Um mural foi inaugurado para homenagear Edison Carneiro, um importante pesquisador e estudioso da cultura popular. A obra fica no terraço do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no bairro do Catete, zona sul do Rio de Janeiro. Esse mural faz parte do projeto Negro Muro e está localizado no Museu do Folclore Edison Carneiro, que foi dirigido pelo próprio Edison Carneiro entre 1960 e 1964.
No mural, Edison Carneiro aparece vestido com um terno branco, caminhando alegremente por Salvador, sua cidade natal, segurando seus livros. Ele é chamado de “intelectual feiticeiro” pelo escritor Jorge Amado, seu amigo e companheiro de militância no Partido Comunista – uma referência que também está presente no mural. Edison Carneiro também é representado como Exu, um orixá simbólico que liga diferentes mundos. Ao redor dele, há referências à cultura popular, como um boizinho de barro, capoeiristas e um livro sobre samba, que ele pesquisou e ajudou a divulgar.
Edison Carneiro é uma figura importante nos estudos sobre as relações étnico-raciais, folclore, cultura popular e religiões afro-brasileiras. Ele foi um dos primeiros a defender a liberdade religiosa, escrevendo artigos e textos acadêmicos em uma época em que essas manifestações eram mal vistas. Ele também ficou conhecido por fazer conexões entre terreiros famosos e pesquisadores nacionais e internacionais.
O mural inclui oferendas, galinhas, figuras mitológicas e uma mãe de santo segurando ervas, além de uma pequena imagem de Exu que Edison Carneiro tinha em casa. Destacam-se também os seus livros “A Carta do Samba” (1962) e “Quilombo dos Palmares” (1947).
O projeto Negro Muro recebeu o apoio do Museu do Folclore para realizar a pintura. O pesquisador Pedro Rajão, que faz parte do projeto, estudou a vida e obra de Edison Carneiro e ressaltou a importância de conectar o mural ao bairro onde ele está.
Durante a inauguração, foi firmado um acordo para ampliar o Museu do Folclore, em parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A nova parte do museu será construída nos jardins do Museu da República, ao lado do Museu do Folclore.
