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Brasília

Maria Abadia volta à disputa federal apostando em história política e força em Ceilândia

Maria Abadia candidata a deputada federal pelo Distrito Federal nas eleições de 2026
Ex-governadora Maria Abadia disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD em 2026

Primeira mulher a governar o Distrito Federal e integrante da Assembleia Constituinte, ex-governadora disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD e tenta transformar experiência e recall em votos

Poucos candidatos nas eleições de 2026 carregam uma trajetória tão diretamente ligada à história política de Brasília quanto Maria de Lourdes Abadia. Aos 82 anos, a ex-governadora disputa uma vaga de deputada federal pelo PSD, com o número 5566, apostando no reconhecimento acumulado ao longo de décadas de vida pública.

Assistente social formada pela Universidade de Brasília (UnB), Abadia foi deputada federal, deputada distrital, vice-governadora e governadora do Distrito Federal. Sua história mantém uma ligação especialmente forte com Ceilândia, região onde começou a construir sua projeção política e administrativa.

De Ceilândia à Constituinte

Maria Abadia chegou a Brasília em 1960 e, já como assistente social, participou do trabalho desenvolvido durante a formação de Ceilândia. Posteriormente, tornou-se a primeira mulher a administrar a cidade, função que exerceu por 14 anos. A ligação é tão marcante que o principal estádio da região leva seu nome: o Estádio Maria de Lourdes Abadia, conhecido como Abadião.

A trajetória avançou para a política nacional em 1986, quando foi eleita deputada federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte.

Nos trabalhos que resultaram na Constituição de 1988, apresentou 70 emendas, das quais 21 foram aprovadas, além de ocupar a segunda vice-presidência da Subcomissão da Saúde, Seguridade e Meio Ambiente.

Depois, integrou também a primeira legislatura da Câmara Legislativa do Distrito Federal e retornou à Câmara dos Deputados em 1998.

Primeira mulher a governar o Distrito Federal

Em 2002, Abadia foi eleita vice-governadora na chapa de Joaquim Roriz. Com a saída de Roriz para disputar o Senado, assumiu o Palácio do Buriti em março de 2006 e tornou-se a primeira mulher a governar o Distrito Federal.

Esse currículo é hoje um dos principais argumentos de sua campanha. Diferentemente de candidatos que precisam construir reconhecimento, Abadia possui uma biografia associada a diferentes períodos da história política da capital.

Para 2026, ela voltou a colocar a área social no centro do discurso. Ao confirmar a candidatura à Câmara, afirmou que pretende trabalhar na captação de recursos e em propostas voltadas especialmente à população em situação de vulnerabilidade.

Aliança com Arruda marca nova fase

Outro componente importante da candidatura é a aproximação com o ex-governador José Roberto Arruda.

Em março, Abadia deixou o PSDB e ingressou no PSD, partido comandado no DF por Paulo Octávio e que também abriga o projeto de Arruda para o Governo do Distrito Federal.

A aliança chama atenção pelo histórico. Em 2006, Arruda foi justamente o adversário que derrotou Abadia na tentativa de permanecer no Palácio do Buriti. Vinte anos depois, os dois passaram a integrar o mesmo projeto eleitoral.

Abadia tem defendido publicamente a parceria e afirma enxergar convergência principalmente na agenda social.

Pontos de desgaste e desafios

O maior desafio de Maria Abadia talvez não esteja na falta de reconhecimento, mas em transformar memória política em voto atual.

Seu desempenho nas urnas caiu nas últimas disputas. Em 2014, recebeu 37.776 votos para deputada federal. Em 2018, foram 24.575 votos para o mesmo cargo. Já em 2022, concorrendo a deputada distrital, obteve 6.006 votos.

São eleições diferentes e, portanto, os números não podem ser comparados de maneira automática. Ainda assim, mostram que a ex-governadora precisará recuperar parte de um eleitorado que já foi significativamente maior.

Há também o desafio geracional. Abadia possui um recall elevado entre eleitores que acompanharam a política do DF nas últimas décadas, mas precisa apresentar sua trajetória a uma parcela do eleitorado que não viveu seus principais momentos no governo ou no Congresso.

A aliança com Arruda igualmente produz um efeito político duplo: oferece estrutura e associação com um nome de alto reconhecimento no DF, mas também vincula sua candidatura diretamente ao desempenho e à rejeição do projeto do ex-governador.

Quais são as chances de Maria Abadia?

A candidatura possui ativos importantes, mas não pode ser classificada hoje como eleição encaminhada.

Maria Abadia tem uma das biografias políticas mais conhecidas entre os candidatos à Câmara: participou da Constituinte, exerceu dois mandatos de deputada federal, foi distrital, vice-governadora e governadora. Sua relação histórica com Ceilândia fornece ainda uma base territorial que pode ser explorada durante a campanha.

Por outro lado, a eleição para deputado federal no DF oferece apenas oito cadeiras, tornando a disputa proporcional particularmente difícil. Seu desempenho eleitoral mais recente também mostra a necessidade de reconstruir votação.

A estratégia passa por combinar memória, experiência e renovação do eleitorado, além de aproveitar a estrutura do PSD e a campanha majoritária de Arruda.

Maria Abadia entra, portanto, em 2026 como um nome de alto recall e forte peso histórico, mas que terá de provar nas urnas que sua longa trajetória política ainda consegue se transformar em votação suficiente para retornar à Câmara dos Deputados.

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