Benjamin Netanyahu atua como primeiro-ministro de Israel desde 2022 e pode continuar no cargo mesmo se seu grupo político não vencer as eleições gerais realizadas em 27 de outubro de 2023. Isso é possível devido ao sistema parlamentarista adotado no país, que exige que um partido ou coalizão conquiste pelo menos 61 das 120 cadeiras no Knesset, o parlamento israelense, para formar governo.
Na história política de Israel, nenhum partido jamais alcançou essa maioria sozinho. Por isso, é comum que partidos façam alianças para atingir o número necessário de assentos. Nas pesquisas de boca de urna divulgadas após a votação, nenhuma legenda ou coalizão reuniu 61 cadeiras.
O grupo liderado por Netanyahu, composto pelos partidos Likud, Shas, Zionismo Religioso, Otzma Yehudit e Judaísmo Unido da Torá, deve conquistar 57 cadeiras no Knesset. A coalizão opositora, liderada por Gadi Eisenkot, tem projeção de 47 assentos, contando com os partidos Yesh Atid, Yisrael Beytenu, Democratas e outros.
Outros 16 lugares do parlamento estão distribuídos entre a Lista Conjunta (12 assentos), de partidos árabes, e o partido Ra’am (4 assentos), também integrante do grupo liderado por representantes árabes.
Se nenhum partido ou bloco formar maioria, inicia-se um período de negociações no Knesset para a formação do governo. Cada coalizão indica um candidato a primeiro-ministro, que deve receber aval do presidente Isaac Herzog para tentar reunir apoio de pelo menos 61 legisladores. O processo pode durar até 42 dias, considerando prorrogações.
Se o candidato indicado não obtiver o apoio necessário, o presidente pode oferecer a outro parlamentar a chance de formar governo. Persistindo a dificuldade, pode haver a proposta de governo de unidade nacional com rodízio na chefia do executivo ou a convocação de novas eleições, cenário considerado provável por analistas.
Enquanto isso, a lei eleitoral garante que o atual governo de Benjamin Netanyahu continue no poder de forma interina. A complexidade das alianças políticas e as resistências entre os partidos dificultam a formação de uma maioria clara no parlamento, antecipando um período de instabilidade política no país.


