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Política

Milhares protestam contra Bolsonaro antes do segundo turno

Foto por PABLO PORCIUNCULA / AFP

Milhares de pessoas participaram nesta quarta-feira (7) de uma caminhada no Rio de Janeiro para demonstrar descontentamento com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato favorito no segundo turno das eleições presidenciais, e contra a volta da extrema direita ao governo do país.

Com os slogans “Bolsonaro Nunca Mais” e “Não ao pai, não ao filho”, jovens e idosos se uniram ao protesto estudantil depois que o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), liderou o primeiro turno no último domingo.

Flávio enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

“Estou aqui porque acredito na democracia e estou com medo”, disse Alice Carneiro, de 25 anos, administradora de navegação, emocionada pelo receio de que a vitória de Flávio prejudique sua esposa, que é transexual.

Os manifestantes criticaram a gestão do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de covid-19, que ele chegou a minimizar como uma “gripezinha”, e que causou a morte de mais de 700 mil pessoas no Brasil.

“Eu lembro da minha família correndo risco durante a pandemia (…) Lembro da rejeição à vacina”, afirmou Alice Carneiro.

Ao som de tambores e fogos, os manifestantes agitavam bandeiras com o lema “Fora Bolsonaro”, enquanto expressavam preocupação com o plano de Flávio de anistiar seu pai, que cumpre pena domiciliar de 27 anos por tentar um golpe de Estado após perder as eleições para Lula em 2022. Cartazes diziam “Ditadura nunca mais”.

Cortes

Flávio Bolsonaro prometeu reduzir de forma significativa o orçamento e elogiou as reformas econômicas do presidente argentino, Javier Milei.

O Brasil enfrenta aumento da dívida pública agravada por altas taxas de juros. O resultado do primeiro turno fez o Ibovespa atingir máximas históricas na última segunda-feira.

Os participantes do protesto ressaltaram os cortes feitos por Jair Bolsonaro nas universidades públicas, nas bolsas de estudos e no programa Farmácia Popular.

“É muito triste ver a ascensão da extrema direita e do bolsonarismo no Brasil”, disse Emmanuel Araujo, estudante de 19 anos que se prepara para fazer o Enem.

Iara Pinheiro, 16 anos e votando pela primeira vez, falou sobre seu medo: “Sou uma mulher negra. Acho que podemos perder direitos se Bolsonaro voltar. Podemos perder a democracia.”

Novas manifestações

Novos protestos contra a família Bolsonaro estão planejados para os próximos dias no país, enquanto Flávio e Lula ajustam suas campanhas para o segundo turno.

Flávio busca construir alianças e fortalecer sua mensagem de reduzir o Estado e modernizar os impostos. Também prometeu usar a maioria da direita no Congresso para promover reformas constitucionais.

Lula, que busca um quarto mandato, tem focado nas redes sociais, onde a direita tem mais presença. Aos 80 anos, gravou o primeiro vídeo em estilo selfie da campanha.

O vídeo foi publicado no Instagram e TikTok, e faz um chamado aos apoiadores: “Vamos para as ruas conversar com as pessoas que amam o Brasil, a educação, a democracia, querem empregos de qualidade, continuar estudando e ver o Brasil crescer. Quem quer melhorar de vida, bora para a rua!”

© Agence France-Presse

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