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Mercado Pago: Pix cresce 20% por semana e toma o espaço dos boletos

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Para Daniel Davanço, head de Pagamentos Online da plataforma, o Pix já ganhou o gosto dos brasileiros como ferramenta de transferência de dinheiro, e logo será também preferência na hora de fazer compras online

Uma das maiores dores das lojas online é a compra abandonada. Seja o carrinho que não foi levado para a conclusão do pagamento ou o boleto emitido e que não foi pago, as vendas que deixam de ser feitas representam uma fatia importante do faturamento do e-commerce.

No caso do boleto, o prejuízo é um pouco maior. Quando o cliente finaliza a compra, mas deixa de fazer pagamento, o lojista tem dois custos: o da emissão do boleto e o prejuízo por ter deixado a mercadoria reservada durante o prazo de possível compensação de pagamento. Nesse meio tempo, o produto parado no estoque poderia ser vendido para outro cliente.

Por terem um fluxo de venda mais ágil, as grandes varejistas digitais conseguem lidar melhor com as compras abandonadas. Quem sofre mais é o pequeno lojista, que tem margens mais apertadas e não dispõe de um grande estoque.

O Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos do Banco Central, pode ser um grande aliado para evitar os boletos “esquecidos”. De acordo com o Mercado Pago, plataforma com mais de 200 mil vendedores cadastrados, os pagamentos com o Pix têm crescido a um ritmo médio de 20% por semana, e já tomaram o espaço das vendas com boleto.

“Um pagamento com o Pix demora em torno de 3 segundos para ser efetuado, é tão rápido quanto o com cartão de crédito. Para o lojista, a diferença aparece no custo: pelo Pix, a transação sai até 80% mais barata”, disse Daniel Davanço, head de Pagamentos Online do Mercado Pago.

Veja abaixo a entrevista completa:

Como os vendedores da plataforma têm lidado com o Pix como meio de pagamento?

Oferecemos o Pix como ferramenta de venda para o e-commerce e para os social sellers, que são pequenos lojistas que usam nosso link de pagamento para vender através das redes sociais.

De janeiro para cá temos visto um crescimento semanal de 20% do uso do Pix nos pagamentos. Temos mais de 200 mil lojistas aptos a vender com o Pix no Mercado Pago. Dentro desse universo, a ferramenta já representa aproximadamente 10% das vendas totais.

Qual o benefício de oferecer esse tipo de pagamento?

Notamos que os lojistas que oferecem o Pix como opção de pagamento acabam vendendo mais do que os que não oferecem. Parte disso são vendas adicionais, e outra parte são vendas que antes eram feitas por boleto. O Pix vem substituindo o boleto de forma rápida, na nossa plataforma.

Outro ponto é que a conversão das vendas iniciadas por Pix é bastante superior do que as finalizadas por boleto. Quando comparadas 14 p.p de melhora na conversão quando consumidor escolhe pagar com Pix vs boleto.

Além disso, há um benefício operacional. O lojista não precisa segurar o estoque, consegue liquidar o pagamento imediatamente, e não atrasa a entrega.

Havia grande expectativa dos comerciantes de que o Pix significaria a morte dos boletos. Acha que isso deve acontecer em breve?

Acredito que sim, mas depende primeiro da bancarização dos consumidores e da adesão às ferramentas digitais. Há uma clara tendência de canibalização das vendas por boleto, mas não das vendas com cartões, por exemplo. O público que tende a migar para o Pix é o que, hoje, tem menos familiaridade com os pagamentos digitais.

Muitos lojistas têm dificuldade em estabelecer um fluxo de finalização de compra e pagamento com o Pix. Qual a forma mais simples para o cliente?

Existem duas formas principais para o pagamento com o Pix. Uma é a leitura de um QR Code pela câmera do celular, e a outra é pela inserção de um código de algarismos no aplicativo da instituição financeira. A solução depende da plataforma que o comprador usa.

O QR Code é mais prático para compras que estão sendo feitas pelo computador, já que não é possível ler a imagem pelo próprio aparelho. E o link é mais útil para compras que são realizadas exclusivamente pelo mobile. No Mercado Pago, 70% das compras do Pix acontecem em dispositivos móveis e outros 30% pelo desktop. Por isso, o código tem sido mais utilizado.

Acredita que no futuro haverá uma solução mais “amigável” do que a de copiar e colar o código?

Nós investimos bastante em experiência do usuário — tanto do vendedor quanto do comprador. Realizamos continuamente experimentos para entender qual processo de pagamento gera mais facilidade e maior taxa de conversão de compra.

Já começamos a testar novas formas para pagamentos com o Pix, principalmente no mundo mobile. Provavelmente teremos outras soluções de check-out no futuro, pois hoje já identificamos os caminhos que o cliente tem preferido.

A verdade é que o Pix caiu no gosto dos brasileiros como uma ferramenta para fazer transferência de dinheiro, mas é uma questão de tempo até que ele se torne também uma preferência na hora de fazer compras.

O Pix costuma ser compensado imediatamente, como, por exemplo, uma compra com o cartão de crédito?

Sim, a integração que oferecemos tanto no link de pagamento quanto no check-out para as lojas de e-commerce torna tudo mais rápido. As transações com o Pix na nossa plataforma levam em torno de 3 segundos para serem concluídas — é tão rápido quanto pagar com cartão.

Para o comprador, o método de pagamento escolhido tanto faz. No momento em que a transação com o Pix é realizada — seja pelo QR Code ou pelo código numérico — o lojista já recebe o aviso, identifica que o pagamento foi efetuado e pode, então, disparar os processos logísticos.

Existe alguma demora adicional caso a compra seja feita fora de dias e horários úteis?

Para nossa plataforma, não. Toda transação é processada imediatamente. Mas cada instituição financeira estabeleceu um limite de valor ou de número de transações pelo Pix, e esse limite costuma ser menor em finais de semana, feriados ou durante a noite. Os clientes que têm conta no Mercado Pago têm um limite de 25 mil reais por dia, para transações com o Pix.

Qual o custo do Pix para quem vende pelo Mercado Pago?

Cada meio de pagamento tem um custo diferente para o vendedor. O Pix chega a ser 80% mais barato do que meios tradicionais, como o cartão de crédito, e tem o benefício de o lojista receber o dinheiro já no momento da venda.

No Mercado Pago, as transações com o Pix custam 0,99% da transação. Se o lojista fizesse a mesma venda no cartão de crédito e pedisse para receber os recursos no mesmo dia, a taxa seria de 4,99%.

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Economia

Preço do barril de petróleo pode ultrapassar US$ 80 por crise de energia

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Crise de energia global, com cotação do gás em elevação devido ao aumento da demanda e baixa nos estoques, deve impulsionar petróleo, prevê Vitrol

Preço do barril de petróleo deve passar de US$ 80 por causa de crise de energia (Getty Images/Getty Images)

A Vitol, maior trading independente de petróleo do mundo, prevê um aumento extra da demanda global por petróleo de 500 mil barris por dia no inverno do hemisfério norte devido à crise de energia gerada pela falta de gás, o que acelera a corrida por outros combustíveis.

O petróleo deve ultrapassar US$ 80 o barril, em parte porque os preços mais altos do gás impulsionam a demanda, disse o CEO da Vitol, Russell Hardy, em entrevista de Londres na quinta-feira. Esse cenário poderia levar os produtores da Opep+ a adicionarem mais oferta ao mercado, disse.

“A demanda pode nos surpreender positivamente por causa da troca de energia? Sim.” disse Hardy. “É provável que haja meio milhão de barris por dia de demanda extra por causa do preço do gás? Provavelmente, durante o inverno.”

A visão otimista de Hardy ecoa a do Goldman Sachs, que projeta preços mais altos para o petróleo, especialmente se os meses de inverno forem mais frios do que o normal. Tradings têm avaliado o provável impacto de um mercado de gás natural cada vez mais apertado no complexo de energia mais amplo durante o inverno que se aproxima.

Os estoques de gás na Europa devem corresponder a cerca de 78% dos níveis normais em outubro, um sinal de mercado apertado nos meses mais frios, quando a demanda aumenta, disse Hardy.

Demanda global

O aperto nos estoques de gás coincide com a forte demanda global, com países como Paquistão, Bangladesh, Índia e China em busca de combustíveis mais limpos em oleodutos e sistemas de energia, disse Hardy.

Isso significa que o gás continuará caro, incentivando a compra de combustíveis alternativos, como gás liquefeito de petróleo ou nafta para o setor de energia ou uso industrial, de acordo com Hardy. O gás, por exemplo, é negociado a cerca de US$ 1.200 a tonelada, enquanto o GLP custa apenas cerca de US$ 750 a tonelada, disse.

Embora a demanda global por petróleo ainda esteja cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2019 – principalmente devido ao menor consumo de combustível de aviação – essa lacuna diminuirá constantemente, disse o CEO. Hardy espera que a demanda retorne aos níveis de 2019 até meados do próximo ano, enquanto o pico de demanda chegará mais perto de 2030.

A coalizão Opep+ está “microgerenciando” o mercado de petróleo e usará o aumento de produção planejado para manter os preços sob controle, avalia o executivo.

“Está finalmente equilibrado para os próximos seis meses”, disse Hardy. “Não estamos preocupados com a demanda no longo prazo, sabemos que voltará de forma constante.”

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Economia

Caixa paga 6ª parcela do auxílio emergencial a nascidos em abril

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Benefício também será pago a inscritos no Bolsa Família com NIS 6

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Trabalhadores informais nascidos em abril recebem hoje (24) a sexta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também hoje, recebem a sexta parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. Ele é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada (veja abaixo guia de perguntas e respostas).

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial – Caixa/Divulgação

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da sexta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou no último dia 17 e segue até o dia 30. O auxílio emergencial somente é depositado quando o valor é superior ao benefício do programa social.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família – Divulgação/Caixa

Em todos os casos, o auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio. Agência Brasil

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Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em março

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Benefício também será pago a inscritos no Bolsa Família com NIS 5

© Marcello Casal jr/Agência Brasil.

Trabalhadores informais nascidos em março recebem hoje (23) a sexta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e pode ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também hoje, recebem a sexta parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. O auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial – Caixa/Divulgação

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da sexta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou no último dia 17 e segue até o dia 30. O auxílio emergencial somente é depositado quando o valor for superior ao benefício do programa social.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família – Divulgação/Caixa

Em todos os casos, o auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio. Agencia Brasil

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Reajuste salarial fica abaixo da inflação em agosto

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Informação é do boletim Salariômetro, divulgado pela Fipe

© Marcello Casal JrAgência Brasil.

No mês de agosto, o reajuste salarial mediano no país ficou 1,4 ponto percentual abaixo da inflação, considerando como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Apenas 9,5% das negociações resultaram em ganhos reais, de acordo com o boletim Salariômetro, divulgado hoje (23) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O reajuste médio negociado foi de 8,5% em agosto, enquanto o INPC, no acumulado de 12 meses, ficou em 9,9%. O piso salarial mediano – modelo que corrige discrepâncias – negociado foi de R$ 1.255 em agosto, enquanto o piso médio foi de R$ 1.396.

O Salariômetro analisa os resultados de 40 negociações salariais coletivas, que são depositados no Portal Medidor, do Ministério da Economia.

Não houve aumento mediano real como resultado das negociações em nenhum dos últimos 12 meses, conforme a fundação. Desde setembro do ano passado, o índice tem oscilado de -1,4% a zero.

Segundo a Fipe, a inflação projetada para as próximas datas-base ficará perto dos 10%, o que deverá comprimir o espaço para ganhos reais no futuro.

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Economia

Previsão de chuva nas estações do ano estão negativas

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Inmet diz que não há previsão de recuperação do nível dos reservatórios até fevereiro de 2022; Brasil aumenta compra de GNL dos EUA e de energia do Uruguai

Represa de Furnas, em Minas Gerais, sofre com a falta de chuvas (Douglas Magno / AFP via Getty Images/Getty Images)

Não vai ser dessa vez: o primeiro dia da primavera começa com previsões pouco promissoras sobre as chuvas esperadas para o período, o que deve agravar a crise hídrica. De acordo com projeções da NOAA, a agência para o clima dos Estados Unidos, há entre 70% e 80% de chance de ocorrência do fenômeno La Niña em outubro, com o resfriamento das águas do Pacífico e um menor volume de precipitações.

Vai até chover por aqui, mas não nos reservatórios de hidrelétricas em estado crítico. A expectativa é de precipitações acima da média até dezembro no Nordeste, enquanto no Sudeste e Centro-Oeste as chuvas devem estacionar no parâmetro dos últimos anos, quando começaram a ser registrados níveis mais baixos de umidade. E o verão deve ser seco.

“Não há previsão de chuva para recuperar o solo e o nível dos reservatórios”, disse Marcia Seabra, coordenadora geral de Meteorologia Aplicada, Desenvolvimento e Pesquisa do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) durante apresentação sobre a previsão do clima para a primavera e verão nesta terça, 21.

Os modelos matemáticos da NOAA apontam uma probabilidade de 60% a 70% de um volume menor de chuvas no Sul e Sudeste este ano. “Essas previsões são consistentes com o impacto que o La Niña deve provocar”, disse Michelle L’Heureux, meteorologista da agência americana,

“É preciso lembrar que fenômenos como o El Niño e La Niña estão aí desde sempre, mas as mudanças climáticas podem influenciar o impacto dessas condições, com secas acompanhadas por temperaturas mais altas por exemplo”.

Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia no país produzida a partir de hidrelétricas, já operam com menos de 22% da capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS).

Na Bacia do Rio Paraná, que abrange seis estados, a situação é considerada crítica. O reservatório Jurumirim opera com 22,4% da capacidade, seguido pelo Água Vermelha (11%), Nova Ponte (10,9%) e Ilha Solteira, que zerou.

“É um cenário muito complicado, com efeitos que vão além do aumento de preços causados pela baixa oferta de energia e uma alta da demanda com a recuperação econômica”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Existe, inclusive, uma forte possibilidade de blecautes esparsos”.

Mais inflação, menos PIB

Na visão de Gabriel Barros, economista-chefe da RPS Capital, a crise hídrica deve provocar não só um efeito negativo sobre a inflação: o PIB também pode sair machucado. Se houver uma redução compulsória da carga de energia da ordem de 15%, deve haver um impacto no PIB de 2 pontos percentuais, de acordo com estudo realizado por Barros.

Os efeitos da seca já são visíveis. Com o nível de água praticamente zerado no maior reservatório de São Paulo, de Ilha Solteira, a navegação na hidrovia Tietê-Paraná, uma das principais do país, foi suspensa.

O corredor logístico representa uma das maiores vias de escoamento de carros-chefes da produção agrícola nacional, como soja, milho e cana-de-açúcar. Os prejuízos com a paralisação da hidrovia devem gerar perdas da ordem de 3 bilhões reais para o setor aquaviário, segundo o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros.

Não fossem os investimentos em inovações que permitem uma maior adaptação das plantas a um clima mais seco, algo que se anunciava no horizonte há uma década, a agricultura também estaria passando por maus bocados.

Mesmo com a umidade insuficiente do solo nesta primavera, quando começa o plantio de soja, produtores rurais do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo deram início ao cultivo em algumas áreas — por enquanto, não há previsão de atrasos.

Risco de racionamento

Enquanto o mercado internacional de alumínio se aquece, com um aumento da demanda, os fabricantes brasileiros têm dificuldade em incrementar a produção, com os preços da energia elétrica em alta – o insumo corresponde a 70% dos custos totais do metal. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) tem externado preocupação com a falta de sinalização sobre a real dimensão da crise hídrica no país.

Alguns indícios apontam que o problema pode ser maior do que parece. “O governo não quer falar em racionamento e não trata o assunto abertamente, mas sabemos que sem chuvas no verão, como parece ser o caso, teremos uma crise significativa”, diz Vale.

Com os reservatórios secando, o Brasil se tornou um dos maiores compradores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), usado para a geração de energia, dos Estados Unidos. A Coréia do Sul segue como principal cliente global no acumulado do ano (91 embarques), seguida pela China (82) e Japão (79) mas o Brasil lá vem logo atrás (72). No início deste mês, o país ocupou o segundo lugar no ranking mundial de recebimento de GNL, perdendo apenas para a Coreia do Sul.

O risco de racionamento no Brasil também está provocando um aumento das importações de energia. Graças à crise hídrica no país, o Uruguai deve bater um recorde de exportação do insumo este ano, com 300 milhões de dólares em vendas.

“Esperamos continuar ajudando o país até o fim do ano. A situação é muito crítica para o Brasil”, disse Silvia Emeraldi, presidente da Administración Nacional de Usinas y Transmisiones Eléctricas (UTE), estatal de energia elétrica do Uruguai.

Enquanto isso, os economistas refazem as projeções sobre o impacto que o aumento do custo de energia deve causar na economia e na inflação este ano e em 2022. “Essa crise é um dos componentes do cenário fraco de atividade que observamos”, diz Vale.

Com a palavra, o governo

Procurado pela reportagem, o Ministério de Minas e Energia disse estar sem tempo para conceder entrevista. Em um comunicado enviado por e-mail, a pasta afirma que desde outubro de outubro de 2020 “tem adotado diversas medidas para mitigar o impacto no setor elétrico do pior cenário de escassez hídrica da história do país”, com ações como “o acionamento de mais termelétricas, importação de energia, entrada em operação de novos empreendimentos de geração e de transmissão, flexibilização de restrições de defluência mínima e de armazenamento mínimo em reservatórios de usinas hidrelétricas, flexibilizações de critérios operativos, disponibilização de unidades de regaseificação de gás natural, incentivo à oferta de excedente de geração de energia elétrica, programas de redução voluntária da demanda e do consumo e campanhas de consumo consciente de energia”.

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Economia

Conselho de Estado da China diz que garantirá estabilidade da economia

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O gabinete do governo chinês também prometeu fortalecer a coordenação entre as políticas fiscal, financeira e de emprego

Construção em Xangai, China (Aly Song/Reuters)

O Conselho de Estado da China afirmou que trabalhará para garantir que a economia siga dentro de um “alcance razoável” em meio a desafios impostos por altos preços de commodities e a disseminação do coronavírus no país. Os comentários constam em relatos na imprensa estatal chinesa, após reunião do órgão nesta quarta-feira

Para tanto, o Partido Comunista se comprometeu a “estudar e introduzir medidas que impulsionem o consumo, desempenhar melhor o papel do investimento social, expandir o investimento eficaz e manter o crescimento estável do comércio exterior e do investimento estrangeiro”.

O gabinete do governo chinês também prometeu fortalecer a coordenação entre as políticas fiscal, financeira e de emprego, além de promover melhorias em seus instrumentos “preventivos” com “ajustes finos e cíclicos”, conforme necessário.

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