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Brasil

Mulher morta em mercado sofria violência no relacionamento, diz amiga

Foto: Reprodução

FRANCISCO LIMA NETO
FOLHAPRESS

Uma amiga de Angelita Manoela Rodrigues, 40 anos, que foi morta a facadas pelo companheiro dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo no domingo (16), revelou que o relacionamento do casal era cheio de problemas, com muita violência e ameaças. “Ela sempre ia trabalhar com machucados no rosto. Todo mundo na empresa sabia”, conta Leila Lira, 45 anos.

Leila disse que Angelita e Lafayete Gonzaga da Silva, 40 anos, estavam juntos há dez anos. “Ele era agressivo, controlava ela e a humilhava na frente das pessoas”, afirmou.

Os dois trabalharam junto com Leila em uma empreiteira, onde Angelita era auxiliar de limpeza e Lafayete eletricista. Segundo Leila, ele frequentemente a ameaçava, discutia e a agredia tanto verbal quanto fisicamente.

“Eu e minhas amigas tentávamos conversar com ela para ajudar. Cheguei a convidá-la para morar comigo, mas ela recusava porque ele ameaçava todos que tentavam ajudar”, relata.

As amigas chegaram a alugar uma casa para que Angelita pudesse se afastar do agressor, e ela chegou a sair de casa para morar lá. No entanto, Lafayete foi atrás dela, dizendo que mudaria. Ela tinha um coração bondoso e acreditava nessa mudança, apesar do medo das ameaças.

Leila conta que o agressor bebia muito e chegava em casa embriagado, agredindo a amiga. Ele foi demitido do trabalho por chegar bêbado e causar medo por mexer com eletricidade.

Angelita acabou sendo dispensada do emprego por faltar, já que muitas vezes ficava machucada após as agressões, chegando a faltar até uma semana.

“A vida dela era difícil. Em uma ocasião, ele a expulsou de casa, queimou suas roupas e ela passou a noite na rua. Uma mulher a ajudou, mas ele a ameaçou. Minhas filhas deram roupas para ela, mas ele também ameaçou elas”, conta Leila.

Ela não tinha família em São Paulo e vivia muito dependente emocionalmente, pois sua família era do interior. “Ela era muito sozinha, só tinha a gente”, afirma.

“Ela era uma mulher boa, honesta e amorosa. Não merecia passar por isso. Eu queria poder ter feito mais, mas infelizmente não consegui”, lamenta Leila.

O Crime

O caso aconteceu próximo à praça Santa Clara de Assis, no Morro Grande, por volta das 13h. Lafayete foi até um supermercado e atacou Angelita pelas costas, desferindo várias facadas enquanto ela estava na fila do açougue, onde havia outros clientes. Isso causou confusão e pânico no local.

Algumas pessoas tentaram impedir o agressor, mas ele conseguiu fugir correndo do supermercado. A Polícia Militar foi chamada e encontrou Angelita gravemente ferida. Ela foi levada ao Hospital Municipal da Brasilândia, mas não resistiu aos ferimentos.

Após o crime, Lafayete foi encontrado caído em uma calçada com ferimentos nos pés. Antes de atacar Angelita, ele também matou a cachorra dela a facadas.

Lafayete foi preso e levado à delegacia. O caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica e abuso de animais na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher.

No depoimento, conforme a polícia, ele afirmou estar arrependido por ter causado a morte da vítima.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo informou que ele passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, sem prazo determinado. O caso corre em segredo de Justiça e não foi possível confirmar se ele tem advogado.

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