Nas redes sociais, a rotina mostrava fotos de um casal apaixonado, com trocas de beijos e declarações de amor. No entanto, por trás dessa imagem, existia uma complexa operação financeira que sustentava um grupo criminoso no Distrito Federal.
Krislaine Albuquerque Miranda, companheira do presidiário Bruno da Silva Santarém Ataídes, conhecido como “Xita”, foi presa preventivamente nesta quinta-feira (29/10). A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) aponta que ela atuava como uma das responsáveis pelo esquema de lavagem de dinheiro da facção Comboio do Cão (CDC).
A prisão faz parte da segunda fase da Operação Fittizia, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor). Cerca de 40 policiais civis cumpriram cinco mandados de prisão preventiva e medidas de bloqueio patrimonial no Distrito Federal e no estado da Paraíba.
Histórico de violência
Bruno Santarém é conhecido nos registros policiais. Ele foi um dos autores do homicídio de Wagner Faria de Queiroz, ocorrido em outubro de 2020 em Taguatinga. Em janeiro de 2021, durante uma operação policial, tentou fugir atropelando um delegado.
Em suas propriedades, a polícia encontrou um arsenal que incluía munições, colete balístico e uma pistola com numeração adulterada.
Empresas de fachada e contas bancárias
Após a prisão de Bruno com documentos falsos, a polícia descobriu empresas abertas com documentação fraudulenta. Krislaine usava suas contas pessoais para movimentar o dinheiro da facção, operando uma rede financeira paralela.
Na primeira fase da Operação Fittizia, realizada em novembro de 2024, 14 pessoas foram presas temporariamente. A investigação revelou o papel estratégico de Krislaine no esquema.
Métodos de lavagem
- Abertura de empresas fictícias com documentos falsos para simular atividades legais.
- Uso de contas de terceiros para movimentar dinheiro e dificultar o rastreamento.
- Falsificação de vendas por meio de maquininhas de cartão para inserir dinheiro ilegal no sistema financeiro.
- Movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Ação judicial
Com a conclusão do inquérito, a 10ª Promotoria de Justiça Criminal de Taguatinga denunciou formalmente o grupo. A Justiça determinou a prisão preventiva de 15 suspeitos e bloqueou bens, incluindo imóveis e veículos, no Distrito Federal e em Goiás.
O grupo responderá pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 18 anos de prisão, além de multa, caso sejam condenados.

