Gilberto Kassab, presidente do PSD, comentou que a derrota de Flávio Bolsonaro e o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva acontecem pela combinação de erros do candidato da direita e da forma como o PT explorou essas falhas. Ele destacou que o governo Lula já entrou em contato com o PSD e que a parceria entre as partes pode se fortalecer.
Kassab explicou que a escolha de Flávio Bolsonaro pela direita dividiu o eleitorado do centro com Lula, e que o senador perdeu força à medida que ficou mais conhecido. Entre os motivos, mencionou a ideia de mexer na Constituição, a linguagem utilizada e a postura nos debates que afastaram eleitores.
Para o presidente do PSD, o PT soube usar o receio de um retorno do bolsonarismo para ganhar apoio. Além disso, destacou que as manifestações nas ruas e o trabalho do deputado federal André Janones foram importantes para o alcance digital da campanha.
Kassab acredita que o PSD pode se aproximar ainda mais do novo governo caso o Planalto busque alternativas ao centro político e implemente medidas econômicas adequadas. O partido mudou sua postura, indicando que terá compreensão caso filiados sejam convidados para participar do governo. Segundo ele, o contato já ocorreu.
O presidente do PSD reforçou que será essencial unir o país e ampliar a base de apoio, algo que, na visão dele, não foi alcançado no terceiro mandato de Lula. Defendeu a manutenção de programas sociais, mas ressaltou a necessidade de colocar à frente da economia profissionais como Antonio Palocci e Henrique Meirelles, buscando estabilidade fiscal para o país. Se isso acontecer, a relação com o governo deve se estreitar.
Questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério, declarou que não está nos seus planos, apesar de reconhecer o valor da função e deixar em aberto a possibilidade no futuro.
Kassab discordou da ideia de que a corrupção perdeu relevância e comparou o clima político atual ao de 2013, com muita insatisfação. Ele alertou para o risco de movimentos perigosos caso os partidos não endureçam o combate à corrupção.
Segundo ele, a polarização ainda persiste e a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não conseguiu conquistar eleitores que rejeitam Lula e Flávio Bolsonaro.

