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Brasil

Mais da metade das escolas públicas de Salvador sofreu com tiroteios

Foto: Lucas Moura/Secom PMS

ISABELA PALHARES
FOLHAPRESS

Mais da metade das escolas públicas em Salvador enfrentou problemas sérios devido a tiroteios ocorridos próximos delas em pelo menos dez dias letivos de 2025. Esta informação vem de uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Fogo Cruzado, divulgada em 13 de agosto.

Das 600 escolas municipais e estaduais da cidade, só 12 não tiveram nenhum dia afetado pela violência armada. 249 escolas tiveram menos de dez dias letivos afetados.

Por outro lado, 339 escolas enfrentaram mais de dez dias com tiroteios, sendo 133 escolas entre 10 e 20 dias, 180 entre 21 e 40 dias e 23 escolas tiveram mais de 40 dias afetados. Uma delas sofreu tiroteios em 55 dias, prejudicando 27,5% dos 200 dias letivos previstos por lei.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), investimentos em tecnologias e inteligência ajudaram a diminuir as mortes violentas e garantir o funcionamento das escolas nesse ano.

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O estudo usou dados locais que mapearam 3.748 tiroteios em Salvador entre 2023 e 2025, média de 3,4 tiros por dia. Os dados foram coletados em tempo real através de colaboração via aplicativo e banco de dados aberto sobre violência armada.

Do total de tiroteios, 59% aconteceram em dias de aula e 40% durante o dia, em horários de entrada, saída ou durante as aulas.

Maria Isabel Couto, diretora de dados do Instituto Fogo Cruzado, afirmou que alguns locais são mais atingidos do que outros, e que essas escolas precisam de mais atenção e apoio.

Em 2025, a Bahia teve uma das maiores taxas de violência do país, com 36,8 mortes violentas a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Amapá. Também teve o segundo maior número de mortes causadas pela polícia, totalizando 1.570 no ano passado.

A maioria dos tiroteios próximos às escolas foi causada por ações policiais (37,4%), seguida por homicídios (32%), roubos (11,1%) e conflitos entre grupos armados (10,7%).

Couto destacou a importância de o Estado planejar ações que garantam a segurança sem prejudicar o funcionamento das escolas, com protocolos claros que protejam alunos e profissionais.

As escolas mais afetadas estão em áreas com menor renda média e maior população não branca, com renda entre R$594,10 e R$702,59 e até 91,2% da população não branca.

A violência repetida nas escolas prejudica o aprendizado e a permanência dos alunos, tornando urgente um apoio para a saúde, bem-estar e segurança dessas crianças e adolescentes.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) estabeleceu regras para garantir 200 dias letivos mesmo em escolas afetadas pela violência, com protocolos para manter as aulas seguras e o suporte necessário aos gestores escolares.

A gestão de Jerônimo Rodrigues ressaltou que o reforço no policiamento e os investimentos em tecnologia ajudaram a reduzir as mortes violentas e garantir o funcionamento das escolas, estabelecimentos comerciais e transporte público.

A Secretaria de Educação da Bahia afirma que as escolas estaduais são espaços seguros e acolhedores, oferecendo apoio pedagógico, alimentação adequada e programas de prevenção à violência.

Existe ainda uma parceria ativa com a Ronda Escolar, a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública para aumentar a proteção dos estudantes.

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