FOLHAPRESS
O mercado financeiro enfrenta instabilidade nesta terça-feira (7) devido às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exige um acordo do Irã para reabrir o estreito de Hormuz. Esse impasse aumenta o temor entre os investidores e causa queda na bolsa de valores.
O conflito entre Israel, Irã e EUA está se intensificando, resultando em pressões nos índices acionários globais. No Brasil, o Ibovespa, principal indicador da bolsa, caiu 0,72%, situando-se em 186.790 pontos até as 12h51. Nos Estados Unidos, os principais índices como S&P 500, Nasdaq e Dow Jones também registraram quedas de até 1,23%.
Ao mesmo tempo, o dólar valorizou-se, alcançando R$ 5,162, refletindo a busca por segurança dos investidores em momentos de incerteza.
Donald Trump elevou o tom das ameaças ao regime iraniano, alertando que uma civilização inteira poderá ser destruída por ataques americanos caso o Irã não aceite abrir o estreito de Hormuz nas próximas horas. O prazo dado pelo presidente termina às 21h, horário de Brasília, e ele afirmou que, se não houver acordo, as infraestruturas iranianas, como pontes e usinas de energia, serão alvo de ataques a partir da 1h de quarta-feira (8).
O estreito de Hormuz é estratégico, pois por ele passam 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente. Seu bloqueio provocaria uma crise energética global, elevando o preço do petróleo, que nesta terça ultrapassa US$ 110 por barril.
O clima de tensão aumentou com ataques recentes a usinas petroquímicas e instalações importantes na região, envolvendo Israel e o Irã. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que está pronta para interromper a exportação de petróleo e gás pelo golfo Pérsico por um longo período.
Trump, em discurso polêmico, disse não se preocupar com acusações de crimes de guerra, pois chamou os iranianos de “animais”.
O Irã rejeitou recentemente uma proposta de cessar-fogo temporário e afirmou que a guerra continuará até atingir seus objetivos. O país apresentou dez pontos para negociações, incluindo o fim das sanções econômicas e um acordo para o uso do estreito de Hormuz.
Essa situação tem impactos na inflação global, colocando dúvidas sobre o crescimento econômico mundial e influenciando decisões de bancos centrais como o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central do Brasil.
O presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, enfatizou a necessidade de cautela na política de juros para controlar a inflação que a população não aceita mais.
Especialistas apontam que a cautela dos bancos centrais, aliada às tensões geopolíticas, pode continuar pressionando a bolsa e a economia de países emergentes. Um alívio nas tensões, por outro lado, poderia beneficiar mercados de risco, commodities e empresas ligadas ao petróleo e exportação.
Analistas da XP destacam que um conflito duradouro e o aumento do preço do petróleo são as maiores preocupações atualmente, com expectativas de inflação local acima da meta oficial de 3%.
Apesar dos desafios, o Brasil está relativamente bem posicionado para enfrentar esses problemas, devido à sua exposição ao petróleo e ao potencial de atrair investimentos estrangeiros especialmente quando as tensões diminuírem.
