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Saúde

Novo exame detecta câncer de pâncreas no começo em 87% dos casos

Foto: Shutterstock

LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS

Pesquisadores dos Estados Unidos criaram um exame de sangue que identificou 86,8% dos casos de câncer de pâncreas nos estágios iniciais (1 e 2) em um estudo com 1.785 pessoas. O teste, chamado Panxeon, usa uma combinação de dez microRNAs no sangue e o marcador tumoral CA 19-9 para avaliar o risco de câncer. Este resultado foi publicado na revista Nature Medicine.

Essa taxa de 86,8% representa a capacidade do exame de reconhecer pessoas que realmente têm câncer no estágio inicial. Isso não significa que 87% de todos os testados receberão um diagnóstico correto de câncer.

O câncer de pâncreas geralmente é descoberto em fases avançadas, quando o tratamento é mais difícil. Atualmente, não há exame de sangue confiável para detectar esse tipo de câncer nos estágios iniciais.

O Panxeon foi desenvolvido para combinar diferentes sinais biológicos relacionados à doença. Os pesquisadores analisaram dez microRNAs – pequenas moléculas que regulam a atividade dos genes – junto com o marcador CA 19-9 no sangue. Um modelo computacional calcula uma pontuação que indica a probabilidade da pessoa ter câncer de pâncreas.

Em uma versão do teste que usa apenas os microRNAs, a sensibilidade foi de 83,8%, indicando uma boa capacidade de identificar o câncer nos estágios iniciais.

O estudo foi realizado em vários locais, com participantes de quatro países, divididos em grupos para desenvolver, validar e testar a assinatura molecular do exame.

Na fase de teste, a combinação dos microRNAs e CA 19-9 apresentou sensibilidade de 86,8% para tumores nos estágios iniciais. No entanto, o desempenho variou dependendo do grupo sem câncer usado para comparação. Entre pessoas de baixo risco, 3,2% tiveram resultado falso positivo; entre pessoas de alto risco, a taxa foi de 15,6%. Um falso positivo significa que o exame indicou câncer em pessoas que não têm a doença.

Por isso, o exame não pretende substituir exames de imagem ou confirmar diagnóstico sozinho, mas ajudar a identificar pessoas que precisam de exames mais detalhados, especialmente quem tem fatores de risco para câncer no pâncreas.

Lesões pré-cancerosas

O estudo também avaliou pessoas com cistos pancreáticos de alto risco. Nesse grupo, o Panxeon detectou 64,3% dos casos de alterações que podem levar ao câncer.

Alguns cistos precisam de acompanhamento cuidadoso e, em certos casos, podem exigir procedimentos para evitar que se tornem câncer. Um exame de sangue pode, no futuro, ajudar a selecionar quais pacientes precisam de mais investigação.

Apesar da alta sensibilidade, o Panxeon ainda está em fase experimental. Os pesquisadores afirmam que são necessários estudos maiores para confirmar sua utilidade clínica.

O exame ainda foi testado em um grupo pequeno de 19 pacientes para acompanhar a evolução da doença. Os níveis dos microRNAs diminuíram com a quimioterapia e cirurgia e aumentaram antes da recidiva, mas esses resultados são preliminares devido ao número reduzido de pacientes.

Em resumo, o estudo mostra que a combinação de marcadores no sangue conseguiu identificar quase 9 em cada 10 casos de câncer de pâncreas nos estágios 1 e 2 entre os participantes testados.

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