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Tecnologia

Ferramentas de IA ajudam leitores a conversar com livros

Foto: Emmanuel Dunand / AFP

Ler um livro e conseguir tirar dúvidas enquanto lê já é possível com as novas ferramentas de inteligência artificial (IA). Essas tecnologias permitem que os leitores façam perguntas sobre o conteúdo da obra e recebam respostas rápidas.

Mas essa inovação levanta questões sobre direitos autorais, pagamento para autores e editoras, e os limites legais do uso dos livros para alimentar sistemas de IA.

Alguns grupos de escritores alertam que esses recursos podem causar problemas se usados sem autorização ou sem remuneração para os criadores.

Com essas novas plataformas, quem lê livros digitais ou escuta audiolivros pode conversar com um robô, chamado chatbot, enquanto avança na leitura.

Ahmed Kamel, diretor da Sinai.ai, plataforma em teste, comenta que a interação faz o livro parecer vivo, tornando a experiência totalmente diferente.

Os leitores podem explorar a personalidade dos personagens, o contexto da história ou conceitos sem sair do livro para procurar informações extras.

Uma empresa francesa chamada My Smart Book criou uma ideia parecida com a da Sinai.ai, usando apenas o conteúdo do livro.

A Amazon, que começou como livraria online, entrou nessa tendência. Sua empresa de audiolivros, Audible, lançou no final de 2025 a função “Ask a Question” (Faça uma pergunta), que permite ao usuário fazer perguntas e retomar a escuta de onde parou.

Um representante da Audible explicou que a ferramenta responde dúvidas sobre o audiolivro que o usuário está ouvindo no momento.

A plataforma de livros digitais Kindle, da Amazon, tem função similar chamada “Ask this Book” (Pergunte a este livro).

A ElevenLabs, uma empresa de tecnologia de voz com IA, criou a “ElevenReader Voice Chat”, que transforma qualquer livro em uma conversa de duas vias.

– Quem ganha? –

O debate principal é sobre quem pode criar esses serviços e quem lucra com eles.

A Sinai.ai garante que usa apenas livros que estão em domínio público ou que têm autorização dos autores, herdeiros ou editoras.

Outra empresa, a iChatbook, tem uma abordagem diferente.

Brian Yang, fundador, explica que seus livros conversacionais não são bibliotecas de livros, mas de ideias e dados. A IA resume e explica as ideias principais sem citar o livro, evitando problemas de direitos autorais.

Nem todas as plataformas têm essa preocupação. Algumas, como a Myreader, permitem que o usuário carregue qualquer livro, protegido ou não, e o conecte à IA.

A ferramenta Google, NotebookLM (agora Gemini Notebook), e a BookWorm AI, baseada no ChatGPT, também não fazem filtro de direitos autorais.

A Sinai.ai diz ter criado um sistema chamado “direitos de IA”, que paga autores e editoras quando um chatbot usa suas obras.

A empresa negocia com grandes editoras americanas como Hachette, Penguin Random House, Simon & Schuster, HarperCollins e Macmillan.

Essas editoras não comentaram seus planos sobre IA.

Ahmed Kamel afirma ter acordos com editoras nos Estados Unidos e no Oriente Médio.

Mas nem todos aprovam a tecnologia.

Em dezembro, o sindicato americano Authors Guild criticou a função “Ask this Book”, da Amazon, por ser um precedente perigoso.

Segundo o sindicato, a ferramenta não tem autorização legal para usar os conteúdos, não gera receitas extras e não permite que autores ou editoras saiam do sistema ou optem por participar voluntariamente.

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