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Nasa descobre planeta do tamanho da Terra em zona habitável

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Chamado “TOI 700 d”, o planeta está relativamente próximo da Terra — a apenas 100 anos-luz

TOI 700 d: descoberta é a primeira do TESS, o satélite caçador de planetas da NASA (YouTube/Reprodução).

A Nasa anunciou nesta segunda-feira (6) que seu satélite TESS havia permitido a descoberta de um planeta do tamanho da Terra a uma distância intermediária de sua estrela, o que permitiria a presença de água em estado líquido.

Chamado “TOI 700 d”, o planeta está relativamente próximo da Terra — a apenas 100 anos-luz — disse o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA durante a conferência de inverno (boreal) da Sociedade Americana de Astronomia, em Honolulu, no Havaí.

“O TESS foi projetado e lançado especificamente para encontrar planetas do tamanho da Terra e em órbita de estrelas próximas”, disse o diretor de astrofísica da NASA, Paul Hertz.

Inicialmente, o satélite classificou erroneamente a estrela, o que implicava que os planetas pareciam maiores e mais quentes do que realmente eram. Vários astrônomos amadores identificaram o erro.

Quando corrigimos os parâmetros da estrela, os tamanhos de seus planetas foram reduzidos, e percebemos que a mais externa era do tamanho da Terra e estava na zona habitável”, afirmou Emily Gilbert, uma estudante de pós-graduação da Universidade de Chicago.

A descoberta é a primeira do TESS, o satélite caçador de planetas da NASA, lançado em 2018.

Mais tarde, a descoberta foi confirmada pelo telescópio espacial Spitzer.

A estrela TOI 700 é pequena, 40% do tamanho do Sol e mais fria.

O TESS descobriu três planetas em órbita, chamados TOI 700b, c e d. Somente “d” está na chamada zona habitável, nem tão longe nem tão perto da estrela, onde as temperaturas podem permitir a presença de água líquida.

É cerca de 20% maior do que a Terra e orbita sua estrela em 37 dias. Recebe 86% da energia que a Terra recebe do Sol.

Uma face do planeta sempre encara sua estrela, como é o caso da Terra e da Lua, um fenômeno chamado rotação síncrona.

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Ciência

Pulmão humano em más condições é revivido ao ser conectado em porco

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Técnica pode triplicar o número de pulmões saudáveis disponíveis para transplantes, segundo pesquisadores da Universidade de Columbia

Porcos: animais foram utilizados para ajudar a reviver pulmões humanos (Ineke Kamps/Getty Images)

Uma técnica pode triplicar o número de pulmões saudáveis disponíveis para transplantes, segundo pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A descoberta foi realizada após os cientistas ligarem pulmões prejudicados ao sistema circulatório de um porco vivo.

Isso acontece porque, assim que uma pessoa morre, seus pulmões começam a deteriorar de forma bastante rápida, o que faz com que o transplante do órgão tenha de acontecer quase que imediatamente. Grande parte dos pulmões doados já está fora do corpo humano por um longo período de tempo, mas, mesmo assim, a maioria já passou por agressões exteriores o suficiente para não ser mais uma opção viável para uma cirurgia.

Segundo Gordana Vunjak-Novakovic, da Columbia, os órgãos prejudicados podem passar por dispositivos de perfusão pulmonar ex vivo lung perfusion (EVLP), o que pode falhar em muitos casos. Daí veio o teste em um ser vivo. A ideia dos pesquisadores parceiros de Vunjak-Novakovic era descobrir se, ao ligar um pulmão em um corpo com outros órgãos funcionais, este fabricaria nutrientes capazes de remover substâncias prejudiciais.

Os pesquisadores testaram, ao todo, seis pulmões (tanto individuais quanto em pares) que foram rejeitados para transplante. Um deles falhou depois de 5 horas em um dispositivo EVLP e ficou fora do corpo humano 24 horas antes de ser recebido pelos cientistas. Cada pulmão foi conectado ao sistema circulatório de um porco anestesiado por 24 horas, com tubos alimentando as veias sanguíneas do órgão humano com as veias do pescoço do porco, ao mesmo tempo que um ventilador era responsável por bombear ar dentro dos pulmões. Para evitar que os tecidos externos fossem rejeitados tanto pelo animal quanto pelos órgãos humanos, foram utilizadas medicações imunossopressoras.

Depois de 24 horas conectados aos porcos, os pulmões foram revitalizados e testes apontaram que a capacidade deles de produzir ar melhorou significativamente. Até um deles, que estava há dois dias fora do corpo humano, teve uma recuperação exponencial. “Eles não estão 100% normais, mas estamos perto o suficiente”, afirmou Vunjak-Novakovic à revista científica New Scientist.

Em 2016, o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), efetuado pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), estimou a necessidade de 1.636 transplantes pulmonares. Nesse período, apenas 92 foram realizados.

 

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País do tamanho de Pernambuco envia missão a Marte nesta terça

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Sonda espacial dos Emirados Árabes Unidos irá realizar pesquisas sobre a atmosfera de Marte; veja como assistir ao lançamento

Cientistas do Centro Espacial Mohammed Bin Rashid, em Dubai, junto da sonda Hope: a primeira missão espacial dos Emirados Árabes Unidos (Mohammed Bin Rashid Space Center/Divulgação)

A corrida para chegar a Marte está longe de ser um sonho apenas do bilionário e fundador da Tesla, Elon Musk. Também não é um objetivo exclusivo de potências mundiais como os Estados Unidos e a Rússia, que travam uma batalha sobre o domínio espacial desde 1960.

Os Emirados Árabes Unidos, com uma população que não chega a 10 milhões de habitantes e um território comparado ao do estado de Pernambuco, enviam nesta terça-feira (14), às 17h51 no horário de Brasília, a sua primeira missão espacial (tanto para o planeta vermelho quanto para qualquer lugar no espaço). O lançamento será realizado a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão. Para assistir ao lançamento, acesse este link.

A viagem, que será feita por um foguete japonês, tem previsão de chegada em órbita somente em fevereiro de 2021, com os pés fincados em Marte em março do ano que vem. As análises da atmosfera marciana já devem começar no segundo semestre de 2021 e o objetivo é analisar o clima no planeta, o que pode ajudar a entender como o planeta perdeu boa parte de sua atmosfera nos últimos bilhões de anos. A ideia também é ajudar a compreender como acontecem as estações do ano por lá.

O orbitador de Marte foi desenvolvido pelo Centro Espacial Mohammed Bin Rashid, com sede em Dubai, em parceria com o Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

O anúncio da missão, feito em 2014, não foi muito levado a sério porque, na época, o país não tinha nem sequer uma agência espacial ou cientistas planetários. Seis anos depois, o jogo virou. A intenção dos Emirados Árabes é deixar de ter uma economia dependente do petróleo e avançar em novas frentes, como a científica.

A espaçonave tem um nome bastante subjetivo: Hope, que quer dizer esperança em inglês. Se tudo der certo, os Emirados Árabes se tornarão o terceiro país a colocar espaçonaves em Marte – atrás dos Estados Unidos (em 1976, 1997, 2004, 2008, 2012 e 2018), e da Rússia (1971 e 1973, ainda como a União Soviética).

A missão não é tripulada – a ida de astronautas a Marte pode continuar sendo apenas ficção cientifica por algum tempo.

Existe vida em Marte?

A pergunta não ficou só na ponta da língua do cantor David Bowie em sua canção de 1971. A dúvida existe há muito tempo para cientistas, pesquisadores e empresas (privadas ou não). Em 2018, especialistas da Agência Espacial Italiana descobriram a existência de água líquida no planeta – o que poderia ser um forte indício de que algum ser poderia viver por lá. Mesmo se um tipo de vida alienígena não existir em Marte, a ideia de Musk é povoar o planeta com mais de 1 milhão de pessoas até 2050.

O plano ambicioso de Musk faz parte da missão de sua empresa, a SpaceX, que recentemente se tornou a primeira companhia privada a fazer um voo espacial tripulado nos Estados Unidos e quebrou um jejum de quase uma década sem lançamento de missões espaciais tripuladas a partir do território americano. Em 30 de maio, dois astronautas americanos foram enviados a Estação Espacial Internacional.

Para Marte, a agência espacial americana Nasa pretende enviar seu quinto (e mais poderoso) veículo a fim de encontrar evidências de vidas passadas e coletar pedras que poderão ser as primeiras a voltar para a Terra.

A China também está de olho nas terras vermelhas marcianas com uma missão chamada de Tianwen-1, que significa “busca pela verdade celestial”, programada para ser lançada no final deste mês. O objetivo dos chineses é realizar um levantamento da atmosfera do planeta e descobrir se existe água potável ou sinais de vida no local.

 

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Ciência

Estrutura 3D de anticorpo de coronavírus pode ser chave para vacina

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Anticorpo descoberto pelos cientistas não precisa de um nível alto de maturação para ser utilizado e pode resultar em uma resposta eficiente contra o vírus

Anticorpo em 3D: descoberta pode ajudar a encontrar a vacina ideal (Science/Reprodução)

 

Uma estrutura em 3D de um anticorpo neutralizador do novo coronavírus pode ajudar no desenvolvimento de uma vacina. Segundo o estudo, que foi publicado na revista científica Science, a proteína das espículas da covid-19 é o principal antígeno (substância estranha ao organismo que desencadeia a produção de anticorpos) da doença. Para os pesquisadores, entender como isso funciona é o principal passo para encontrar uma prevenção.

Os pesquisadores analisaram 294 anticorpos do SARS-CoV-2 e descobriram que o IGHV3-53 é o gene mais frequente para enfrentar o receptor da espícula. O IGHV3-53, segundo os cientistas, mostram “maturação de afinidade mínima e alta potência”, o que, para eles, é promissor para a criação de uma vacina. Isso significa que o anticorpo não precisa de um nível alto de maturação para ser utilizado e pode resultar em uma resposta mais eficiente contra o vírus.

Em publicação em seu perfil no Twitter, o doutor em microbiologia pela USP e divulgador científico, Atila Iamarino, afirmou que, com isso “acharam o alvo certo, viram que ele é acessível e que tem boas chances do sistema imune atacar — isso aumenta as chances e as ideias de estratégias pra vacina”. Se a vacina for feita com base em anticorpos, é claro.

O último relatório disponibilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 23 vacinas estão em fase clínica de testes e outras 140 estão passando por avaliações pré-clínicas. Dessas 163, apenas duas estão na fase 3 de testes: a da AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford e a chinesa Sinovac, ambas testadas também no Brasil.

Para uma vacina ser aprovada e distribuída, ela precisa passar por três fases de testes. A fase 1 é a inicial, quando as empresas tentam comprovar a segurança de suas vacinas em seres humanos; a segunda é a fase que tenta estabelecer que a vacina produz sim imunidade contra um vírus, já a fase 3 é última fase do estudo, tenta demonstrar a eficácia da vacina. Para que uma vacina seja finalmente disponibilizada para a população, é necessário que essa fase seja finalizada e que a proteção receba um registo sanitário. Por fim, na fase 4, a vacina é disponibilizada para a população.

Nunca antes foi feito um esforço tão grande para a produção de uma vacina em um prazo tão curto — algumas empresas prometem que até o final do ano ou no máximo no ínicio de 2021 já serão capazes de entregá-la para os países. A vacina do Ebola, considerada uma das mais rápidas em termos de produção, demorou cinco anos para ficar pronta e foi aprovada para uso nos Estados Unidos, por exemplo, somente no ano passado.

Uma pesquisa aponta que as chances de prováveis candidatas para uma vacina dar certo é de 6 a cada 100 e a produção pode levar até 10,7 anos. Para a covid-19, as farmacêuticas e companhias em geral estão literalmente correndo atrás de uma solução rápida.

Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais — mas o modelo em 3D traz boas perspectivas na corrida pela cura.

 

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Ciência

Em outra pandemia, Brasil já perdeu presidente em 1919

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A gripe espanhola foi uma grave pandemia que deixou cerca de 500 milhões de mortos em todo o mundo. Entre eles, o presidente do Brasil

Rodrigues Alves: presidente morreu poucos meses após ser infectado durante a gripe espanhola (Divulgação/Wikimedia Commons)

No Brasil, a doença veio através do navio Demerara, procedente da Europa, que desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro. Em um mês, o país todo registrava casos da epidemia, considerada até hoje a mais violenta da história. No total, mais de 300 mil brasileiros morreram.

Nem mesmo o presidente brasileiro foi poupado. Reeleito em março de 1918, Rodrigues Alves foi infectado durante a pandemia, apresentou fortes sintomas da doença e não conseguiu tomar posse. Menos de um ano depois, em ele veio a falecer.

 

Arte gripe espanhola

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Ciência

Coronavírus: frustração, negócios e rivalidade no caminho para a vacina

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A busca de uma vacina contra a COVID-19 é uma intensa corrida de obstáculos planetária marcada por desafios financeiros e expectativas frustradas

Pandemia do coronavírus: questões financeiras e política no caminho da ciência (Robert Bonet/NurPhoto/Getty Images)

A busca de uma vacina contra a COVID-19 é uma intensa corrida de obstáculos planetária marcada por desafios financeiros, expectativas frustradas e problemas de segurança, de acordo com os especialistas.

Quantas vacinas?

Em seu último comunicado a respeito, em 6 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra 21 vacinas candidatas que estão em testes clínicos com seres humanos em todo o mundo (contra 11 em meados de junho).

Um terço dos testes acontece na China. O país, onde surgiu o SARS-CoV-2, vírus responsável pela pandemia, deseja ser o primeiro a oferecer uma vacina e não hesita em multiplicar as pesquisas.

Muitos testes estão em fase 1, ou seja, quando a segurança do produto é avaliada, ou em fase 2, quando a eficácia começa a ser analisada.

Dois estudos estão em fase mais avançada, a 3, quando a eficácia é medida em larga escala. São o projeto europeu da Universidade de Oxford, em cooperação com a empresa farmacêutica AstraZeneca, e o projeto chinês do laboratório Sinovac, em associação com o instituto de pesquisas brasileiro Butantan.

Neste último, o governo do estado de São Paulo começará a testar em 20 de julho a vacina do laboratório chinês em 9.000 voluntários.

Além dos testes já iniciados, a OMS registra 139 projetos de vacinas candidatas que estão em fase pré-clínica.

Quais técnicas?

Algumas equipes trabalham com vacinas clássicas, ou seja, as inativadas, que utilizam a versão morta do germe que provoca a doença, ou as chamadas ‘vivas’, que usam uma forma debilitada (ou atenuada) do germe que provoca uma enfermidade.

Também existem as vacinas de subunidades, que utilizam partes específicas do germe, como sua proteína, para oferecer uma resposta imune.

Há também as que utilizam outros vírus como suporte, o transformam e o usam para combater o que provoca a COVID-19.

E por fim, outros métodos novos promissores são explorados, que usam DNA ou RNA, as moléculas portadoras de instruções genéticas, para fabricar uma vacina.

“Quanto mais vacinas candidatas, mais oportunidades teremos para conseguir algo coisa”, resume à AFP Daniel Floret, vice-presidente da Comissão Técnica de Vacinas da França.

Resultados?

Até o momento há apenas resultados parciais publicados, alguns deles considerados “promissores” pelos laboratórios.

Mas a prudência deve imperar, destaca o imunologista francês Jean-François Delfraissy.

Por exemplo, “uma injeção aplicada em 30 pessoas não pode ser considerada um resultado”, explica.

Os comunicados dos laboratórios são destinados ao grande público, mas também estão impregnados de interesses financeiros. As empresas querem mostrar que os processos avançam, mas o que conta são os resultados. “E no momento não há resultados”, disse Floret.

Rápido e eficiente?

Em todo o mundo, as pesquisas aceleram, em um movimento inédito.

“Avança muito rápido, talvez mais rápido do que se previa”, explica à AFP Christophe d’Enfert, do Instituto Pasteur.

Governos e fundações iniciaram campanhas para arrecadar fundos e os Estados Unidos estão sozinhos na corrida, ao contrário de outros países, que uniram esforços.

O governo de Donald Trump lançou a operação que recebeu o nome “Warp Speed” para tentar produzir 300 milhões de doses de vacina efetiva até janeiro de 2021, com o objetivo de fornecer o produto de maneira prioritária aos americanos.

As empresas estão pesquisando e ao mesmo tempo preparando o sistema industrial para fabricar a vacina, quando normalmente “se espera os resultados” antes de lançar a segunda etapa, afirma Delfraissy.

Problemas de segurança?

“Para autorizar uma vacina contra a COVID-19, os testes clínicos terão que apresentar provas suficientes sobre sua segurança, eficácia e qualidade”, advertiu a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

E seguir muito rápido “pode gerar problemas” em termos de segurança, de acordo com Daniel Floret, que destaca que “um dos pontos chave é fornecer a prova de que a vacina não pode exacerbar a doença”, ou seja, agravar o quadro médico das pessoas vacinada, o cenário totalmente oposto do que é almejado.

Já aconteceu no passado com os macacos, “quando foram testadas vacinas contra o MERS-CoV e a Sars”, outros dois coronavírus.

No homem, o fenômeno do agravamento da doença aconteceu nos anos 1960 com vacinas contra o sarampo, que foram retiradas do mercado, e a bronquiolite do recém-nascido, recorda Floret.

Quando chegará a vacina?

A EMA calcula que será necessário aguardar “pelo menos até o início de 2021 para que uma vacina contra a COVID-19 esteja pronta para a aprovação e disponível em quantidades suficientes” para uso mundial.

Os mais otimistas acreditam em um prazo mais rápido.

“Não tenho certeza de que é muito realista afirmar isto. Precisamos moderar o entusiasmo”, afirma Floret.

“Se conseguirmos no primeiro trimestre de 2021 já será uma grande conquista, porque estes processos levam normalmente vários anos”, completa.

E se nunca for produzida?

O mundo sonha com a vacina, mas é possível que nunca seja produzida?

Efetivamente, “não é algo que deve ser considerado como certo”, admite Delfraissy. “Nunca fabricamos uma vacina contra um coronavírus, mas também nunca tivemos tantos meios para fazer isto”, considera.

“Há uma certa preocupação sobre a capacidade de conseguir fazer isto (…) mas temos os recursos. Várias técnicas estão sendo examinadas e seria surpreendente se não conseguíssemos”.

E quando a pesquisa terminar, uma pergunta permanecerá no ar: as pessoas aceitarão a vacina apesar do receio crescente sobre a vacinação ao redor do planeta?

“Como as sucessivas epidemias de sarampo demonstram, não somos muito bons no momento de responder à preocupação das pessoas a respeito das vacinas. Se não aprendermos com os erros, todo o programa de vacinas contra o coronavírus estará condenado de antemão”, escreveu a pediatra americana Phoebe Danziger, em uma coluna publicada na quinta-feira pelo New York Times.

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Ciência

Cientistas buscam vida em Marte, prioridade das viagens espaciais

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Marte é o único local do universo em que a humanidade tem possibilidades concretas de encontrar provas de vida extraterrestre do passado

Espaço: a busca por sinais de vida em Marte – presente ou passada – ocupa os cientistas há séculos e produziu imagens de ficção científica (AFP/AFP Photo)

Marte é o único local do universo em que a humanidade tem possibilidades concretas de encontrar provas de vida extraterrestre pretérita e essa busca intensa poderia, enfim, render frutos com o envio de três novas missões ao planeta vermelho.

Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos vão aproveitar o posicionamento celeste favorável deste verão no hemisfério norte para enviar uma série de robôs, tanto para orbitar quanto para pousar em Marte.

“Marte é a prioridade das explorações espaciais, visto que sabemos que há bilhões de anos era habitável”, explicou Jean-Yves Le Gall, presidente da agência espacial francesa CNES, responsável por um dos principais instrumentos da missão “Marte 2020”, da Nasa.

Enquanto a Lua é “desesperadamente vazia de vida”, Marte tem sido “promissor neste sentido desde o século XVII”, quando se observou a possível presença de água em forma de gelo em seu polo sul, explica o astrofísico Francis Rocard.

Em 1976, duas missões de pouso do programa americano Viking forneceram pela primeira vez dados ‘in situ’ sobre sua atmosfera e solo… Concluindo na ausência de vida na superfície.

“Foi uma decepção”, que desacelerou a exploração marciana durante 20 anos, explicou à AFP Rocard, especialista em sistema solar.

“Faltou mudar a estratégia com uma nova doutrina: ‘Seguir a água, o carbono, a luz!’”, os elementos que pressupõem a formação de organismos vivos, prosseguiu.

No começo dos anos 2000, a descoberta de que em algum momento houve água em estado líquido acendeu paixões e desde então cada missão aporta “cada vez mais provas de que Marte não está tão morto quanto se acredita”, segundo o biólogo Michel Viso.

Marte: cientistas acreditam que cerca de 4 bilhões de anos atrás, Terra e Marte tinham o potencial para abrigar a vida

Marte: cientistas acreditam que cerca de 4 bilhões de anos atrás, Terra e Marte tinham o potencial para abrigar a vida (AFP/AFP Photo)

Gráfico sobre a Perseverance, o novo veículo de exploção espacial da NASA que deverá chegar em Marte em 2021

Gráfico sobre a Perseverance, o novo veículo de exploção espacial da NASA que deverá chegar em Marte em 2021 (AFP/AFP Photo)

A história da água

O trabalho do veículo “rover” Perseverance, da Nasa, cuja chegada a Marte está prevista para fevereiro de 2021, gera grandes expectativas.

Complementar do robô Curiosity, que opera em uma cratera marciana desde 2012, o Perseverance elegeu domicílio em um entorno inexplorado até agora: a cratera Jezero, da qual recolherá amostras para trazê-las para a Terra, uma novidade completa.

Esta bacia de 45 km de diâmetro é um terreno ideal para conservar o rastro de uma vida passada na superfície: é rica em rochas sedimentares e seu relevo em forma de delta é atribuído à desembocadura de um antigo rio.

Além disso, ao estudar a geologia de Jezero, o “rover” poderá caracterizar o entorno geoquímico que deu origem à superfície aquática, permitindo compreender a “história da água” em Marte, segundo Rocard.

“De fato, houve água em Marte, mas a questão que nos deixa loucos é: por quanto tempo? Quanto mais longo fosse este período, mais possibilidades haveria de que se criasse alguma forma de vida”, segundo este astrofísico.

A ciência ignora quanto tempo foi necessário que houvesse água na Terra para permitir a vida, nem quando apareceu exatamente.

Consequentemente, decifrar a história de Marte suporia também esclarecer a da Terra, assim como compreender por que a vida desapareceu no primeiro e perdurou no segundo, apesar de ambos reunissem as mesmas condições há quatro milhões de anos.

No nosso planeta azul, os primeiros vestígios de vida datam de 3,5 bilhões de anos, mas “certamente começou antes”, segundo Jorge Vago, especialista científico da Agência Espacial Europeia (ESA), cuja missão “ExoMars” partirá em 2022 para esquadrinhar o solo marciano.

Mas a atividade tectônica das placas terrestres, que renova com frequência a crosta em profundidade, impede a preservação da vida ancestral e, por isso, impossibilita encontrar seus vestígios.

Marte, ao contrário, é isento de tectônica, razão pela qual é suscetível de ter conservado em suas entranhas a marca de uma vida “original”, de mais de 4 bilhões de anos.

Fragmentos decisivos

E se nunca houve vida? A análise de amostras marcianas na Terra, aguardada pelos cientistas há anos, será sem dúvida decisiva para determinar uma resposta, graças ao trabalho de instrumentos inovadores, como os síncrotrons (aceleradores de partículas).

“Se houver algo, saberemos através destas amostras”, resume Viso.

Mas não antes de dez anos, visto que o retorno à Terra será uma missão extremamente complexa.

“E cuidado: não vamos nos deparar com uma chave-mestre: o mais provável é um conjunto de presunções que poderia nos levar a dizer, ‘Sim, estas moléculas são, sem dúvida, restos de uma atividade metabólica, microbiana, por exemplo’”, afirma.

Há outros locais com potencial para abrigar vida extraterrestre no universo, como Encélado e Europa, luas que orbitam, respectivamente, Saturno e Júpiter. Mas partir em busca de amostras ou perfurar sua espessa camada de gelo por enquanto está nos domínios da ficção científica

 

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terça-feira, 14 de julho de 2020

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