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Mesmo com políticas públicas, casos de abuso sexual no transporte crescem 61% em 2017

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É preciso que a mulher quebre o silêncio e denuncie sempre que for vítima de abuso sexual - seja no transporte público ou em qualquer outro lugar

É preciso que a mulher quebre o silêncio e denuncie sempre que for vítima de abuso sexual – seja no transporte público ou em qualquer outro lugar

Você não está enganado(a), muito menos é impressão sua ao ver o noticiário. Casos relacionados a abuso sexual nos trens, metrôs e ônibus da cidade de São Paulo realmente tiveram um aumento em 2017 em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os meses de janeiro até o dia 25 de setembro deste ano foram registrados 388 casos ante 240 no mesmo período de 2016.

O número representa uma alta expressiva de 61%. Nos casos citados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-SP) estão importunação ofensiva ao pudor, ato obsceno, estupro, assédio sexual, violação sexual mediante fraude e corrupção de menores.

Em nota, a SSP-SP afirma que o Estado é “pioneiro no aprimoramento de políticas de segurança no combate à violência sexual e de gênero e adota medidas para o combate a esse tipo de crime”. A entidade afirma, também, que existem 133 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), sendo nove delas na capital paulista.

A promotora do Ministério Público, Fabíola Sucasas – que lançou, junto à jurista Tatiane Moreira Lima, a campanha “Juntos Podemos Parar o Abuso Sexual nos Transportes” -, afirma que é preciso “repensar e reavaliar, em termos de sociedade, qual valor se dá à dignidade da mulher”.

“Nós precisamos realmente repensar nossa legislação. Obviamente que agora, no ano de 2017, vivendo no Brasil, existe uma mulher muito diferente daquela que existia em 1940. A todo momento, quando falamos em violência de gênero, é como se a sociedade nos impusesse o padrão da ‘bela, recatada e do lar’”, diz. “E que se não seguir o padrão, ela merece ser violada, merece o assédio, o estupro, as cantadas de rua, o assédio sexual no espaço do trabalho. Ela é vista como alguém que pede para ser violada quando deve ou quando usa roupa curta, ou que não merece respeito porque se envolve com mais de um homem, ou eventualmente porque perdeu a virgindade merece ser espancada pelo próprio pai.”

Falta punição?

Um dos casos que gerou repercussão nacional no que trata da punição aos agressores foi com Cíntia Souza. Ela foi abusada sexualmente dentro de um ônibus em São Paulo. Um homem ejaculou em seu braço. A decisão da Justiça? Para ela, nula. O juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo, do Foro Criminal da Barra Funda decidir por não indiciar e soltar o agressor Diego Ferreira de Novais, por não ter observado crime de estupro. Segundo o magistrado, não houve “constrangimento e tampouco violência” do acusado.

“O crime de estupro tem como núcleo típico constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Na espécie, entendo que não houve o constrangimento, tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco do ônibus cheio, em cima de uma passageira, que ficou, logicamente, bastante nervosa e traumatizada”, escreveu o juiz.

A decisão causou revolta da sociedade como um todo e até críticas por parte de famosos. A vítima afirmou à Jovem Pan Online, na época, ter “se sentido um lixo”. Após este episódio, mais casos passaram a ser noticiados quase que diariamente pela imprensa, muitos deles sem resolução.

A promotora Fabíola Sucasas ressalta que não é apenas a falta de punição que gera mais casos, mas sim a ausência de uma resposta imediata. “Nós sabemos que quando a Justiça tarda, ela falha. É preciso repensar não só na pena que se dará ao agressor, porque a pena tem o caráter preventivo, mas também temos que repensar as respostas processuais. Quando falo de resposta processual foco em eventual prisão, eventual impedimento de se colocar a vítima e agressor em mesma mesa para se reconciliar (…) É claro que nós precisamos nos aparelhar para que essa resposta seja uma que não cause revolta à sociedade civil, porque a sociedade tem visto que precisamos repensar quais são essas medidas”.

Faltam políticas públicas?

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública esclarece que os policiais civis do Estado passam por aulas específicas para prestar um melhor atendimento às vítimas, além de cursos de atualização sobre o assunto através do Projeto Integrar – parceria entre o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) com a Secretaria.

Enquanto isso, a Procuradoria Geral de Justiça realizou comissão para discutir e apresentar projeto de lei sobre molestamento sexual, e apresentou a proposta definindo tal ato. “Neste sentido é preciso destacar que essa proposta é de um crime subsidiário, ou seja, se for adequado a um crime mais grave, aí apreciamos como crime mais grave”, explica a promotora.

É preciso repensar condutas

Quando falamos em políticas públicas há o foco em ações para diminuir, prevenir e reprimir tais atos, mas, além de olharmos para o perfil do agressor, é preciso que observemos o perfil da sociedade, da vítima, além da medição do problema, onde ele mais ocorre, quais mulheres que mais utilizam tal transporte, os horários em que os crimes são mais recorrentes, quem são as pessoas mais vulneráveis, entre outros pontos.

“Quando se trata da questão ampla de gênero estamos ainda sob o que chamamos da ‘cultura do estupro’. E o assédio, desde sua menor potencialidade ofensiva até o abuso sexual em sua maior potencialidade ofensiva, está inserido nesta cultura. Esta cultura é justamente aquela que aponta comportamentos que silenciam ou normalizam a violência sexual contra a mulher, porque essa violência é muitas vezes normalizada, romantizada, alvo de piadas”, aponta Sucasas.

É preciso, portanto, olhar a nossa cultura, e repensar as condutas que caracterizam essa cultura do estupro. Ou será que estamos ensinando mulheres a se comportarem de determinada forma e deixando de olhar a conduta do agressor? O questionamento é feito a todo momento, não só pela sociedade, mas por especialistas.

Por que as vítimas não denunciam?

Medo, vergonha, “isso não está acontecendo comigo”, “denunciar não vai levar a lugar nenhum”, “e se o agressor estiver armado?”. Esses são apenas alguns dos pensamentos que passam pela cabeça de uma mulher abusada sexual ou fisicamente – seja em casa, no trabalho ou no transporte público.

Por sua vez, o autor da violência não parece se intimidar e acredita que nada irá acontecer com ele, já que as penas, pelo menos aparentemente, são brandas. Além disso, muitas vezes ele é visto como alguém que tem um problema mental, o que patologiza a violência.

“Mesmo reconhecendo que o homem é agressor, ainda assim se coloca em dúvida a sua responsabilidade (…) Não é só a dignidade sexual da mulher que se viola, se viola o direito dela de utilizar o espaço público. A todo momento se força que ela se torne aquela mulher de 1940, bela, recatada e do lar”, explica Fabíola Sucasas.

A delegada de polícia titular da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, Jacqueline Valadares, esclarece, entretanto, que as delegacias não possuem atendimento psicológico, e possuem como finalidade a investigação criminal. “O que a vítima tem que esperar da delegacia é investigação criminal. O que fazemos de fornecer subsídios para as vítimas é dar encaminhamentos para outros órgãos que podem dar assessoria psicológica”, aponta.

Mulheres, não fiquem em silêncio

Em torno de 52% das mulheres que são vítimas de assédio dentro do transporte público ficam em silêncio, segundo a promotora. Mas não é apenas o medo que inibe uma mulher de denunciar, existe uma série de situações que paralisam a vítima. Entre as já citadas, há ainda o medo de represália por parte de um “reencontro” com o agressor no transporte público.

“A mulher precisa denunciar. O silêncio é um aliado do agressor. O silêncio é irmão da impunidade e caminha junto com a impossibilidade de transformação das pessoas e da própria sociedade. Se o silêncio for mantido, nós não conseguimos agir e nem reagir. É preciso que ela quebre esse silêncio, fazer denúncia para a polícia, se estiver dentro do transporte público, chamar a atenção que aquele fato está acontecendo, para que o agressor pare o que está fazendo, para que as pessoas no entorno possam ajudá-la”, recomenda Sucasas.

Jacqueline Valadares explica que as mulheres vítimas de abusos sexuais podem procurar as DDMs ou até mesmo delegacias “de bairro”, que possuem atribuições para investigar esse tipo de crime. “Vai ser feito boletim de ocorrência, oportunidade na qual ela vai receber as devidas orientações sobre procedimento naquele crime que ela está registrando. Alguns casos a vítima tem prazo de seis meses pra processar. Em outras hipóteses o inquérito é instaurado automaticamente e independentemente da vontade da vítima”, diz.

Caso seja necessário, a vítima é encaminhada para exames e tratamento no Hospital Pérola Byington, na região central da cidade. Em casos de denúncia pelo 180, a vítima será intimada e precisará comparecer à delegacia para corroborar o que foi denunciado.

Legítima defesa ou vingança?

Note: existe uma grande diferença entre o que se encaixa como uma legítima defesa da mulher e o que é caracterizado como uma vingança. Se a mulher comete uma agressão para repelir a agressão de quem a viola, está dentro da legítima defesa, desde que a agressão seja proporcional.

Entretanto, a recomendação é que a revolta não se transfigure em uma prática ilícita. “Se for para reagir, que se reaja em legítima defesa. Nós sabemos que a legítima defesa tem alguns requisitos, e quando a repulsa é realizada muito tempo depois deixa de ser repulsa e se torna vingança. Então é preciso cuidar para que não façamos justiça pelas próprias mãos”, destaca a promotora.

“A insegurança fica”

Jovem Pan Online teve uma conversa exclusiva com Cíntia, que foi abusada sexualmente dentro do ônibus que fazia a rota Metrô Ana Rosa – Morro Grande. O caso ocorreu no dia 29 de agosto e teve repercussão nacional, o que pode ter ajudado muitas mulheres que são assediadas diariamente a denunciarem mais casos.

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Em lares pobres, gasto com arroz chega a representar 5% do orçamento

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Famílias na faixa de insegurança alimentar grave são as que mais sofrem com o aumento dos preços dos produtos da cesta básica

O peso dos alimentos básicos é um problema recorrente e atual (Pilar Olivares/Reuters)

As famílias com mais dificuldade para garantir alimentos em quantidade e qualidade a todos os seus membros, na faixa de insegurança alimentar grave, são as que mais sofrem com o peso da alta da cesta básica. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, referente a 2018, os lares com insegurança grave gastavam, em média, 297,27 reais por mês com alimentação. O gasto com arroz representava 5% (15,01 reais) do total, enquanto feijão respondia por 2,57% (7,65 reais).

Carnes e pescados pesam 21,9% no orçamento (65,12 reais) das famílias que podem chegar a passar fome, enquanto laticínios representam 7,2% (21,69 reais).

Já nos lares cuja alimentação é garantida tanto em quantidade quanto em qualidade, o gasto com alimentação mensal é, em média, de 479,93 reais. Deste total, os gastos com arroz e feijão pesam, respectivamente, 2,35% (11,32 reais) e 1,1% (5,33 reais) do orçamento.

O peso dos alimentos básicos é um problema recorrente e atual. Em agosto deste ano, os preços dos alimentos subiram 0,78%, enquanto o índice geral de inflação avançou apenas 0,24%. No acumulado do ano, enquanto a inflação sobe 2,44%, alimentos e bebidas têm alta de 4,91%. Itens como arro, feijão, leite e óleo tiveram disparada nos preços recentemente, preocuando o consumidor e, especialmente, as famílias mais pobres.

Nas famílias com segurança alimentar, o peso da carne no orçamento para alimentação é de 19,7% (94,98 reais). Os laticínios representam 11,1% (53,30 reais) dos gastos com alimentação deste grupo.

Conforme a dificuldade para conseguir comida em quantidade e qualidade para os membros do lar vai se intensificando, menor é o consumo de frutas e derivados do leite. A POF mostra que o consumo domiciliar anual per capita de frutas era de 33 quilos nos lares com segurança alimentar. Nos domicílios com insegurança alimentar grave, 11,2 quilos.

No caso das carnes, 23,1 quilos anuais por pessoa em residência com segurança alimentar contra 14,4 quilos nos lares com insegurança grave.

O consumo de laticínios desponta como um dos mais díspares. Em lares com segurança alimentar, o consumo per capita anual gira em torno de 38 quilos, ante apenas 14,2 quilos nos lares com insegurança grave.

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Guedes é condenado a pagar R$ 50 mil por comparar servidores a “parasitas”

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Três dias depois, ministro pediu desculpas aos servidores públicos e afirmou que seu objetivo “jamais foi ofender as pessoas que cumprem seus deveres”

Guedes: ministro comparou servidores públicos a “parasitas” (Adriano Machado/Reuters)

A Advocacia-Geral da União (AGU) irá recorrer da decisão da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia (SJBA) que condenou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a pagar uma indenização de R$ 50 mil ao Sindicato dos Policiais Federais da Bahia (Sindipol-BA). A informação foi dada ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) pela assessoria da AGU, que disse que “oportunamente a Advocacia-Geral da União irá apresentar o recurso cabível”.

Guedes foi condenado pela juíza Cláudia da Costa Tourinho Scarpa em uma ação de reparação pelo dano moral coletivo movida pelo sindicato após o ministro ter comparado servidores públicos a “parasitas”, em uma palestra proferida no dia 7 de fevereiro deste ano no seminário Pacto Federativo, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

“O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara (funcionário público) virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”, disse Guedes na ocasião.

Três dias depois, Guedes pediu desculpas aos servidores públicos e afirmou que seu objetivo “jamais foi ofender as pessoas que cumprem seus deveres”. “Me expressei mal e peço desculpas não só aos meus queridos familiares e amigos, mas a todos os exemplares funcionários públicos a quem eu possa descuidadamente ter ofendido”, enfatizou.

Ainda assim, a juíza avaliou que Guedes violou “os direitos da personalidade dos integrantes da categoria profissional representada por este ente sindical, por meio dos seus pronunciamentos”.

Em nota, o presidente do Sindipol-BA, José Mário Lima, avaliou que a justiça foi feita. “Qualquer cidadão independentemente da sua estatura de poder ou financeira, tem que ter a devida reprimenda quando está errado. A lei é para todos”, afirmou.

Embora ainda caiba recurso ao ministro, o sindicato pretende doar o valor da indenização ao Hospital Santo Antônio, que pertence às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), e ao Hospital Aristides Maltez.

O Ministério da Economia foi procurado para comentar a condenação, mas pediu que a reportagem procurasse a AGU.

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Privatização dos Correios já está em andamento, diz presidente da estatal

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Em meio à greve dos funcionários, presidente dos Correios afirma que desestatização pode transformar a estatal em uma empresa moderna

Greve dos Correios já dura um mês: reclamações contra o serviço aumentaram mais de 400% em setembro. Grevistas são contra privatização (Sintect-Cas/Divulgação)

O presidente dos Correios, Floriano Peixoto, defende a desestatização da empresa e abraça as palavras do ministro das Comunicações, Fabio Faria, que declarou na última quarta, dia 16, que a venda da estatal é uma “certeza”. “Nós iremos privatizar os Correios. Eu vou conversar pessoalmente com os parlamentares e líderes do Congresso”, afirmou o ministro. Peixoto adianto que o processo de desestatização já está em andamento. Em greve há um mês, a estatal enfrenta o descontentamento da população — 40% dos brasileiros são favoráveis à privatização, segundo pesquisa  Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual é a opinião do senhor sobre a posição do governo, expressada pelo ministro Fábio Faria, de que a privatização dos Correios será certamente encaminhada ao Congresso?

Concordo plenamente. As palavras do ministro refletem o posicionamento do governo e, principalmente, a opinião da sociedade. É preciso transformar os Correios em uma empresa moderna, eficiente e que respeite o consumidor.

Como está o processo de desestatização?

O processo já está em andamento. A consultoria contratada para realizar os estudos sobre a empresa entregará, até novembro deste ano, a primeira parte do trabalho. Essa fase dos estudos inclui, entre outras providências, o envio de proposta de projeto de lei ao Congresso. Lá, os parlamentares apreciarão questões particulares da empresa considerando seu caráter como prestadora de serviço universal, bem como outras especificidades dos segmentos de atuação dos Correios.

No seu entender, quais ganhos a privatização poderá trazer ao sistema de logística de entrega brasileiro e à modernização do serviço?

Quando comparados a empresas de natureza privada, os Correios, enquanto estatal, estão submetidos a muitas amarras que prejudicam sua competitividade. Devemos cosiderar, ainda, as consequências da má gestão praticada pelas administrações anteriores, que deixaram um passivo de 2,4 bilhões de reais a saldar e, como resultado, afetaram a capacidade de investimento da empresa.

Dessa forma, quaisquer alternativas que venham a extinguir (ou ao menos aliviar) essas amarras tornarão a empresa mais ágil, moderna e eficiente, algo muito difícil nas atuais condições. Em outras palavras, é preciso aproveitar melhor a experiência logística consolidada e a capilaridade dos Correios, ativos muito valiosos para continuarem subaproveitados.

A greve dos Correios, que já dura um mês, será julgada pelo Tribunal Superior do Trabalho na próxima segunda, dia 21. Qual é a sua expectativa em relação ao julgamento?

A expectativa é de que a justiça do trabalho encontre uma opção que possa definir a situação. É preciso colocar um fim a essa paralisação que, embora não conte com adesão majoritária dos empregados, tem trazido enormes prejuízos à empresa e sociedade. Lembremos que o momento exige a união de todos os esforços para minimizar os impactos da pandemia da covid-19. Portanto, essa falta de consciência de uma minoria de empregados remete, infelizmente, ao tema da sua pergunta anterior, relativa à privatização. Essa postura de desconsideração e falta de comprometimento, já abominável no contexto público, não ocorreria em uma empresa privada ou de economia mista.

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1,9 milhão de pessoas já tiveram a covid-19 na cidade de SP, diz pesquisa

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De acordo com inquérito sorológico da prefeitura, 1,64 milhão de adultos e mais 244 mil crianças foram infectadas pelo coronavírus

(Eduardo Frazão/Exame)

 

A prefeitura de São Paulo divulgou, nesta quinta-feira, 17, mais etapas do grande inquérito sorológico que realiza, com o objetivo de identificar o tamanho da pandemia de covid-19 na cidade.

De acordo com os últimos dados, quase 1,9 milhão de pessoas já tiveram a doença na capital paulista. Deste total, 1,64 milhão é de adultos, acima de 18 anos, e 244.000 é de crianças, de 4 a 14 anos. Os inquéritos dos adultos e das crianças estão sendo feitos de maneira paralela e complementar.

Para a população com mais de 18 anos, a pesquisa — que está na quinta fase — mostrou que a taxa de prevalência é de 13,9%, levando em conta a população de 12,25 milhões. Desde a primeira etapa, a prevalência foi subindo, de 9,8%, até atingir o mais alto patamar. Menos da metade das pessoas, 38,2%, não apresentou sintomas.

Nesta fase, até o dia 27 de agosto foram testadas 5.760 pessoas, determinadas por sorteio e distribuídas nas 472 Unidades Básicas de Saúde da cidade. A amostragem é a mesma das etapas anteriores.

“Mais uma fase do inquérito que consolida aquilo que outras fases já tinham demonstrado. Uma prevalência maior na faixa de 18 a 34 anos de idade. Mas também uma doença que traz luz à desigualdade social na cidade de São Paulo. A proporção é maior em pessoas menos escolarizadas, pretas e pardas”, explicou o prefeito Bruno Covas (PSDB) em coletiva de imprensa nesta quinta-feira.

Crianças

O município ainda realiza um outro inquérito sorológico específico para crianças de 4 a 14 anos. Nesta quinta-feira, foi divulgada a terceira etapa que testou alunos da rede privada e estadual de ensino na cidade. Nas primeiras fases foram testados apenas alunos de escolas municipais.

A pesquisa aponta que 244.242 crianças já tiveram a doença. Levando em conta que toda a rede de ensino tem 1.480.257, a prevalência é de 16,5%. Mas quando se fala apenas de escolas particulares, este número cai para 9,7%. As redes estadual e municipal ficam próximo de 18%.

Outro dado que chama a atenção é que 66% das crianças que foram contaminadas pelo coronavírus não tiveram qualquer sintoma da doença.

Volta às aulas

As aulas presenciais na cidade de São Paulo voltam de maneira parcial a partir do dia 7 de outubro. O anúncio foi feito pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 17. A retomada total está prevista para o dia 3 de novembro, mas a prefeitura não descartou que só ocorra em 2021.

A reabertura vale para as redes municipal, estadual e privada de ensino que estão na capital paulista. As atividades que podem funcionar em outubro são aquelas extracurriculares, como reforço, música e línguas estrangeiras. As instituições de ensino superior podem voltar com as atividades a partir de outubro.

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Nuvem negra de queimadas no Pantanal pode fazer dia virar noite em SP

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A previsão é que até sábado, 19, a fuligem dos incêndios se desloque para a capital e pode haver a “chuva negra”

(Paulo Pinto/Fotos Públicas)

A fuligem de queimadas na Floresta Amazônica e no Pantanal segue em direção a São Paulo, ameaçando transformar o dia em noite nos próximos dias.

Uma nuvem escura gigante causada pelos incêndios se aproxima do Paraná, onde pode chegar na sexta-feira, 18, antes que os ventos empurrem a fumaça para São Paulo no sábado, 19, disse Celso Oliveira, meteorologista da Somar Meteorologia.

Quando chegar na capital paulista, pode causar uma chuva negra, fenômeno causado por partículas de fumaça e poeira que não se dissolvem na água, disse. No ano passado, quando os incêndios na Amazônia atraíram críticas da comunidade internacional, uma nuvem negra também envolveu a cidade de São Paulo.

O número de focos de incêndio nos biomas Amazônia e Pantanal em 2020 aumentou 12% e 208%, respectivamente, em relação a 2019, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Temperaturas escaldantes e tempo seco continuarão a provocar incêndios na região central e Norte do país, disse Oliveira. As temperaturas máximas estão mais de 5 graus Celsius acima dos níveis normais na maior parte da Região Centro-Oeste, um padrão que pode continuar nos próximos sete dias.

“Cuiabá pode ter a temperatura mais alta já registrada, de 43 graus”, disse. “Não chove na cidade há 115 dias.”

Os incêndios na Amazônia e no Pantanal, que já afetam a qualidade do ar no Centro-Oeste, agravam a crise no Brasil, que se tornou epicentro da pandemia de coronavírus. O país fica atrás apenas dos Estados Unidos em número de mortes pela doença e ocupa o terceiro lugar em casos, atrás dos Estados Unidos e da Índia.

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PCDF deflagra Operação Poderoso Chefão

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Nesta quinta-feira (17), policiais da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes

Cibernéticos – DRCC, juntamente com equipes do Departamento de Polícia Especializada e da SPCOM da 15a Delegacia de Polícia, além da participação dos Promotores de Justiça do Núcleo de Combate ao Crime cibernético do MPDFT – NCYBER, deflagraram a Operação Poderoso Chefão em desfavor de suspeitos de integrarem uma organização criminosa armada, especializada na prática de furtos mediante fraude a contas bancárias de vítimas de diversos Estados e do Distrito Federal. Os prejuízos arcados por pessoas físicas e jurídicas ultrapassam R$ 2,5 milhões.

A investigação é decorrente de vestígios obtidos após a prisão, realizada pela DRCC em agosto de 2019, de um dos líderes da organização e que apontaram para um extenso esquema de lavagem de capitais, envolvendo empresas de fachada, incluindo bancas na Feira dos Importados do DF, uma empresa de materiais de construção e um bar de narguilé.

Nesse sentido, após autorização judicial, nesta quinta-feira, os policiais cumpriram 23 mandados de prisão preventiva, 36 mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, Goiás, São Paulo e Bahia, além do sequestro de 22 veículos e bloqueio de ativos financeiros que poderão totalizar R$ 10 milhões, a fim de garantir eventual ressarcimento das vítimas e pagamento de custas e multas processuais.

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domingo, 20 de setembro de 2020

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