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sábado, 17/01/2026

Mercosul e União Europeia fecham acordo histórico de comércio

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O Mercosul e a União Europeia vão assinar neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, um acordo que criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O evento é marcante em um momento de aumento do protecionismo, e ocorrerá sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Protestos também acontecem na Europa contra o acordo.

Esse acordo é resultado de negociações que começaram em 1999 entre a União Europeia e os países fundadores do Mercosul: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. O novo mercado abrangerá 30% do PIB mundial e atenderá mais de 700 milhões de pessoas.

A assinatura está marcada para as 12h00 locais (mesmo horário de Brasília) em Assunção, que atualmente detém a presidência rotativa do Mercosul, bloco que inclui também a Bolívia.

Participarão da cerimônia o presidente paraguaio Santiago Peña, seu colega uruguaio Yamandú Orsi e é esperada a presença do presidente argentino Javier Milei.

O acordo foi promovido especialmente por Lula, que não conseguiu realizar a assinatura em dezembro, conforme o planejado em Foz do Iguaçu.

O evento ocorrerá no anfiteatro do Banco Central do Paraguai, local onde em 1991 foi firmado o Tratado de Assunção, que deu origem ao Mercosul.

O pacto elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio entre a UE e o Mercosul. Ele facilita a exportação dos países europeus para o Mercosul de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas destiladas. Em troca, permite a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja provenientes da América do Sul.

“O poder da cooperação”

Depois da aprovação do acordo pelos países europeus em 9 de janeiro, Lula anunciou sua ausência na cerimônia de assinatura. Uma fonte da Presidência brasileira explicou que a assinatura foi inicialmente planejada como um evento ministerial, mas líderes foram convidados de última hora.

Na sexta-feira, Lula recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes de seu voo para Assunção. Junto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, eles participam da assinatura do tratado.

Após um encontro no Rio de Janeiro, Lula destacou que o acordo é “muito bom, especialmente para o mundo democrático e para o multilateralismo”. Von der Leyen elogiou “o poder da cooperação e da abertura” em declaração coletiva à imprensa.

O acordo foi encerrado em meio à incerteza global causada pelas políticas protecionistas e pelas ameaças tarifárias do presidente americano, Donald Trump.

Na sexta-feira, Trump ameaçou impor tarifas a países que não apoiarem seus planos para a Groenlândia.

Resistência na Europa

O pacto enfrenta oposição de agricultores e pecuaristas em alguns países europeus, que têm protestado contra o acordo por receio da entrada de produtos sul-americanos produzidos sob normas consideradas menos rigorosas.

Milhares de manifestantes tomam as ruas da França, Polônia, Irlanda e Bélgica há vários dias.

Para tentar acalmar as preocupações do setor, a Comissão Europeia criou cláusulas e concessões, incluindo garantias para os setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol. Essas medidas limitam a quantidade de produtos sul-americanos isentos de tarifas e permitem intervenção em caso de desequilíbrio no mercado.

Algumas dessas ações ajudaram a reverter o voto negativo da Itália, decisivo para a aprovação do acordo na Europa.

Porém, os produtores continuam insatisfeitos e planejam uma manifestação no dia 20 de janeiro em Estrasburgo, França.

Para o acordo entrar em vigor, é necessário ainda que o Parlamento Europeu e os parlamentos dos países do Mercosul o aprovem.

Alguns industriais da América do Sul também estão preocupados. Na Argentina, por exemplo, estima-se a perda de 200.000 empregos na indústria automotiva, segundo Luciana Ghiotto, doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires.

© Agence France-Presse

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