Guilherme Cortez, de 28 anos, passou dez anos participando de protestos contra várias questões, como o impeachment de Dilma Rousseff, reformas trabalhistas e da Previdência, além da privatização da Sabesp. Porém, ele acredita que apenas protestar não é suficiente.
Segundo o deputado estadual de São Paulo, eleito pelo PSOL e que irá atuar em Brasília a partir de 2027, a esquerda precisa apresentar propostas mais animadoras e concretas ao público, algo que ajudou a campanha de Lula no segundo turno das eleições.
Cortez reconhece que a esquerda vinha bastante pessimista diante da extrema direita, mas ressalta a importância de se movimentar e ter uma militância atuante também do lado progressista. A campanha de Lula melhorou quando começou a discutir pautas objetivas, como o fim da escala 6×1.
Ele destaca que, ao contrário do que alguns pensavam, não basta apenas criticar o adversário, é preciso se mobilizar e fazer presença nas redes sociais, já que a extrema direita possui uma militância forte e engajada.
O jovem deputado, que recebeu cerca de 275 mil votos, entende que o eleitorado está renovando a esquerda e priorizando políticos jovens, que falam sobre o futuro e usam bem a comunicação digital.
Cortez vem de uma família de classe média de São Paulo, com pais publicitários que tradicionalmente votavam na direita. Ele conta que sua trajetória política se iniciou em protestos estudantis e na defesa de direitos LGBTQIA+ ao assumir sua bissexualidade.
Formado em direito pela Unesp, ele já enfrentou políticos contrários às suas ideias e defende causas como a educação sobre o meio ambiente e a luta contra práticas abusivas, como cambismo digital e altas taxas em ingressos.
Quer trabalhar na Comissão de Trabalho da Câmara e destaca que sua atuação vai muito além das pautas LGBTQIA+, pois essas pessoas também têm interesses no emprego e no transporte público.
Cortez pretende enfrentar figuras como Nikolas Ferreira, opositor de sua ideologia e com grande influência, mas que pode ser derrotado com uma mobilização eficaz.
Ele critica a esquerda que adota um discurso de superioridade moral e que ofende quem tem opiniões diferentes, como usar termos depreciativos para eleitores da direita, o que só aumenta a divisão e a raiva entre as pessoas.
A extrema direita, segundo ele, oferece respostas simplistas para problemas reais, culpando o feminismo ou a presença da mulher no mercado de trabalho, enquanto apresenta soluções fantasiosas para questões econômicas.
Cortez admira líderes que comunicam de forma clara e simples propostas populares, como controle de aluguéis e acesso a creches, sem medo de mostrar suas ideologias políticas.
Ele acredita que, apesar dos avanços da direita, a esquerda ainda mantém conexão com o povo, mas precisa atualizar suas formas de atuação para se tornar mais relevante para as novas gerações.
Preocupa-se com o crescimento de discursos antifeministas e machistas entre os jovens que poderão afetar o futuro político do país, já que essas ideias podem influenciar votos nas próximas décadas, prejudicando a perspectiva progressista a longo prazo.

