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Nascido para mudar

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Archie, o bebê que mistura as origens negras de Meghan ao sangue azul de Harry, veio ao mundo reforçando o choque de modernidade na Casa de Windsor

It’s a boy! Embrulhadinho em uma manta creme, a carinha pouco aparecendo (menos ainda o cabelo… e nunca se especulou tanto sobre um cabelo), pesando 3,2 quilos, Archie Harrison Mountbatten-­Windsor, o muito aguardado bebê de Harry e Meghan, os duques de Sussex, veio ao mundo às 5h26, quando clareava o dia 6 de maio. O primeiríssimo anúncio, começando exatamente pela informação de que era um menino, apareceu, muito modernamente, no Instagram do casal. Só horas depois foi divulgado de modo formal o nascimento, e o tradicional cavalete de apoio para o comunicado impresso foi montado no portão do Palácio de Buckingham, a casa da bisavó Elizabeth. Como prometeram implicitamente meses atrás, ao avisar que pretendiam tratar a chegada do primeiro filho como “assunto particular”, Harry e Meghan quebraram vários protocolos. Afinal, essa é mesmo a missão não escrita do mais heterodoxo dos casais na realeza britânica neste século XXI: romper barreiras, sem arranhar o encanto do conto de fadas.

Em vez da pose na porta do hospital, diante de uma multidão de fotógrafos e populares pacientemente na espera — o ritual que Kate e William repetiram à risca por três vezes, que Diana também cumpriu com seus dois filhos, e antes dela as mães e os pais da alta nobreza obedecem há quarenta anos —, Meghan e Harry apresentaram o filho ao mundo dois dias depois do nascimento no imponente St. George Hall, no Castelo de Windsor, a um pulinho de casa: eles moram em Frogmore Cottage, uma das residências do, digamos, condomínio. Sem aglomeração: Meghan, de vestido branco cinturado, sapato Louboutin salto 10, barriga ainda proeminente e rosto inchado do parto de anteontem, e Harry, de terno claro e carregando o bebê adormecido, falaram por alguns minutos diante de menos de dez repórteres, fotógrafos e cinegrafistas — entre eles, para muxoxo da imprensa inglesa, uma equipe da rede americana CBS. O pai acariciava seu embrulhinho (até então sem nome) com o polegar, a mãe alisava a touquinha de tricô, os dois riam sem parar e, ao irem embora, a mão dela cruzava as costas e pousava no ombro dele, em manifestações explícitas de carinho, pouco usuais entre as grossas paredes da residência real mais longamente ocupada em toda a Europa.

MISTURA FINA – Archie em família: bisavó rainha, avó descendente de escravos (Chris Allerton/SussexRoyal/Reuters)

Como o duque e a duquesa de Sussex torcem o nariz para costumes “arcaicos” (a revelação é dos oniscientes tabloides), o anúncio do nome também foi no Instagram, junto com uma foto do bebê sendo mostrado, enrolado na mesma manta, na intimidade do castelo, à rainha e ao príncipe Philip, sob o olhar da avó materna, a americana descendente de escravos Doria Ragland. Antes disso, algumas horas depois do nascimento do bebê, Harry, de 34 anos, havia dado uma entrevista-­relâmpago em cenário inusitado, na estrebaria do castelo, à frente de dois cavalos negros em suas baias. O local sinalizou que a família estava acomodada no Frogmore Cottage, um casarão reformado de alto a baixo, a 40 quilômetros de Londres. A pergunta que não queria calar era: o parto tinha sido lá?

Sem que os dois interessados dissessem uma palavra, os tabloides, sempre eles, foram revelando nas últimas semanas que 1) Meghan dispensara o ginecologista da família real e decidira fazer o parto em casa, com parteira, na presença da mãe e de Harry; 2) a decoração do quarto não era nem azul nem rosa; e 3) a babá viria dos Estados Unidos, a terra natal da mãe. Como o local do nascimento não foi divulgado, coube de novo aos tabloides esclarecer que a data-limite passara (o previsto era o fim de abril. Segundo quem? Os tabloides) e, no domingo 5, a equipe de segurança de Meghan e Harry, discretamente, os levou a um hospital londrino, onde ela teve o bebê — sim, com Doria e Harry junto — e, pouco depois, voltaram todos para casa. Sempre alertas, os repórteres buscavam desesperadamente descobrir se o parto foi induzido. A questão ainda não tem resposta.

A rigor, o pequeno Archie não é um royal, o apelido carinhoso dado pelos súditos ao alto escalão da realeza. O rebaixamento na hierarquia ocorre por obra e graça do rei George V, autor das regras nobiliárquicas que governam a Casa de Windsor — aliás, também responsável por britanizar o sobrenome da família, que antes atendia pelo excessivamente germânico Saxe-Coburg and Gotha. Em 1917, a I Guerra Mundial destronara vários monarcas e uma legião de príncipes, duques e condes vagava pela Europa sem uma coroa para chamar de sua. Preocupado em preservar os títulos da alta nobreza para poucos, uma regra básica de sobrevivência, George V ordenou que na Grã-Bretanha só seriam príncipes e princesas, com direito ao tratamento de Sua Alteza Real, a prole do monarca, a dos filhos — só dos filhos — dele e, por fim, o filho mais velho do filho mais velho do herdeiro do trono.

MARCA - Diana com Harry (no colo) e William: agora, exposição evitada (//AP)

A primeira exceção à regra não tardou. Seu sucessor, George VI, só teve duas filhas, ambas — o.k. — princesas. Quando Elizabeth, a herdeira, ficou grávida, surgiu o problema: sendo mulher, seu bebê não seria Alteza Real. O rei mais que depressa mudou o decreto para ela, e só para ela, que viria a dar à luz três príncipes e uma princesa. Em 2012, Elizabeth fez a mesma coisa em relação à prole do herdeiro William, que tem hoje dois pequenos príncipes e uma princesinha em casa. Com Harry é diferente: ele é príncipe, mas seus descendentes, não. Archie pode vir a ser, quando a rainha enfim passar o bastão para Charles. Ele também tem direito a um título menor do pai ou, no mínimo, a um “master” ou “lorde” antes do nome. O anúncio no Instagram mostra que os pais não querem nada disso. Bastam Archie, tradicional nome inglês que mal aparecia nas casas de aposta (Alexander e Arthur eram os primeiros), Harrison, escolha mais americanizada que significa “filho de Harry”, e Mountbatten-Windsor, os nomes de família de Philip e Elizabeth.

Manter os filhos longe dos holofotes é preocupação constante tanto de Harry quanto de William, que viram a mãe-celebridade Diana ser seguida incessantemente por paparazzi e morrer de modo trágico, em um acidente de carro, tentando fugir deles. William, herdeiro de Charles, só mostra os pequenos George, 5 anos, Charlotte, 4, e Louis, 1, em ocasiões selecionadas. Mas a margem de manobra dos duques de Cambridge para burlar protocolos é muito menor que a de Harry, o príncipe estepe. Por isso, ele casou-se com Meghan, que é americana, divorciada, filha de mãe negra e pai branco (Thomas Markle, com quem ela não fala e que soube do nascimento do neto pelo noticiário) e ex-atriz de uma série de sucesso.

TRADIÇÃO –  Os duques de Cambridge, com o caçula Louis: perto do trono (Matt Dunham/AP)

Esse casal que ninguém previa formar-se no coração da monarquia britânica, a mais rica, conhecida e popular do mundo, planta agora em seu meio o primeiro bebê inter-racial de raiz (a mãe da rainha Victoria teria algum sangue africano, mas nada que se compare à pele e aos dreadlocks da vovó Doria). Se Meghan já era um ícone, Archie virou símbolo de novos tempos nos redutos de imigrantes da Grã-Bretanha, que ainda é 67% branca, mas tem na comunidade multirracial a minoria que mais cresce no país. Ele terá dupla cidadania, britânica e americana, no que conta com a companhia de duas priminhas, filhas do neto mais velho de Elizabeth, Peter Phillip, com a canadense Autumn. E, se tudo der certo, será feminista, desejo manifestado por Meghan ainda na gravidez. Esse Archie promete.

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Operários e outros movimentos anunciam protestos em Equador sob estado de exceção

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Sindicatos, indígenas e universitários do Equador vão protestar contra a alta dos preços dos combustíveis

(crédito: AFP)

Sindicatos, indígenas e universitários do Equador vão protestar na terça-feira contra a alta dos preços dos combustíveis enquanto vigora um estado de exceção determinado pelo governo conservador de Guillermo Lasso para combater o narcotráfico.

Será “uma marcha pacífica, amparando-nos no direito à resistência”, disse à AFP o líder sindical Mesías Tatamuez.A mobilização representa um desafio inicial para o governo Lasso, que assumiu em maio, e pode elevar a temperatura social em um país com uma grave crise carcerária, com centenas de mortos, e que tenta se recuperar da devastação econômica provocada pela pandemia.

A Frente Unitária dos Trabalhadores (FUT), que reúne as principais centrais sindicais, a Confederação Nacional dos Povos Indígenas (Conaie) e o sindicato das universidades, uniram forças para exigir que Lasso congele os preços dos combustíveis.“Se o governo não congelar os (preços dos) combustíveis, nos parece uma infâmia. A gasolina está mais cara”, disse Tatamuez.

Desde 2020, o Equador reajusta os combustíveis mensalmente com o preço do petróleo no mercado internacional, com o qual o galão americano de diesel, o mais consumido, subiu 70% (de um dólar para US$ 1,70).Lasso, um ex-banqueiro que defende a livre flutuação de preços, disse não ter a intenção de mudar essa política. No entanto, ele evocou a possibilidade de direcionar a compensação para as operadoras e setores mais atingidos.“Se quer se concentrar (na compensação), se concentre, mas diga como. Até agora, não entrou em acordo nem com as operadoras”, afirmou Tatamuez.A Federação dos Estudantes Universitários do Equador (FEUE) indicou que acompanhará a mobilização para denunciar uma “precariedade” do mercado de trabalho devido às reformas trabalhistas promovidas por Lasso para impulsionar a economia.

Organizações sociais marcham apesar do estado de exceção decretado pelo governo por 60 dias para enfrentar a violência do tráfico de drogas.

No meio dessa outra crise, militares e policiais patrulham as ruas, embora o presidente tenha afirmado que não restringirá direitos como o de protesto e de reunião.

Conaie liderou protestos violentos em 2019 contra a eliminação total dos subsídios aos combustíveis, que deixou onze mortos e obrigou o então presidente Lenín Moreno a recuar em sua decisão.

 

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Parlamento Europeu concede prêmio de liberdade de pensamento a opositor de Putin

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Alexei Navalny recebeu o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, 12 dias após o jornalista Dmitry Muratov ganhar o Nobel. Adversário do Kremlin cumpre pena de três anos e meio de prisão

Alexei Navalny – (crédito: AFP)

 

A visita dos advogados à Colônia Penal número 2, na região leste de Moscou, sempre às quintas-feiras, terá sabor especial para Alexei Navalny. Hoje, o opositor russo de 45 anos será informado sobre a decisão do Parlamento Europeu de lhe conceder o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, uma honraria que anualmente homenageia indivíduos ou organizações que defendem os direitos humanos e as liberdades fundamentais. É a segunda distinção, em 12 dias, a contemplar adversários do presidente russo, Vladimir Putin. Em 8 de outubro passado, o Comitê Nobel Norueguês escolheu o jornalista Dmitry Muratov — editor-chefe do diário Novaya Gazeta (Moscou) — como um dos laureados com o Nobel da Paz, ao lado da também jornalista filipina Maria Ressa.

“Ele (Navalny) tem feito uma companha sistemática contra o regime de Vladimir Putin. Por meio de seus perfis nas redes sociais e de suas campanhas políticas, Navalny ajudou a expor abusos e a mobilizar o apoio de milhões de pessoas em toda a Rússia. Por isso, ele foi envenenado e jogado na prisão”, declarou David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu. “Ao atribuir o Prêmio Sakharov a Alexei Navalny, reconhecemos a sua imensa bravura e reiteramos o suporte inabalável do Parlamento Europeu à sua imediata libertação”, acrescentou.

Por sua vez, a finlandesa Heidi Hautala, vice-presidente do Europarlamento, chamou Navalny de “defensor pela mudança”. “Ele mostrou grande coragem em suas tentativas de restaurar a liberdade de escolha do povo russo. Por muitos anos, lutou pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais em seu país. Isso lhe custou a liberdade e, por pouco, a vida. Em nome do Parlamento Europeu, apelo à sua libertação imediata e condicional”, afirmou. Hautala exigiu que as autoridades russas cessem “todo tipo de assédio, intimidação e ataques contra a oposição, a sociedade civil e mídia”. Até o fechamento desta edição, o Kremlin não tinha se pronunciado sobre o Prêmio Sakharov deste ano.

Navalny receberá a quantia de 50 mil euros (ou R$ 325 mil) durante sessão especial no hemiciclo do Parlamento Europeu, em 15 de novembro, na cidade de Estrasburgo (França). Não se sabe se Navalany, condenado a três anos e meio de prisão, terá a permissão de Moscou para participar da cerimônia. Em nota publicada no Twitter, a Fundação Anticorrupção (FBK, pela sigla em russo), movimento fundado por Navalny em 2011, afirmou que o Prêmio Sakharov é uma distinção dedicada a “todas as pessoas que não são indiferentes e que, mesmo nos momentos mais obscuros, não temem falar a verdade”. “Todos os dias somos mais e mais de nós. Juntos, venceremos”, escreveu.

Em entrevista ao Correio, o Nobel da Paz Dmitry Muratov (leia Duas perguntas para) saudou a concessão do Prêmio Sakharov para Navalny e disse esperar que o opositor seja libertado em breve. Chefe do Programa de Política Doméstica Russa do Carnegie Endowment for International Peace, sediado em Moscou, Lilia Shevtsova admitiu à reportagem que Navalny merece o prêmio “por sua missão na busca da liberdade e por sua prontidão ao sacrifício”. “A mensagem é mostrar ao mundo que a comunidade internacional aprecia sua agenda”, explicou.

Shevtsova acredita que o fato de dois russos terem sido contemplados com dois prêmios de grande prestígio este ano pode não ter sido intencional. “Mas a comunidade russa considera as duas láureas como uma prova de que parte do mundo centra as atenções sobre o que ocorre na Rússia”, comentou. Para a especialista, o Prêmio Sakharov confirma que a comunidade internacional apoia a agenda da liberdade na Rússia. “O futuro do meu país dependerá dos acontecimentos na Rússia e da prontidão da sociedade russa em lutar pela liberdade. No momento, porém, o sistema de Putin é bastante estável”, afirmou.

Além de Navalny, disputavam a edição deste ano do Prêmio Sakharov a ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez e a Comissão Afegã Independente de Direitos Humanos — um grupo de mulheres liderado por Shaharzad Akbar.

» Duas perguntas para

Dmitry Muratov, editor-chefe do diário russo Novaya Gazeta (Moscou), laureado com o Prêmio Nobel da Paz, em 8 de outubro

Qual é a mensagem do Prêmio Sakharov para Alexei Navalny?

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento não é outorgado para homenagear um conjunto de méritos, mas pelo valor e pelos princípios de uma personalidade. Entre os premiados no passado, estão Nelson Mandela (ex-presidente da África do Sul e líder contra o apartheid), em 1988, e Sergei Adamovich Kovalyov (ativista dos direitos humanos), em 2009. Pessoas como Mandela, Kovalyov e Navalny vão para a prisão por suas convicções, sem serem poupadas.

Como vê os prêmios Nobel e Sakharov para o senhor e para Navalny no mesmo ano?

No caso de Navalny, vejo o reconhecimento, por parte do mundo, do valor da atividade política alternativa e da oposição como normal do mundo contemporâneo. Em relação a mim, acho que é uma pergunta a ser feita para o Comitê Nobel. Desejo a Alexei Anatolyevich Navalny um rápido retorno para a sua família e seus amigos. (RC)

» Moscou recebe delegação talibã

A Rússia pediu, ontem, para trabalhar com o novo governo talibã no Afeganistão, com o objetivo de garantir a “estabilidade” da região. O Kremlin teme a atividade de grupos jihadistas e o risco de uma grave crise humanitária. A preocupação foi partilhada pela China e pelo Irã. Uma delegação do Talibã está em Moscou para as primeiras negociações internacionais desde que o grupo assumiu o poder, em 15 de agosto passado. Em declaração conjunta, os países participantes expressaram sua vontade de cooperar com o regime talibã em questões de segurança para “contribuir para a estabilidade regional”, dada a ameaça de “organizações terroristas” que pesa sobre o novo regime em Cabul.

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Novo foco de covid na China faz voos serem cancelados e escolas fechadas

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A origem do surto está ligada a um casal de idosos que viajava com um grupo de turismo

Mais de 70% de população da China já está imunizada contra covid (Barcroft Media / Colaborador/Getty Images)

As autoridades da China cancelaram centenas de voos, fecharam escolas e iniciaram uma grande campanha de testes para conter um novo foco de covid-19 vinculado a um grupo de turistas em viagem doméstica pelo país. A origem do surto está ligada a um casal de idosos que viajava com um grupo de turismo. Eles iniciaram o deslocamento em Xangai, antes de voar para Xi’an (centro) e as províncias de Gansu e Mongólia Interior (norte).

Desde então, foram detectados dezenas de casos vinculados, com contatos próximos em pelo menos cinco províncias e regiões, incluindo a capital Pequim. Nesta quinta-feira, 21, a Comissão Nacional de Saúde da China notificou 13 novos contágios locais, elevando o número total de 16 a 42 no mês de outubro.

Uma divisão administrativa na região chinesa da Mongólia Interior disse no final da quarta-feira ter imposto um bloqueio e que testaria sua população de 180.000 habitantes, depois que a cidade de Erenhot e uma divisão chamada Ejina Banner impediram a saída de pessoas em meio a surtos locais.

Os lockdowns são pequenos em comparação com os vistos no início de 2020 na cidade de Wuhan. O último foco de covid, envolvendo principalmente o norte e noroeste da China, chegou à capital, Pequim, e à vizinha província de Hebei, onde as autoridades prometeram medidas rigorosas contra o vírus ao intensificarem os preparativos para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, em fevereiro.

O único caso local relatado em Pequim, em 19 de outubro, foi o primeiro desde agosto.

Na severa estratégia chinesa anticovid, que tem o objetivo de eliminar todos os casos, as autoridades das áreas afetadas adotaram testes em larga escala, fecharam pontos turísticos, escolas e áreas de entretenimento e ordenaram confinamentos em alguns complexos residenciais.

Em algumas localidades, como a cidade de Lanzhou, capital de Gansu, com quatro milhões de habitantes, as autoridades pediram aos moradores que não saiam de casa se não for necessário. E em caso de necessidade, apenas com teste negativo de covid-19.

Os aeroportos nas regiões afetadas cancelaram dezenas de voos, segundo o site VariFlight. Quase 60% dos voos para os principais aeroportos de Xi’an e Lanzhou foram suspensos.

Jiuquan, onde o estado chinês lança frequentemente foguetes, ainda não detectou nenhum caso local, mas as autoridades já cancelaram eventos culturais previstos, como exposições.

Expace, uma empresa aeroespacial apoiada pelo estado, disse na terça-feira que havia adiado os trabalhos de uma missão envolvendo o foguete Kuaizhou 1-A em Jiuquan como parte do controle de epidemias. Os funcionários foram obrigados a entrar no modo “semi-lockdown” e evitar o contato com o exterior.

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Navios afundados da 2ª Guerra Mundial saem das profundezas do oceano

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Fenômeno está relacionado à atividade de vulcões subaquáticos

. Eles foram usados na Batalha de Iwo Jima, episódio de combate da Segunda Guerra Mundial ocorrido em 1945 (ANNnewsCH/YouTube)

Já pensou em encontrar navios da Segunda Guerra Mundial na praia? Isso é possível e, sim, aconteceu. E tudo porque dois vulcões subaquáticos entraram em erupção com pouco tempo de diferença.

Tudo começou porque, em agosto deste ano, o vulcão Fukutoku-Okanoba, que está localizado a cerca de 800 milhas ao sul de Tóquio, entrou em erupção, e fez com que uma ilha se erguesse sobre as ondas. Um dia depois, o vulcão Nishinoshima também começou sua atividade, pela primeira vez em um ano, intensificando esse movimento.

Para acompanhar os resultados disso, a publicação japonesa Asahi Shimbun enviou repórteres e especialistas para verificar o que estava acontecendo no local e, de surpresa, se deparou com os navios — que têm uma aparência bastante associada à ficção, de algo fantasmagórico.

 

De acordo com informações da Base Aérea de Kadena, base da Força Aérea dos Estados unidos no Japão, os navios permaneceram relativamente intactos porque foram feitos de concreto — já que o aço estava em falta devido ao uso na guerra. Eles foram usados na Batalha de Iwo Jima, episódio de combate da Segunda Guerra Mundial ocorrido em 1945. A Batalha de Iwo Jima durou 35 dias e foi uma das batalhas mais violentas da Guerra do Pacífico.

Ainda segundo o órgão, os navios foram afundados para construir um píer após a Segunda Guerra Mundial. A tese é corroborada pelo site de história Traces of War, que afirma que os 24 navios foram usados em uma tentativa malsucedida de criar um quebra-mar para ajudar a facilitar a chegada de suprimentos à ilha.

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EUA autoriza dose reforço de J&J e Moderna (e mistura de vacinas)

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Agência reguladora dos EUA também autorizou esquema vacinal com dois imunizantes diferentes, o que já acontece no Brasil e na Europa

 

ESTADOS UNIDOS (EUA)
JOHNSON & JOHNSON
MODERNA
VACINA CONTRA CORONAVÍRUS

A FDA, agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, autorizou na noite desta quarta-feira, 20, a dose de reforço das vacinas de Moderna e Janssen, da Johnson & Johnson.

Até agora, somente a Pfizer tinha uma dose de reforço autorizada pela FDA, o que ocorreu em setembro.

Outro destaque no anúncio da FDA foi a autorização de uma “mistura” de imunizantes no esquema vacinal dos americanos, o que já é permitido no Brasil e em uma série de países europeus.

  • No caso da Moderna, a autorização da FDA é para uma terceira dose;
  • Os grupos que receberão reforço são os maiores de 65 anos ou com doenças graves;
  • Para a Janssen, que já funciona com dose única, a agência autorizou uma segunda dose;
  • Neste caso, o reforço é recomendado para todos, independentemente da idade.

No caso da vacina da Janssen, os 15 milhões de vacinados têm recomendação de tomar a dose de reforço dois meses após a vacinação. Para a Moderna, o intervalo é de seis meses.

A vacina da Moderna, como a da Pfizer, usa tecnologia do chamado RNA mensageiro.

Vacinação heterogênea

Com a autorização para a mistura das vacinas, a dose de reforço poderá, portanto, ser de uma marca diferente da primeira.

Um painel de conselheiros da FDA já havia recomendado nas últimas semanas que os reforços fossem oferecidos.

Os primeiros estudos têm mostrado que as doses extra podem oferecer proteção adicional e efeitos colaterais parecidos aos das primeiras doses.

Na outra ponta, organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) têm pedido para que países desenvolvidos e de renda média ampliem os esforços para levar mais vacinas a países pobres.

Ao todo, quase metade da população mundial tomou ao menos uma dose, mas essa taxa é de só 3% nos países classificados como pobres.

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Em feito inédito, cirurgiões dos EUA testam com sucesso transplante de rim de porco em humano

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A recipiente do transplante foi uma paciente com morte cerebral e com sinais de disfunção renal. A família consentiu ao experimento antes que ela fosse retirada dos equipamentos de suporte à vida.

Na foto, sem data, um rim de porco geneticamente modificado é limpo e preparado para transplante em um humano na NYU Langone Health em Nova York, nos Estados Unidos. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Pela primeira vez, um rim de porco foi transplantado para um ser humano com sucesso sem provocar rejeição imediata pelo sistema imunológico do paciente.

O procedimento foi feito no Langone Health, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, informou a imprensa americana. Não está claro quando ocorreu a cirurgia.

O feito é um avanço potencial gigantesco que pode ajudar a aliviar a escassez de órgãos humanos para transplante.

A operação envolveu o uso de um porco cujos genes foram alterados para que seus tecidos não contivessem mais uma molécula conhecida por provocar uma rejeição praticamente imediata em humanos.

A recipiente do transplante foi uma paciente com morte cerebral com sinais de disfunção renal. A família consentiu ao experimento antes que ela fosse retirada dos equipamentos de suporte à vida, afirmaram os pesquisadores à Reuters.

 

Na foto, não datada, equipe cirúrgica examina o rim de porco em busca de sinais de rejeição. O órgão foi implantado fora do corpo para permitir a observação e amostragem de tecido durante o período de estudo, de 54 horas, na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto:  Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Na foto, não datada, equipe cirúrgica examina o rim de porco em busca de sinais de rejeição. O órgão foi implantado fora do corpo para permitir a observação e amostragem de tecido durante o período de estudo, de 54 horas, na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Por três dias, o novo rim foi ligado às suas veias e artérias sanguíneas e mantido do lado de fora de seu corpo, garantido acesso aos pesquisadores.

Embora o órgão não tenha sido implantado no corpo, problemas com os chamados xenotransplantes – de animais como primatas e porcos – geralmente ocorrem na interface do suprimento de sangue humano e o órgão, onde o sangue humano flui através dos vasos dos suínos, disseram os especialistas ao jornal americano “The New York Times”.

Os resultados do teste de função do rim transplantado “pareciam bem normais”, disse o cirurgião do transplante, Robert Montgomery, que liderou o estudo. O nível anormal de creatinina da paciente receptora – um indicador de função renal deficiente – voltou ao normal após o transplante, afirmou o médico.

O rim produziu “uma quantidade de urina esperada” de um rim humano transplantado, segundo Montgomery, e não houve evidências da rejeição intensa e quase imediata já vista em rins suínos não modificados e transplantados para primatas não humanos.

“Foi até melhor do que eu acho que esperávamos”, declarou o cirurgião ao jornal. “Parecia qualquer transplante que eu já fiz de um doador vivo. Muitos rins de pessoas falecidas não funcionam imediatamente [no receptor] e levam dias ou semanas para começar. Esse funcionou imediatamente. ”

 

O fato de o órgão funcionar fora do corpo também é uma forte indicação de que funcionará dentro dele, disse Montgomery.

Pesquisa de décadas

 

Foto sem data mostra rim de porco geneticamente modificado aparentemente saudável durante um transplante na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Foto sem data mostra rim de porco geneticamente modificado aparentemente saudável durante um transplante na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Pesquisadores –inclusive brasileiros – trabalham há décadas com a possibilidade de usar órgãos de animais para transplantes, mas não sabiam como evitar a rejeição imediata do corpo humano.

A equipe de Montgomery teorizou que eliminar o gene suíno para um carboidrato que desencadeia a rejeição – uma molécula de açúcar, ou glicano, chamada alfa-gal – evitaria o problema.

O transplante experimental deve abrir caminho para testes em pacientes com insuficiência renal em estágio terminal – possivelmente no próximo ano ou dois, disse Montgomery, ele mesmo um receptor de transplante de coração. Os ensaios poderão testar a abordagem como uma solução de curto prazo para pacientes críticos até que um rim humano esteja disponível – ou como um enxerto permanente.

Foto sem data mostra rim de porco geneticamente modificado aparentemente saudável durante um transplante na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Foto sem data mostra rim de porco geneticamente modificado aparentemente saudável durante um transplante na NYU Langone em Nova York, EUA. — Foto: Joe Carrotta para NYU Langone Health/via Reuters

Como o experimento atual envolveu um único transplante – e o rim foi deixado no local por apenas três dias –, testes futuros provavelmente irão descobrir novas barreiras a serem superadas, disse Montgomery. Os participantes provavelmente seriam pacientes com baixa probabilidade de receber um rim humano e um prognóstico ruim em diálise.

“Para muitas dessas pessoas, a taxa de mortalidade é tão alta quanto para alguns tipos de câncer, e não pensamos duas vezes antes de usar novos medicamentos e fazer novos testes [em pacientes com câncer] quando isso pode dar a elas alguns meses a mais de vida “, declarou o médico.

Ele também afirmou à Reuters que os pesquisadores trabalharam com especialistas em ética médica, jurídicos e religiosos para examinar o processo antes de pedir a uma família acesso temporário a um paciente com morte cerebral.

Genes modificados

O porco geneticamente modificado, apelidado de GalSafe, foi desenvolvido por uma subsidiária de empresa americana de biotecnologia de capital aberto, a United Therapeutics Corporation. Foi aprovado pela FDA (equivalente americana à Anvisa brasileira) em dezembro de 2020 – para uso como alimento para pessoas com alergia a carne e como uma fonte potencial de tratamento humano.

Produtos médicos desenvolvidos a partir dos porcos ainda necessitariam de uma aprovação específica da FDA antes de serem usados em humanos, disse a agência regulatória.

Outros pesquisadores estão considerando se os porcos GalSafe podem ser fontes de tudo – desde válvulas cardíacas a enxertos de pele para humanos.

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