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quinta-feira, 15/01/2026

Mercado reage com cautela a operação da PF; empresas de Tanure têm resultados variados na Bolsa

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TAMARA NASSIF E JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

As empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure, que está sendo investigado pela Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, tiveram desempenhos distintos na Bolsa de Valores nesta quarta-feira (14).

Enquanto as ações da Gafisa e da Alliança caíram 0,88% e 5,62%, respectivamente, as da Light e da Prio subiram 2,89% e 2,97%. O índice Ibovespa, por sua vez, atingiu seu recorde histórico, fechando aos 165.145 pontos, influenciado por fatores eleitorais e pelo cenário internacional.

Tanure é um investidor experiente no mercado financeiro brasileiro, conhecido por adquirir participações em empresas que enfrentam dificuldades financeiras ou disputas internas complexas.

A investigação policial está analisando suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Embora tenha havido movimentações na Bolsa, especialistas do mercado financeiro acreditam que essa operação da PF não trará mudanças significativas nas operações das empresas ligadas a Tanure a curto prazo.

Porém, nos próximos meses, a preocupação com a investigação pode dificultar a captação de recursos e as operações dessas empresas. Caso Tanure venda suas participações, a maior oferta de ações pode fazer os preços caírem.

É difícil saber exatamente o quanto Tanure controla nessas companhias, pois sua participação é indireta, através de fundos onde ele é geralmente o único cotista. O mercado ainda não precificou completamente as consequências desta nova investigação a longo prazo. Se Tanure deixar de ser o acionista principal e nenhum outro assumir essa posição, pode haver um vazio de liderança que prejudique os negócios.

A investigação ocorre algumas semanas após o Ministério Público Federal de São Paulo denunciar Tanure por suposto uso de informação privilegiada na negociação de ações da Gafisa, empresa da qual é acionista principal. Segundo o processo, Tanure e o empresário Gilberto Benevides teriam manipulado o mercado entre 2019 e 2020 para obter vantagens na compra da incorporadora Upcon pela Gafisa.

A defesa de Tanure afirma que ele não possui qualquer relação societária com o Banco Master, instituição da qual foi cliente. Também destaca sua longa experiência no mercado financeiro e nega qualquer acusação criminal até o momento, confiando que os fatos serão esclarecidos no processo judicial.

O futuro da construtora Gafisa também está incerto, pois a investigação pode afastar Tanure e dificultar sua recuperação financeira.

Segundo o economista Aurélio Valporto, presidente da Abradin, a comprovação do envolvimento de Tanure no escândalo pode prejudicar as empresas onde ele é acionista principal, minando a confiança de investidores e dificultando a captação de recursos por diferentes meios financeiros.

De outro lado, Rafael Panoko, sócio-fundador da US Wealth, acredita que a operação desta quarta não afetou significativamente os preços das ações, destacando que a queda da Alliança foi uma correção após alta recente.

O Ibovespa manteve seu desempenho positivo mesmo com a operação da PF, influenciado, além das questões locais, por fatores internacionais como tensões geopolíticas e mudanças nas políticas de visto dos Estados Unidos.

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