A construção civil no Distrito Federal emprega mais de 47 mil pessoas e movimenta R$ 10,2 bilhões. No segundo semestre de 2026, a indústria enfrenta desafios para continuar gerando empregos e avançar em áreas como moradia, qualificação profissional e desenvolvimento tecnológico. Com esse cenário, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) iniciou uma nova gestão. Eduardo Aroeira Almeida assumiu a presidência da entidade para o período de 2026 a 2029.
A cerimônia de posse do novo Conselho de Administração contou com representantes do setor, lideranças regionais e autoridades federais. A mudança marca o início de um ciclo em que temas como financiamento habitacional, produtividade, industrialização e sustentabilidade ganham destaque nas discussões sobre o futuro das cidades.
Em seu discurso, Eduardo Aroeira destacou que a construção vai além dos números, lembrando que o setor emprega mais de 3 milhões de trabalhadores no país e que, somente no primeiro semestre, foram criadas cerca de 169 mil vagas. Ele ressaltou a importância da casa própria como meio de inclusão social, que representa estabilidade e patrimônio para as famílias.
A CBIC defende o fortalecimento das fontes de financiamento imobiliário e avanços no Sistema Financeiro da Habitação. Eduardo Aroeira ressaltou que o moradia é o primeiro bem da família e uma base para acessar oportunidades como emprego e educação próxima.
Outro foco é a segurança dos trabalhadores, que deve ser vista como investimento e não como custo. A nova gestão quer reforçar a prevenção de acidentes e melhorar as condições de trabalho para atrair e reter profissionais no setor.
Formação para o futuro da construção
A carência de mão de obra qualificada e a transformação digital são desafios centrais. O setor tende a ser mais industrializado, digital e sustentável, o que exige mudanças na formação de engenheiros, técnicos e trabalhadores. A aproximação com o Sistema S e a capacitação profissional são caminhos apontados. A adoção de ferramentas digitais, como o BIM, é essencial para integrar informações e inovar na construção.
A administração acompanhará a regulamentação da reforma tributária e discutirá a jornada de trabalho para criar um ambiente mais transparente e incentivar a industrialização do setor.
A burocracia é identificada como um obstáculo para o crescimento, com atrasos na emissão de alvarás e licenças que retardam obras, empregos e moradias. Eduardo Aroeira criticou mudanças de regras durante a execução dos projetos, que prejudicam a competitividade e afastam investimentos.
Importância da construção no Distrito Federal
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024, há 1,4 mil empresas no setor com cinco ou mais funcionários, empregando 47,7 mil trabalhadores e pagando R$ 1,7 bilhão em salários. O valor movimentado no Distrito Federal representa 24,1% da produção do Centro-Oeste, ficando atrás apenas de Goiás.
A construção de edifícios é responsável por mais da metade do valor movimentado e emprega a maior parte dos trabalhadores. Os serviços especializados e obras de infraestrutura também são relevantes.
Esses números mostram o peso do setor para a economia e emprego, enquanto a nova gestão enfrenta desafios como formação, burocracia, financiamento e inovação tecnológica para manter o avanço.
Eduardo Aroeira Almeida sucede Renato de Sousa Correia, que presidiu a CBIC de 2023 a 2026, destacando a responsabilidade e o compromisso para manter o legado e enfrentar os desafios futuros.
O novo Conselho de Administração inclui mais de 50 membros, com Marcos Mauro Pena de Araújo Moreira Filho como vice-presidente administrativo e Alfredo Guttenberg de Mendonça Brêda na vice-presidência financeira.
