Após 26 anos de negociações, deputados e senadores oficializaram o tratado entre Mercosul e União Europeia para estabelecer uma zona de comércio livre entre as regiões. Conforme destacou o presidente do Senado, David Alcolumbre, com este acordo, 95% das exportações brasileiras para a União Europeia estarão isentas de impostos. Em contrapartida, 92% dos produtos europeus entrarão no Mercosul também sem tributação.
Principais benefícios do acordo
O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), relator do projeto na Câmara, informou que o tratado deverá vigorar em cerca de 60 dias e apontou vantagens econômicas significativas para o Brasil.
“Este acordo abrange mais de 700 milhões de consumidores, representando cerca de 20% da economia mundial. Estudos indicam que cada bilhão de reais extras em exportações para a União Europeia pode gerar aproximadamente 22 mil empregos no Brasil”, afirmou Marcos Pereira.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ressaltou que esse é o maior acordo já firmado pelo Mercosul, integrando um mercado com produto interno bruto superior a US$ 22 trilhões.
Histórico e avanços diplomáticos
As negociações iniciaram-se em 1999 na primeira Cúpula entre Mercosul e União Europeia no Rio de Janeiro. Somente em 2024 chegou-se a um consenso, com aprovação pelo Parlamento do Mercosul em janeiro deste ano, seguida pela Câmara e Senado brasileiros.
Na Europa, o Parlamento aprovou o acordo em 9 de janeiro, apesar das objeções da França que solicitaram uma avaliação jurídica pelo Tribunal de Justiça do bloco. Mesmo com essa pendência, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegura a aplicação provisória das condições a partir de maio.
