O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) elaborou um planejamento detalhado para apoiar um evento privado do grupo Legendários, que cobrou R$ 1.988 por participante e envolveu cerca de 80 pessoas. A suspeita de uso indevido das instalações do Centro de Treinamento Operacional (CTO), um espaço estratégico mantido com recursos públicos, levou o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) a requisitar a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar o caso.
O documento interno da corporação, denominado “Operação Legendários”, mostra que o CBMDF destinou equipes para assegurar a segurança e o suporte durante o encontro, ocorrido entre os dias 25 e 27 de setembro. A operação envolveu a mobilização de vários setores, como o Comando Operacional (COMOP) e a Seção de Serviço Voluntário (SECSV), que organizaram escalas de trabalho e liberaram 18 cotas de Gratificação de Serviço Voluntário (GSV) para os militares, destinada normalmente para reforçar o socorro e a segurança da população em dias de folga.
Durante o evento, as instalações militares ficaram fechadas para o público e para o serviço normal de emergência, com acesso restrito apenas aos participantes e aos militares escalados para apoio. O espaço foi adaptado para abrigar barracas para pernoite, uma “lojinha” vendendo produtos com a marca do grupo e banheiros químicos para atender os participantes.
A utilização de recursos públicos para um encontro privado gerou forte insatisfação dentro da corporação. Fontes militares relataram preocupação com o uso de verbas e a restrição da rotina do CTO, que é destinado à capacitação técnica dos bombeiros para combate a incêndios e resgate de vidas.
O comando do CBMDF foi procurado para esclarecimentos, mas não respondeu até a publicação da matéria. O movimento Legendários declarou que o treinamento teve como objetivo a capacitação técnica de voluntários para atuar em situações de emergência, desastres e defesa civil, seguindo as normas do CBMDF e a legislação brasileira sobre voluntariado.

