O Reino Unido começará a oferecer um remédio não hormonal chamado fezolinetanto, conhecido comercialmente como Veoza, para mulheres na menopausa que enfrentam ondas de calor e sudorese noturna. Este medicamento foi aprovado pelo órgão britânico Nice, que é similar à Conitec no Brasil.
De acordo com o jornal The Guardian, mais de 500 mil mulheres que não podem usar terapia de reposição hormonal (TRH) poderão beneficiar-se deste novo tratamento. O Veoza, produzido pela Astellas Pharma, age bloqueando os nervos que provocam os sintomas das ondas de calor. O comprimido diário é a primeira alternativa não hormonal aprovada pelo NHS, sistema público de saúde do Reino Unido.
A terapia de reposição hormonal continua sendo a primeira escolha no tratamento dessas ondas de calor, porém, não é indicada para mulheres com histórico de câncer de mama ou ovário, problemas de coagulação ou pressão alta não controlada. As ondas de calor são um problema para cerca de 70% das mulheres na menopausa, interferindo no sono, disposição e rendimento diário.
Quem pode usar o fezolinetanto?
Helen Knight, diretora de avaliação de medicamentos do Nice, afirmou ao The Guardian que as opções para quem não pode fazer uso da TRH eram limitadas, e que o fezolinetanto demonstrou ser eficiente e econômico para reduzir os sintomas.
No entanto, o Veoza não é indicado para mulheres com câncer de mama ativo, tumores dependentes de estrogênio ou doenças no fígado, pois esses grupos não participaram dos estudos clínicos, e não há dados sobre os riscos ou benefícios nesses casos. Mulheres que já enfrentaram câncer de mama e concluíram o tratamento podem usar o medicamento, desde que avaliadas individualmente por um médico.
Disponibilidade e aprovação no Brasil
O fezolinetanto já está presente em 14 países e foi aprovado em 2023. Sua incorporação ao NHS vale para Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte, que seguem as diretrizes do Nice. A Escócia possui um órgão avalizador próprio, o SMC, que ainda não recomendou o uso do medicamento no sistema público.
A fabricante enviou o pedido de aprovação à Anvisa em 2023, mas o medicamento ainda não está autorizado para circulação no Brasil. Nos Estados Unidos, o FDA aprovou o uso do fezolinetanto também em 2023. Lá, a paroxetina, um remédio originalmente para depressão, é outra opção não hormonal para atenuar sintomas da menopausa.
Ainda não existem estudos que comparem diretamente a eficácia do fezolinetanto com a terapia hormonal, que pode reduzir em até 75% as ondas de calor. Entretanto, o novo medicamento parece ser mais eficaz que a paroxetina para esse fim.
Efeitos colaterais e cuidados
Durante os testes, a principal preocupação foi a possível toxicidade para o fígado. Alguns medicamentos semelhantes foram descontinuados por causarem problemas hepáticos. Nos estudos da Astellas, 25 pessoas tiveram aumento nas enzimas do fígado. Portanto, mulheres com histórico de problemas no fígado devem evitar o uso e realizar exames antes de iniciar o tratamento. O medicamento também não é recomendado para quem tem insuficiência renal.
Especialistas afirmam que ainda existem muitas dúvidas sobre os efeitos do fezolinetanto no longo prazo, principalmente em relação à saúde do coração, dos ossos, da vida sexual e do metabolismo. Até agora, somente o estrogênio mostrou benefícios comprovados além do alívio das ondas de calor.
