O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem suas raízes em protestos e marchas históricas, como a realizada em 1908, em Nova York, e a greve na Rússia, em 1917, por melhores condições de trabalho e direitos. Embora muitos avanços tenham sido conseguidos, como o direito ao voto e maior participação política, ainda enfrentamos desafios sérios em 2026, principalmente relacionados à igualdade salarial, respeito e segurança para as mulheres.
No Brasil, a violência contra a mulher é uma triste realidade. Em 2025, mais de 1.500 mulheres foram vítimas de homicídio por motivo de gênero, uma média alarmante. No Distrito Federal, o número de feminicídios aumentou, evidenciando a necessidade urgente de ações eficazes para proteger a vida das mulheres.
Mais de um século após as primeiras lutas, a demanda por reconhecimento dos direitos das mulheres e pelo fim do tratamento objetificante ainda permanece viva.
Em Brasília, centenas de mulheres participaram da mobilização anual em frente à Funarte, reforçando a luta pela igualdade e pela redução da violência de gênero. A professora de história Vilmara Pereira do Carmo destacou a importância da prevenção, educação contra o machismo e a punição dos agressores, além da necessidade de apoio às vítimas por meio de políticas públicas eficazes, como a implementação das Casas da Mulher Brasileira no Distrito Federal.
Vilmara enfatizou que a união e organização das mulheres são essenciais para avançar na conquista de direitos e combater as desigualdades:
“Só conseguiremos vencer a violência e a desigualdade se estivermos juntas e organizadas. Foi essa união que nos trouxe até aqui e que nos levará ainda mais longe.”
A enfermeira Marcela Vilarim de Maria ressaltou a participação importante da enfermagem no movimento, grupo majoritariamente feminino que enfrenta violência de gênero tanto no ambiente doméstico quanto no trabalho. Ela apontou o aumento das agressões verbais e físicas contra profissionais de saúde, relacionados à precarização do sistema público, que gera insatisfação nos usuários e acaba sendo direcionada aos trabalhadores da área.
Para Marcela, a luta do sindicato da enfermagem na marcha visa garantir melhores condições de trabalho, valorização da categoria e, sobretudo, a existência digna das mulheres na profissão:
“Precisamos existir enquanto mulheres para exercer nossa profissão com dignidade.”
O 8 de março é mais que uma data simbólica, sendo um marco social e político. Mulheres em Brasília e em todo o país continuam a ocupar espaços públicos para lembrar que, apesar dos progressos, a igualdade plena ainda é uma meta em construção e a luta histórica pelo direito à vida e à dignidade segue firme.
