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segunda-feira, 09/03/2026




Mulheres negras são a maioria das vítimas de feminicídio no Brasil

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Em Brasília

Entre 2021 e 2024, as mulheres negras representam 62,6% dos casos de feminicídio no Brasil, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado na quarta-feira (4). O estudo analisou 5.729 registros oficiais, mostrando que 36,8% das vítimas eram mulheres brancas, enquanto indígenas e amarelas totalizavam 0,3% cada grupo.

Para a diretora executiva do FBSP, Samira Bueno, a alta proporção de mulheres negras vítimas evidencia a vulnerabilidade dessa população. O relatório destaca que o feminicídio está ligado não apenas à violência de gênero, mas também a problemas estruturais, como a desigualdade racial.

Metade das vítimas tinha entre 30 e 49 anos, período produtivo e reprodutivo em que muitas sustentam suas famílias. Quanto aos agressores, 59,4% eram companheiros atuais, 21,3% ex-companheiros e 10,2% outros parentes. Assim, oito em cada dez feminicídios envolveram homens próximos, e somente 4,9% foram cometidos por desconhecidos.

O FBSP destaca que 97,3% dos crimes foram praticados exclusivamente por homens, refletindo padrões de masculinidade ligados a controle e poder. A maioria dos assassinatos (66,3%) ocorreu na casa da vítima, seguida por 19,2% em espaços públicos. Usaram-se armas brancas em 48,7% dos casos e armas de fogo em 25,2%, indicando confrontos diretos dentro de ambientes domésticos.

Em 2024, metade dos feminicídios aconteceu em municípios com até 100 mil habitantes, que abrigam 41% das mulheres do país. Porém, somente 5% dessas cidades possuem delegacia da mulher e 3% casa-abrigo, mostrando carência de estruturas de proteção. Cidades médias (100 mil a 500 mil habitantes) concentraram 25% dos casos, com 81% tendo delegacias especializadas, enquanto grandes centros (acima de 500 mil habitantes) tiveram os mesmos 25%, com 98% de delegacias específicas.

Samira Bueno defende a ampliação de políticas públicas, aproveitando serviços já existentes como Unidades Básicas de Saúde e centros de assistência social. Embora a Lei Maria da Penha seja reconhecida, há desigualdade territorial na oferta de proteção. O FBSP sugere usar os equipamentos disponíveis em municípios pequenos para fortalecer a rede de apoio sem necessidade de criar novas estruturas físicas.

*Com informações da Agência Brasil




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