21.5 C
Brasília
quinta-feira, 12/03/2026




Mais de 1.200 mulheres mortas por homens no Brasil em 2024

Brasília
nuvens dispersas
21.5 ° C
21.5 °
19.5 °
88 %
1kmh
40 %
qui
28 °
sex
26 °
sáb
23 °
dom
26 °
seg
20 °

Em Brasília

No último ano, mais de 1.200 mulheres foram assassinadas por homens no Brasil, conforme discutido em uma audiência da Comissão do Congresso Nacional voltada para combater a violência contra a mulher. Do total de 1.568 mulheres assassinadas, 62,6% eram negras e 66,3% desses crimes ocorreram dentro das residências.

A audiência foi conduzida pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e contou com a participação de especialistas e parlamentares para debater o assunto.

Os participantes ressaltaram que a quantidade real de casos pode ser ainda maior, devido à subnotificação e a crimes que permanecem sem solução. Luizianne Lins chamou a atenção para as estatísticas, que são motivo de vergonha para o país, e destacou a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, como uma base importante para a criação de políticas públicas. Ela alertou que diariamente quatro mulheres são mortas por questões de gênero, fazendo um verdadeiro apelo por ações urgentes.

A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, falou sobre a violência política de gênero, enfatizando que não existe democracia sem igualdade entre homens e mulheres, algo fundamental para garantir o direito à vida das mulheres.

Rúbia Abs da Cruz, do Consórcio Lei Maria da Penha, destacou que a violência está presente em todos os ambientes sociais, com aumento em vários tipos, como psicológica, física, sexual, patrimonial e digital. Ela defendeu a prevenção por meio da educação nas escolas para mudar a cultura machista desde a infância e mencionou que está em andamento uma proposta de lei para combater a violência digital em parceria com o Ministério das Mulheres.

Maria Teresa Prado, do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, apresentou dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025, ressaltando que no Distrito Federal nenhuma mulher que tinha medida protetiva foi assassinada no ano passado, mostrando a importância do suporte da rede de atendimento.

Juliana Brandão, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou a desigualdade de gênero relacionada ao racismo estrutural, com 62,6% das vítimas fatais sendo mulheres negras e jovens em idade reprodutiva.

Ellen dos Santos Costa, coordenadora-geral do Ligue 180, afirmou que o feminicídio pode ser evitado e incentivou o uso do serviço nacional de denúncias, que funciona por telefone e pela internet. Ela explicou que o Ligue 180 ajuda a quebrar o ciclo da violência e que 30% das chamadas são feitas por terceiros ou de forma anônima, mostrando o engajamento da sociedade. Para um atendimento eficaz, defendeu a integração dos órgãos públicos e o mapeamento da rede de apoio.

Sandrali Campos Bueno, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, criticou o machismo estrutural que afeta mulheres de diferentes origens, incluindo negras, indígenas e LGBTs. Ela ressaltou a união entre gênero e raça nas violências e pediu estratégias focadas em educação, responsabilização dos homens e maior participação social na criação de políticas públicas.

O debate ainda contou com a participação de Schuma Schumaher, dos Movimentos de Mulheres, e Margareth Rose e Marina Andrade, da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal. A reunião reforçou a importância de ações integradas de prevenção, educação e combate ao racismo para acabar com a violência contra as mulheres.




Veja Também