O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou à Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) a abertura de uma investigação para apurar o uso do Centro de Treinamento Operacional (CTO) da corporação pelo movimento Legendários, durante o evento “FIRE Experience 004”.
Segundo apurado, a estrutura militar, que é destinada ao treinamento dos bombeiros e à segurança da população, foi utilizada pelo grupo privado para realizar um encontro particular. A investigação visa esclarecer as condições de uso das instalações, a participação dos militares envolvidos e o possível uso de recursos públicos.
Documentos indicam que 18 militares receberam Gratificação de Serviço Voluntário (GSV) para atuar na segurança interna do evento, realizado em 26 de setembro. O MPDFT requisitou documentos que comprovem a autorização para uso do espaço, escalas de trabalho e pagamentos relacionados, além de imagens das câmeras de segurança e registros de entrada e saída.
Durante o evento, o acesso ao CTO foi restrito exclusivamente a militares escalados e aos membros do grupo. Foram montadas tendas para acomodar os participantes e uma estrutura de suporte que incluía banheiros químicos.
O custo para participar do encontro foi de R$ 1.988 por pessoa, e as instalações ficaram inacessíveis para o público e para as atividades regulares dos bombeiros.
A GSV, verba pública destinada para remunerar militares que atuam em serviço voluntário, teria sido usada para custear a segurança do evento privado, o que gera questionamentos sobre a legalidade dessa prática.
O movimento Legendários informou que o evento teve como objetivo capacitar voluntários para atuarem em situações de emergência, desastres e primeiros socorros, em conformidade com as normas do CBMDF e a legislação vigente.
Por sua vez, o CBMDF afirmou que o grupo utilizou a estrutura para receber instruções e que a atividade não prejudicou o funcionamento da corporação. Segundo a corporação, a capacitação de civis para atuarem em situações de desastre pode contribuir para uma resposta mais eficiente em emergências.

