Maria da Penha, símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil, enfatiza que a lei que leva seu nome precisa ser efetivamente aplicada, não apenas celebrada, para realmente proteger as mulheres.
No ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, Maria da Penha participou do evento Movimente 2026, em Brasília, promovido pelo Sebrae. Ela destacou a importância de incentivar o empreendedorismo feminino como forma de promover autonomia e combater a desigualdade de gênero.
“A lei precisa ser colocada em prática, não apenas lembrada”, afirmou.
A legislação, publicada em agosto de 2006, continua sendo a principal ferramenta legal contra a violência doméstica no país.
Participantes do evento reforçaram a necessidade de oferecer às mulheres condições para que tenham independência econômica, pois emprego e renda são caminhos que contribuem para mudanças sociais importantes.
Sobrecarga
Mulheres enfrentam barreiras como a sobrecarga nas tarefas domésticas, falta de reconhecimento em ambientes profissionais e dificuldades para obter crédito. Essas dificuldades estão entre as causas que limitam o acesso feminino a cargos de liderança, mais do que falta de qualificação.
Segundo estudo do Sebrae, as mulheres recebem apenas 29,4% do crédito disponível nos bancos e enfrentam taxas de juros mais altas e maiores recusas em financiamentos em comparação aos homens.
O Sebrae propõe capacitação, acesso ampliado a mercados e o fortalecimento de lideranças femininas, além de abordar questões como oferta de creches, mobilidade, saúde e enfrentamento à violência contra a mulher para apoiar empresárias.
A empresária Cris Arcangeli ressaltou que os pilares do empreendedorismo são competência, credibilidade, coragem e inovação. Ela defendeu a criação do selo “feito por mulheres” para promover união entre empreendedoras.
Daniela Correa, à frente do Instituto do Corpo Humano, buscou ampliar o cuidado com a mulher para além da medicina, incluindo o bem-estar mental junto ao físico. Ela destaca a importância de fornecer conteúdo teórico e treinamentos constantes para sua equipe, garantindo um atendimento que respeite a essência feminina.
Engenharia
Viviane dos Santos Cardoso, arquiteta e engenheira de 39 anos, transformou o canteiro de obras em um espaço onde a liderança feminina é valorizada.
Depois de enfrentar preconceitos que dificultavam seu avanço na construção civil, fundou a Vívea Gestão Integrada de Projetos, mostrando que a liderança de mulheres é eficaz e necessária neste setor.
Segundo Viviane, o maior desafio é cultural, sendo constante a necessidade de provar sua competência diante de clientes, colegas e subordinados.
Ela acredita que o conhecimento técnico é a melhor defesa contra o machismo, reforçando que o mercado só alcançará a igualdade quando reconhecer a voz feminina com o mesmo valor que a masculina.
“O lugar da mulher é onde ela decide projetar, construir e liderar”, afirma.
Cosméticos
Patrícia Castellano Silva superou um recomeço difícil para construir a Bela Bruna Cosméticos, símbolo da autonomia feminina no setor da beleza.
Ao longo de 14 anos, ela enfrentou o desafio de um mercado que frequentemente objetifica mulheres. Depois de sua separação, teve que reconstruir sua vida e patrimônio do zero.
Patrícia acredita que o mercado ainda precisa reconhecer a competência profissional antes do gênero e que seu legado vai além dos produtos, sendo um exemplo para outras mulheres retomarem o controle de suas vidas.
Permanecer no mercado
Cristiane da Silva, administradora com 15 anos de experiência, decidiu empreender após se tornar mãe, para conciliar melhor a vida pessoal com o trabalho, enfrentando desafios como horários rígidos e viagens obrigatórias.
Ela aconselha mulheres com poucos recursos a começarem com o que têm, ter coragem e arriscar.
Coragem
Júlia Cordeiro, fundadora da Contabelli, tem uma história que começa com inspiração nas tias contadoras e a decisão de seguir carreira em contabilidade desde cedo, sempre com o objetivo de abrir seu próprio negócio.
Júlia assumiu a missão de liderar equipes, gerir empresas e criar um ambiente acolhedor, conciliando maternidade, vida pessoal e trabalho com organização e resiliência.
O maior desafio foi o marketing digital, mas ela usa as redes sociais para compartilhar informações e ajudar outras mulheres empreendedoras.
Apesar de enfrentar preconceitos, Júlia reafirma sua competência com firmeza e acolhimento.
Ela foca no apoio a mulheres do setor de beleza que precisam migrar do operacional para a gestão, oferecendo formação para liderança.
