Nossa rede

Mundo

México exigirá visto de brasileiros para barrar imigração ilegal aos EUA

Publicado

dia

Ainda não se sabe quando a medida entrará em vigor

Bandeiras do México e dos EUA na frente da bolsa de Nova York (New York Stock Exchange) nos Estados UnidosBandeiras do México e dos EUA na frente da bolsa de Nova York (New York Stock Exchange) nos Estados Unidos (Lucas Jackson/Reuters)

O governo do México vai voltar a exigir vistos para brasileiros que desejarem entrar no país, informou um documento publicado nesta quinta-feira, 14, pelo governo mexicano. Ainda não se sabe quando a medida entrará em vigor.

Essa exigência apareceria como forma de desestimular a ida de brasileiros ao México que tentem migrar para os Estados Unidos por terra — a fronteira entre os dois países americanos vive uma crise migratória com alto fluxo de pessoas, incluindo cidadãos do Brasil.

O documento de um anteprojeto com a medida foi publicado nesta quinta-feira pela Comissão de Melhora Regulatória (Conamer), órgão do governo mexicano.

A exigência será temporária, até que os fluxos migratórios estejam “seguros, ordenados e regulares”, diz o documento. O governo brasileiro já foi comunicado da decisão.

“A Secretaria de Relações Exteriores comunicou o governo da República Federativa do Brasil da decisão do Estado mexicano de suspender de maneira temporária o acordo para supressão de vistos em passaportes ordinários”, diz o texto. O acordo vigorava desde 2013.

O número de brasileiros que têm usado a fronteira com o México para entrar irregularmente nos Estados Unidos aumentou neste ano. Até o final de setembro, 47.484 cidadãos do país foram detidos pela patrulha de fronteira americana, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA — um aumento de 400% em relação ao ano passado, quando 9.147 foram detidos no mesmo período. É bem mais do que o dobro do registrado em 2019, quando eram 18.000. Entre os detidos pelos agentes de fronteira, os brasileiros são os sextos mais numerosos.

A partir deste mês, os EUA passaram a enviar ao Brasil dois aviões por semana com brasileiros deportados, em vez de um.

Segundo o anteprojeto assinado pelo secretário de Governo mexicano, Adán Augusto López Hernández, a exigência de visto visa responder ao aumento “substancial” de brasileiros que entram no país para outra finalidade que não o turismo.

“Parte dessa situação se reflete nos fluxos migratórios, com a identificação de pessoas cujo perfil não se ajusta ao do turista genuíno e apresenta incoerências em sua documentação e informação, aumentando a possibilidade de que um número significativo de pessoas pretenda utilizar a supressão do visto indevidamente”, aponta o documento.

O governo mexicano pede que haja ações conjuntas dos dois países para possibilitar o uso “adequado” da supressão da necessidade de vistos. A medida passa a valer 15 dias após a publicação no Diário Oficial mexicano, o que ainda não ocorreu.

Senador dos EUA critica brasileiros “com roupa de grife”

O senador do Partido Republicano dos Estados Unidos Lindsey Graham afirmou, durante entrevista a uma rede de TV, que 40.000 brasileiros cruzaram a fronteira entre os Estados Unidos e o México “usando roupas de marcas e bolsas da Gucci”.

Ele, que faz parte do partido de oposição ao presidente Joe Biden, fez a afirmação à rede Fox News nesta quarta-feira, 13, mas não apresentou evidências do que afirmou.

“As escolhas políticas de Biden estão pelo mundo. Nós tivemos 40.000 brasileiros só no posto de fronteira de Yuma, indo para o estado de Connecticut usando roupas de marcas e bolsas da Gucci. Isso não é mais imigração econômica. As pessoas veem que os Estados Unidos estão abertos e tiram vantagem de nós, e não vai demorar muito para que um terrorista se misture a essa multidão.”

Mundo

Variante do Omicron Covid ‘presente na Europa há pelo menos 10 dias’

Publicado

dia

Por

Dois casos da nova variante de Covid encontrados na Holanda são anteriores ao alerta da África do Sul na semana passada

Os passageiros do aeroporto Schiphol de Amsterdã são testados para a variante Omicron na chegada. Fotografia: Remko de Waal / EPA

A variante Omicron do Covid-19 estava presente na Europa há pelo menos 10 dias, antes que os especialistas em saúde sul-africanos alertassem o mundo sobre suas preocupações em torno da transmissibilidade da variante recém-identificada.

A autoridade de saúde holandesa disse que encontrou a variante do Omicron em dois casos locais que remontam a 11 dias, mostrando que já estava no coração da Europa Ocidental antes que os relatórios saíssem da África do Sul em 24 de novembro.

O instituto de saúde RIVM disse ter encontrado Omicron em amostras datadas de 19 e 23 de novembro. Essas descobertas são anteriores aos casos positivos encontrados em passageiros que retornaram da África do Sul na sexta-feira passada e testados no aeroporto de Schiphol em Amsterdã.

Apesar da preocupação global, médicos na África do Sul relataram que os pacientes estão apresentando sintomas leves até o momento, mas alertam que é cedo. Além disso, a maioria dos novos casos ocorre em pessoas entre 20 e 30 anos que geralmente não ficam tão doentes com a Covid-19 quanto os pacientes mais velhos.

À medida que países ao redor do mundo divulgavam instâncias dispersas de Omicron, da Escócia a Hong Kong, Japão e França , o comportamento da variante parecia estar seguindo padrões anteriores de dispersão e identificação que viram as autoridades de saúde correrem para tentar recuperar o atraso, com a maioria dos casos relacionados para viajar para o sul da África.

A divulgação da presença da Omicron na Europa mais cedo do que se acreditava ocorreu quando o chefe da agência médica da União Europeia disse na terça-feira que estava pronto para lidar com a variante do Omicron e que levaria duas semanas para ter uma indicação se a atual Covid 19 vacinas seriam capazes de lidar com isso.

Emer Cooke, o diretor executivo da Agência Europeia de Medicamentos, disse que se fosse necessária uma nova vacina para combater o Omicron, levaria até quatro meses para que ela fosse aprovada para uso no bloco de 27 países.

“Estamos preparados”, disse Cooke aos legisladores da UE, acrescentando que a cooperação com a indústria médica já estava em andamento para se preparar para tal eventualidade. “Sabemos que em algum estágio haverá uma mutação que significa que temos que mudar a abordagem atual.”

O surgimento da variante, que apresenta um número excepcionalmente grande de mutações em sua proteína de pico, gerou proibições de viagens e novas restrições em vários países, à medida que outros – incluindo o Reino Unido – agiram para acelerar os programas de vacinação .

Enquanto a esmagadora maioria dos casos atuais de coronavírus por trás do aumento de infecções no inverno em toda a Europa continuam a ser a variante Delta, alguns especialistas temem que o Omicron possa escapar da proteção das vacinas e competir com a Delta pelo domínio.

Até terça-feira, 42 casos da variante Omicron foram identificados em 10 países europeus, de acordo com o chefe da agência de saúde pública da UE.

As autoridades do bloco estavam analisando outros seis casos “prováveis”, disse Andrea Ammon, que preside o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), em uma conferência online, acrescentando que os casos confirmados foram leves ou sem sintomas, embora em grupos de idade mais jovens .

“Para avaliar se [Omicron] escapa da imunidade, ainda temos que esperar até que sejam feitas as investigações nos laboratórios com soros de pessoas que se recuperaram. Espera-se que isso aconteça em algumas semanas ”, disse ela.

Passageiro testado para a variante Omicron no aeroporto de Schiphol em Amsterdã.

Faixa de teste de coronavírus no aeroporto de Schiphol para viajantes da África do Sul. Fotografia: Remko de Waal / EPA

 

A variante foi detectada em dois médicos israelenses, um dos quais voltou de uma conferência em Londres na semana passada. O médico que voltou da Grã-Bretanha provavelmente infectou seu colega, disse um porta-voz do Sheba Medical Center, perto de Tel Aviv, acrescentando que os dois receberam três doses da vacina Pfizer / BioNTech e até agora mostraram sintomas leves.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o risco global da variante Omicron é “muito alto” com base em evidências iniciais, dizendo que poderia levar a surtos com “consequências graves”.

O Japão confirmou seu primeiro caso na terça-feira, em um visitante recém-chegado da Namíbia, um dia depois de banir todos os visitantes estrangeiros como medida de emergência contra a variante.

Um porta-voz do governo disse que o paciente, um homem na casa dos 30 anos, testou positivo na chegada ao aeroporto de Narita, em Tóquio, no domingo. Ele foi isolado e está sendo tratado em um hospital.

A nova variante foi identificada pela primeira vez na semana passada por pesquisadores na África do Sul .

A OMS disse que há “incertezas consideráveis” sobre a variante Omicron. Mas disse que evidências preliminares levantam a possibilidade de que a variante tenha mutações que podem ajudá-la a evitar uma resposta do sistema imunológico e aumentar sua capacidade de se espalhar de uma pessoa para outra.

A OMS enfatizou que, enquanto os cientistas buscavam evidências para entender melhor a variante, os países deveriam acelerar as vacinações o mais rápido possível.

Ver mais

Mundo

OMS adverte que variante ômicron representa risco muito elevado para o mundo

Publicado

dia

Aumento do número de países em que foi detectada nova variante levou o G7 a convocar uma reunião de emergência.

(crédito: Mohd RASFAN / AFP)

Genebra, Suíça- A nova variante ômicron do coronavírus representa um “risco muito elevado” para o planeta, advertiu nesta segunda-feira (29/11) a Organização Mundial da Saúde (OMS), paralelamente ao aumento do número de países em que foi detectada, uma situação que levou o G7 a convocar uma reunião de emergência.

“Dadas as mutações que poderiam conferir a capacidade de escapar de uma resposta imune, e dar-lhe uma vantagem em termos de transmissibilidade, a probabilidade de que a ômicron se propague pelo mundo é elevada”, afirmou a organização, ao mesmo tempo que destacou que até o momento nenhuma morte foi associada à mutação.

“Em função das características podem existir futuros picos de covid-19, que poderiam ter consequências severas”, acrescentou a OMS em um documento técnico, que também apresenta conselhos às autoridades para tentar frear seu avanço. No momento ainda persistem muitas dúvidas sobre a virulência e transmissibilidade da variante.

A ômicron foi identificada pela primeira vez na semana passada na África do Sul.

O país da África registrou nas últimas semanas um rápido aumento dos contágios: no domingo foram 2.800 novos casos, contra 500 da semana anterior. Quase 75% das infecções contabilizadas nos últimos dias foram provocadas pela nova variante.

“Embora a ômicron não seja clinicamente mais perigosa e que os primeiros sinais ainda não sejam alarmantes, provavelmente veremos um aumento de casos devido à velocidade de transmissão”, disse o epidemiologista sul-africano Salim Abdool Karim, que prevê que o país alcançará 10.000 novos casos diários de coronavírus até o fim de semana.

Vários países já detectaram casos vinculados a esta variante, incluindo Reino Unido, Alemanha, Canadá, Holanda e Israel. E a lista aumentou nesta segunda-feira, com o anúncio de contágios em Portugal, Áustria e Escócia.

– Reunião do G7 –

Nesta segunda-feira, os ministros da Saúde do G7 (França, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) se reunirão “para discutir a evolução da situação sobre a ômicron”, em um encontro organizado em caráter de urgência em Londres, que tem a presidência temporária do G7.

“Sabemos que estamos em uma corrida contra o tempo”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes de destacar que os fabricantes de vacinas precisam de “duas a três semanas” para avaliar se as vacinas existentes continuam sendo eficazes contra a nova variante.

O conselheiro do governo dos Estados Unidos para a pandemia, Anthony Fauci, afirmou que continua “acreditando que as vacinas existentes devem fornecer um grau de proteção contra casos severos de covid”.

A covid-19 já provocou 5,2 milhões de mortes no mundo desde a detecção na China em dezembro de 2019, segundo o balanço estabelecido pela AFP.

O anúncio da detecção da nova variante provocou pânico e em poucas horas muitos países, incluindo Estados Unidos, Indonésia, Arábia Saudita e Reino Unido, adotaram restrições aos visitantes procedentes do sul da África.

Estas medidas foram consideradas um “castigo” pelas autoridades sul-africanas.

“É totalmente lamentável, infeliz e inclusive triste que até países africanos tenham adotado restrições de viagens”, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Clayson Monyela.

Na África, Angola, Ilhas Maurício, Ruanda e Seychelles interromperam os voos procedentes da África do Sul. O país teme consequências para sua economia e, em particular, o turismo.

Nesta segunda-feira, o Japão anunciou o fechamento de suas fronteiras para visitantes do exterior, apenas três semanas depois de flexibilizar algumas restrições. Israel, com um caso da nova variante confirmado no país, também proibiu a entrada em seu território de cidadãos estrangeiros.

E na Austrália, o governo suspendeu os planos de reabrir as fronteiras para determinados trabalhadores e estudantes.

“Com a variante ômicron detectada em várias regiões do mundo, a aplicação de restrições de viagens para a África é um ataque à solidariedade global”, declarou o diretor para a África da OMS, Matshidiso Moeti.

– Sintomas leves –

Poucos dias depois do anúncio por cientistas da África do Sul sobre a descoberta da nova variante, que tem mais mutações que as anteriores detectadas do coronavírus, o hospital Bambino Gesu de Roma conseguiu a primeira “imagem” da ômicron e confirmou que efetivamente tem mas mutações que a delta, mas isto não significa que é mais perigosa, de acordo com os pesquisadores

Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica Sul-Africana declarou à AFP que observou 30 pacientes nos últimos 10 dias que testaram positivo para covid-19 e se recuperaram sem a necessidade de hospitalização. O principal sintoma foi o cansaço.

Vários países reforçaram as restrições, inclusive com o retorno dos confinamentos, como Áustria e Holanda, onde aconteceram protestos, incluindo alguns que terminaram em confrontos violentos.

No Reino Unido, na terça-feira entrarão em vigor novas regras sanitárias, incluindo o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais e nos transportes públicos, assim como restrições para os passageiros procedentes do exterior.

 

Ver mais

Mundo

Magdalena Andersson eleita pela segunda vez primeira-ministra da Suécia

Publicado

dia

A primeira-ministra pelo Parlamento, foi eleita novamente uma semana depois de ter sido escolhida e renunciar poucas horas depois por falta de apoio.

(crédito: Jonas EKSTROMER / TT NEWS AGENCY / AFP)

Estocolmo, Suécia-A líder dos social-democratas da Suécia, Magdalena Andersson, foi eleita novamente primeira-ministra pelo Parlamento, uma semana depois de ter sido escolhida e renunciar poucas horas depois por falta de apoio.

Andersson, que será a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de Governo na Suécia, era ministra das Finanças até agora. Ela foi eleita com 173 votos contrários dos deputados, 101 a favor e 75 abstenções.

Na Suécia, um governo é aprovado se a maioria absoluta (175 deputados) não vota contra a candidatura.

Exceto por uma surpresa de último minuto, esta eleição fecha a transição de poder social-democrata após a saída do primeiro-ministro Stefan Löfven, que deixou o cargo no início do mês e a menos de um ano das eleições legislativas de setembro de 2022.

A apresentação do governo ao rei Carl XVI Gustaf, que estabelece oficialmente a posse, está prevista para terça-feira.

Na quarta-feira da semana passada, em um dia improvável no Parlamento, Magdalena Andersson foi eleita primeira-ministra, depois não conseguiu a aprovação de seu orçamento e renunciou após a retirada de apoio dos deputados ecologistas.

Com a saída dos Verdes, a nova primeira-ministra vai liderar um governo totalmente social-democrata.

Desde a criação do cargo em 1876, a Suécia nunca teve uma mulher como chefe de Governo, ao contrário dos outros países nórdicos.

Ver mais

Mundo

Pfizer já começou a trabalhar em versão de vacina anticovid contra a ômicron

Publicado

dia

Será realizado testes para avaliar a eficácia da vacina atual, desenvolvida com a BioNTech, contra a ômicron

(crédito: Frederic J. BROWN / AFP)

Nova York, Estados Unidos- A Pfizer já começou a trabalhar em uma nova versão de sua vacina anticovid direcionada mais especificamente para a variante ômicron, em caso de o imunizante atual não ser suficientemente eficaz contra esta cepa, afirmou nesta segunda-feira (29) o diretor-executivo da farmacêutica americana, Albert Bourla.

“Ainda há muitas coisas que não sabemos” sobre a nova variante, detectada no sul da África e considerada “preocupante” pela OMS, disse o executivo em uma entrevista para a rede americana CNBC.

“Saberemos o essencial do que precisamos saber em poucas semanas”, acrescentou.

A empresa vai realizar testes para avaliar a eficácia da vacina atual, desenvolvida com a BioNTech, contra a ômicron. Mas se “proteger menos e acharmos que há uma necessidade de criar uma nova vacina, já começamos a trabalhar desde sexta-feira. Fizemos nosso primeiro modelo de DNA, que é a primeira etapa do desenvolvimento de uma nova vacina”, explicou.

A Pfizer já criou duas novas versões de sua vacina em menos de cem dias, contra as variantes delta e beta, que acabaram não sendo usadas. “Em 95 dias, teremos a nova vacina contra a ômicron”, disse Bourla.

O laboratório Moderna, que também produz uma vacina contra a covid, anunciou na sexta-feira sua intenção de desenvolver uma dose de reforço específica para a ômicron.

O diretor da Pfizer afirmou, porém, que ainda confia na vacina que é distribuída atualmente, indicando que a farmacêutica usou “uma boa dosagem desde o início”.

A pílula anticovid desenvolvida pela Pfizer para tratar a doença, que apresentou uma eficácia de 89% contra hospitalizações e mortes em ensaios clínicos, foi também “desenvolvida com a ideia” de que haveria mutações do vírus, afirmou Bourla.

“Tenho confiança na capacidade (da pílula) de funcionar com todas as mutações, incluindo a ômicron”, enfatizou.

Ver mais

Mundo

Brasil é país latino-americano com menor rejeição à vacina, diz Banco Mundial

Publicado

dia

Enquanto a taxa média de hesitação vacinal na América Latina está em torno de 8%, no Brasil, ela é menos do que a metade, cerca de 3%

Foto Carlos Bassan (Fotos Públicas)

O Brasil é o país com o menor percentual de população que declara não querer tomar a vacina contra covid-19 na América Latina.

É o que concluiu uma pesquisa feita em parceria pelo Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a partir de ligações telefônicas periódicas a domicílios de 24 países da América Latina. Os dados da segunda fase do levantamento foram apresentados nesta segunda-feira (29/11) em Washington.

Segundo o estudo, enquanto a taxa média de hesitação vacinal na América Latina está em torno de 8%, no Brasil, ela é menos do que a metade, cerca de 3%. De outro lado, enquanto na média, 51% dos latino-americanos já estão imunizados contra a covid-19, no Brasil, o percentual ultrapassa os 80%.

Os dados indicam que as repetidas declarações do presidente Jair Bolsonaro que lançam dúvidas sobre a segurança e a eficácia da imunização não encontraram aderência na população brasileira, mesmo entre seus apoiadores.

Gráfico produzido pelo Banco Mundial sobre status vacinal nos em cada país latino
Reproducao
No gráfico, em inglês, produzido pelo Banco Mundial, a barra em azul representa o percentual de população vacinada em cada país, em amarelo, a taxa de quem ainda não tomou as duas doses, mas pretende se imunizar, e, em vermelho, a de quem recusa vacina
Bolsonaro é o único líder do G-20 a afirmar não ter se vacinado. O presidente já afirmou, sem qualquer evidência científica, que quem tomasse vacina da Pfizer poderia “virar jacaré”, associou o imunizante a desenvolvimento da AIDS e sugeriu que a Coronavac, produzida pelo Butantan em parceria com a China, causava “morte, invalidez, anomalia”.

Há um ano, ele postou em seu Twitter uma foto em que abraçava um cachorro, com a seguinte legenda: “vacina obrigatória só aqui no Faísca”.

O relatório final da CPI da Covid atribui ao governo federal atraso no início do programa vacinal brasileiro, que só começou meses depois de EUA e Europa. O presidente sempre negou ter sido responsável por qualquer atraso na vacinação.

Apesar disso, atualmente o Brasil já supera os americanos e alguns países europeus em cobertura vacinal, graças a forte adesão da população.

Especialistas em saúde pública atribuem o fenômeno à cultura de imunização alimentada por anos em campanhas massivas de vacinação promovidas pelo Sistema Único de Saúde – e em que a figura central era o Zé Gotinha.

Além disso, o fato de o programa de transferência de renda Bolsa Família e as escolas e creches públicas requererem a vacinação para garantir o benefício e as vagas também geram engajamento da população.

Para os estudiosos, no entanto, é preciso estar atento aos possíveis efeitos de longo-prazo de declarações de autoridades contra vacinas. A cobertura vacinal no Brasil vem registrando queda desde 2011 e uma das causas pode ser justamente a hesitação vacinal.

De acordo com o estudo do Banco Mundial, áreas rurais e pobres são hoje as mais afetadas por sentimentos antivacina na América Latina. “Entre os não vacinados, mais da metade afirma que sua indisposição deriva da falta de confiança e uma preocupação com a eficácia da vacina. A hesitação vacinal é particularmente alta entre as famílias rurais e indivíduos com níveis de escolaridade mais baixos. A população do Caribe apresenta os níveis mais altos de hesitação vacinal”, afirmam os pesquisadores no relatório.

O Haiti é o país com a menor taxa de vacinação contra o novo coronavírus (menos de 1%) e com a maior proporção de pessoas que dizem se recusar a tomar o imunizante (quase 60%). O Haiti também foi a última nação das Américas a receber doses para iniciar a campanha de imunização, que segue a passos lentos.

Atrás dos haitianos, habitantes de Jamaica e Santa Lúcia são os que mais recusam vacina, com 50% e 43%, respectivamente.

Bolsonaro em foto com cachorro em postagem no Twitter
Reproducao
Pesquisa do Banco Mundial sugere que declarações de Bolsonaro que desqualificam imunizantes contra covid-19 não encontraram aderência nem mesmo entre os eleitores do presidente
Saúde melhorou, educação nem tanto
O relatório aponta ainda que o acesso à saúde no continente melhorou e já retornou a níveis pré-pandêmicos.

Enquanto 48% da população latina, em média, buscou atendimento médico emergencial há pouco tempo, percentual semelhante (47%) afirmou ter ido ao médico recentemente por razões preventivas, o que, segundo os autores do estudo, revela que os serviços públicos e privados de saúde já não estão mais sobrecarregados pela pandemia como aconteceu no pico da contaminação na região.

O mesmo, no entanto, não aconteceu em relação ao acesso à educação.

Mais de um ano após o início da pandemia, apenas 23% das crianças em idade escolar na região frequentavam aulas presenciais. No Brasil, o percentual ficou em torno de 40%. A qualidade da educação oferecida à distância e a falta de conexão à internet segura e de qualidade de parte da população geram preocupação sobre o futuro de crianças e adolescentes.

“Menor envolvimento em atividades de aprendizagem e baixo comparecimento face a face representam riscos significativos para os resultados de aprendizagem das crianças e para a acumulação de capital humano. Estimativas recentes revelam que os alunos na região perderam entre 12 e 18 meses de escolaridade. Aqueles de baixo nível socioeconômico foram particularmente afetados, o que sugere efeitos negativos duradouros sobre a mobilidade social e a desigualdade”, diz o relatório da pesquisa.

Ver mais

Mundo

EUA se prepara para ômicron, mas é cedo para lockdown, diz Fauci

Publicado

dia

Por

Especialista diz que nova variante já pode estar no país, ainda que não tenham sido registrado casos oficiais

Nova York durante a pandemia (Michael Nagle/Bloomberg)

Os norte-americanos devem estar preparados para lutar contra a propagação da nova variante de Covid-19 ômicron, mas é muito cedo para dizer quais ações são necessárias, incluindo possíveis lockdowns, disse neste domingo o doutor Anthony Fauci, principal especialista em doenças infecciosas do país.

Os Estados Unidos devem fazer “tudo e qualquer coisa” em meio aos prováveis ​​casos da variante, mas é “muito cedo para dizer” se novos lockdowns serão necessários, disse Fauci à ABC News.

“Você quer estar preparado para fazer tudo e qualquer coisa”, acrescentou.

A ômicron, descoberta pela primeira vez na África do Sul e anunciada nos últimos dias, tem sido detectada em um número crescente de outros países.

Fauci, em entrevista à NBC News no sábado, havia dito que era possível que ela já estivesse nos Estados Unidos, embora nenhum caso oficial tenha sido confirmado.

Autoridades de saúde dos EUA falarão novamente com seus colegas sul-africanos sobre a variante no domingo, afirmou Fauci ao programa “This Week” da ABC News em uma entrevista separada.

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade

Viu isso?