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Tecnologia

Modelo chinês é inferior a ChatGPT e Claude, mas fortalece tecnologia brasileira

Foto: Bloomberg / Getty Images

Detalhes importantes sobre a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China foram revelados recentemente. A startup chinesa Moonshot AI divulgou o relatório técnico do modelo Kimi K3 e disponibilizou o download da tecnologia.

Testes iniciais mostram que o Kimi K3 não é tão avançado quanto as versões mais recentes do ChatGPT e Claude, mas ainda assim supera o Google em alguns aspectos e pode ser usado com um custo menor do que os modelos americanos.

O Kimi K3 foi apresentado em um evento global em Xangai no dia 17 de julho. No mesmo dia, o líder chinês Xi Jinping declarou-se contra o controle tecnológico por um único país e criticou as restrições impostas às tecnologias chinesas.

Rodrigo Nogueira, doutor em inteligência artificial pela New York University e fundador da Maritaca AI, empresa brasileira, destaca que o Kimi K3 trabalha com grandes volumes de texto e é eficiente em tarefas de programação, seguindo as tendências da OpenAI e Anthropic de criar IAs mais autônomas.

Com a liberação pública, qualquer pessoa ou empresa pode baixar o modelo chinês, que compete com as principais tecnologias americanas. Contudo, para utilizá-lo plenamente, é preciso uma infraestrutura robusta, como uma rede de supercomputadores.

Os requisitos técnicos são altos: pelo menos 480 GB de memória e oito chips H100 da Nvidia, com custo elevado. A operação em nuvem independente das grandes empresas pode custar cerca de R$ 500 mil, valor considerado menor que o das principais concorrentes americanas.

Apesar das dificuldades, mais de 2.800 pessoas já baixaram a tecnologia, mostrando o interesse dos pesquisadores.

Empresas brasileiras veem a chegada do Kimi K3 como uma oportunidade para desenvolver soluções personalizadas, já que os modelos americanos não permitem edição. Rodrigo Nogueira explica que o Kimi pode ajudar a treinar novos modelos, gerar dados e aprimorar análises no mercado de IA.

O professor Rodolfo Avelino, do Insper, acredita que o Brasil deve aproveitar essas IAs abertas para diversificar parcerias e investir em autonomia tecnológica.

Segundo Rodrigo Nogueira, muitas empresas brasileiras já migraram para a nuvem, dependendo menos de data centers próprios, ao contrário de outras regiões como o Oriente Médio, onde há preferência por sistemas locais.

O lançamento do Kimi K3 também levanta preocupações em segurança digital, já que pode ser usado para identificar vulnerabilidades, mas também para fortalecer defesas de governos e empresas, conforme carta assinada por importantes companhias de tecnologia.

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