Após as eleições, um movimento de boicote contra empresas associadas à esquerda tem ganhado força em Goiás. Empresários receberam postagens nas redes sociais pedindo que não contratem eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ameaças de demissão por motivos políticos aumentaram.
O Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) já contabilizou 15 novas denúncias de assédio eleitoral após o segundo turno, somando 57 casos no estado. Grande parte dos processos corre em sigilo para proteger os denunciantes. Nacionalmente, o número de denúncias ultrapassou 240 em menos de 24 horas após a votação.
Em Goiânia, listas com nomes de empresas consideradas ligadas à esquerda circularam em aplicativos de mensagens e redes sociais, atingindo também influenciadores digitais. Uma influenciadora publicou uma dessas listas, mas a retirou do ar após ser informada de erro na inclusão de uma doceria local, pedindo desculpas públicas pelo equívoco.
A procuradora-chefe do MPT-GO, Milena Costa, explicou que demissões motivadas por discriminação política podem ser anuladas na Justiça do Trabalho. O trabalhador prejudicado pode optar por reintegração ao emprego com pagamento retroativo ou indenização em dobro do período afastado, além de possível indenização por danos morais ao trabalhador.
O MPT-GO recomenda que vítimas ou testemunhas de assédio eleitoral registrem oficialmente as ocorrências pelo site do órgão, podendo manter a identidade em sigilo. A coleta de provas é fundamental para o avanço das investigações.

