remédios (FDA), o organismo regulador norte-americano, alertar que sua eficiência e sua segurança não estão comprovados.

Mais tarde, a FDA revogou a autorização do uso de emergência para os remédios para tratar Covid-19 depois que testes mostraram que elas não trazem benefícios no tratamento.

Mas White, que está coliderando o teste Copcov, disse que estudos dos remédios como medicamentos preventivos em potencial ainda não geraram uma resposta conclusiva.

“A hidroxicloroquina ainda pode prevenir infecções, e isto precisa ser determinado em um teste aleatório controlado”, disse ele em um comunicado. “A dúvida sobre se ela poder evitar ou não a Covid-19 continua tão pertinente como sempre.”

A equipe de White disse que o recrutamento de profissionais de saúde britânicos será retomado nesta semana e que existem planos em andamento para novos locais de testes na Tailândia e no sudeste da Ásia, na África e na América do Sul. Os resultados são esperados até o final deste ano.

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Hospital modular acoplado ao HRC já tem 60% da estrutura concluída

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Serão 54 blocos refrigerados em 1.015 metros quadrados. Obra em Ceilândia vai comportar 73 leitos – sendo 70 de enfermaria

Foto: Agência Saúde/Divulgação

 

As obras para construir o hospital acoplado ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC) já chegaram um estágio de 60% de conclusão, conforme a avaliação técnica da construtora contratada pela empresa JBS, responsável pela doação da estrutura. A nova unidade vai ampliar a oferta de leitos aos pacientes acometidos pela Covid-19.

Até o momento, foi concluída toda a parte da fundação – que começou a receber os primeiros módulos hospitalares refrigerados do que virá a ser a unidade acoplada ao HRC: são 54 ao todo, contando com as passarelas que darão acesso ao hospital existente.

Por dia, em torno de 10 módulos têm sido montados no local. Depois disso, será necessário encaixar as estruturas, instalar toda a rede de gases, elétrica e hidráulica, pintar a unidade, colocar piso, móveis e levar as camas, monitores e respiradores para montar os leitos.

O projeto, que começou a ser construído em 10 de junho, prevê um pavimento térreo com cerca de 1.015 metros quadrados de construção. A estrutura vai comportar 73 leitos – sendo 70 de enfermaria e três de isolamento com suporte respiratório.

“As obras estão dentro do cronograma. Depois da pandemia, essa estrutura ficará como um legado para o DF, oferecendo leitos de clínica médica”, afirmou a superintendente da Região de Saúde Oeste, Lucilene Florêncio.

Mais estrutura
A instalação do hospital acoplado integra uma série de medidas adotadas pelo GDF para atender a população infectada pela Covid-19 e, ao mesmo tempo, reduzir a incidência da doença em Ceilândia. A região administrativa registra a maior quantidade de casos do Distrito Federal.

Em relação a estruturas de saúde, Ceilândia ganhará também uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Também terá um hospital de campanha construído pelo GDF. Serão 60 leitos, sendo 20 com suporte respiratório e 40 de enfermaria.

Outra medida adotada foi instalar um gabinete especial da Secretaria de Saúde na região, para acelerar as ações voltadas ao enfrentamento da Covid-19 – como tornar o pronto-socorro do HRC exclusivo para pacientes suspeitos e confirmados com a Covid-19. Assim, foram liberados 31 leitos de enfermaria para o atendimento dos acometidos pelo vírus.

Além disso, outros dez leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital foram reformados para receber os pacientes em situação mais grave.


Fazer o bem
A JBS, por meio do programa Fazer o bem faz bem, vai doar R$ 11 milhões para o enfrentamento do coronavírus no Distrito Federal, incluindo no valor a construção do hospital acoplado. Além da nova unidade em Ceilândia, Brasília tem recebido da empresa equipamentos de proteção individual (EPIs), itens de higiene e limpeza e cestas básicas para instituições sociais do DF, que devem impactar mais de 2,5 milhões de pessoas. As doações integram um esforço nacional da JBS de enfrentamento à Covid-19. Ao todo, a empresa pretende doar R$ 400 milhões a 19 unidades da Federação e a mais de 200 cidades.


Com informações da Secretaria de Saúde

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