CAROLINA MANDL E GUSTAVO SOARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Mastercard tomou posse de garantias relacionadas a dívidas do Will Bank, parte do grupo Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, e agora detém participação significativa nas empresas Westwing, especializada em móveis, e no BRB (Banco de Brasília).
As ações foram recebidas como garantia fiduciária e tomadas após o banco digital deixar de pagar suas dívidas com a Mastercard, conforme informado por uma fonte próxima ao caso.
Em comunicado, a Mastercard afirmou que não pretende interferir na administração nem permanecer como sócia dessas empresas.
No caso da Westwing, a Mastercard adquiriu 3.540.768 ações ordinárias, o que representa 31,87% do capital social, em uma transação avaliada em R$ 19 milhões.
Já no BRB, a Mastercard comprou 33.684.706 ações, equivalentes a 6,93% do total, incluindo 11,75 milhões de ações ordinárias (3,67%) e 21,93 milhões preferenciais (13,21%). O valor dessa operação foi de cerca de R$ 237,4 milhões.
A Mastercard garantiu que essas ações serão vendidas e que não há intenção de mudar a estrutura administrativa ou o controle dessas instituições.
“A tomada dessas garantias não tem como objetivo alterar o controle societário ou a administração das empresas”, disse a Mastercard em comunicados oficiais.
Essa movimentação aconteceu após a Mastercard suspender o uso dos cartões emitidos pelo Will Bank para evitar o aumento do débito do banco com a bandeira.
“Nós, junto com os órgãos reguladores, monitoramos as operações do Will Bank para garantir o cumprimento das regras de nossa rede e proteger os usuários. Após identificar mudanças no cumprimento dessas obrigações, e considerando nossos próprios regulamentos, decidimos suspender o uso dos cartões do Will Bank em nossa rede”, explicou a Mastercard em nota.
O Will Bank está sob regime especial de administração temporária (Raet), determinado pelo Banco Central em novembro, quando a liquidação do Banco Master foi anunciada. Essa medida tem como objetivo preservar as atividades do banco digital.
Na época, o Banco Central decidiu manter o funcionamento do Will Bank porque alguns investidores demonstraram interesse em comprá-lo.
A venda do Will Bank pode ajudar a reduzir as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que pagará em até R$ 250 mil para cerca de 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos emitidos pelo Master, totalizando R$ 40,6 bilhões — a maior indenização já feita pelo fundo.
Sem a venda, as perdas do FGC podem aumentar. Em setembro, o Will Bank tinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e nenhum valor em depósitos à vista, como conta corrente.
As negociações para vender o Will Bank continuam, porém de forma lenta, de acordo com uma fonte próxima. O Mubadala Capital, gestor de ativos alternativos do fundo soberano de Abu Dhabi, já mostrou interesse no banco.
Por fazer parte do conglomerado Master, que está sendo investigado por fraudes em suas carteiras de crédito, o Will Bank enfrenta maior escrutínio de potenciais compradores, segundo outra fonte.
O banco tem cumprido o pagamento dos CDBs que vencem, informaram pessoas próximas à situação.
