Igor Dias Delecrode, de 28 anos, revelou em uma gravação em vídeo no dia 22 de maio de 2025, que o dinheiro ganho no esquema ligado ao Instituto Nacional da Previdência Social (INSS) superava o lucro de uma multinacional. A defesa de Delecrode nega o conhecimento da existência desse vídeo.
Delecrode é um dos investigados na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, que apura um esquema que causou um prejuízo de R$ 6,2 bilhões aos aposentados.
Associações de aposentados que tinham acordos com o INSS para descontar mensalidades diretamente dos benefícios são suspeitas de inscrever aposentados sem autorização.
Igor Dias Delecrode presidiu a Associação de Amparo ao Aposentado e Pensionista (AASAP), uma das quatro entidades ligadas a ele e ao grupo conhecido como “golden boys”. Eles levavam uma vida de ostentação com mansões e carros de luxo, totalizando 29 veículos avaliados em R$ 28 milhões, apreendidos pela Polícia Federal.
Delecrode e seus sócios Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro Vasconcelos e Américo Monte Jr são acusados de lucrar mais de R$ 700 milhões com as quatro associações: AASAP, Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev e Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP).
Em conversas gravadas em um apartamento de Anderson, os empresários discutiam abertamente os lucros e negócios das associações.
Igor comentou que o grupo pensou até em investir em franquias com o dinheiro arrecadado, mas Felipe Macedo Gomes se opôs à ideia, afirmando que preferia continuar com os ganhos atuais, que eram substanciais.
Como funcionava o esquema
As associações conseguiram descontar mensalidades diretamente dos benefícios do INSS por meio de acordos de cooperação técnica (ACTs), que estão sob investigação por suspeitas de propina a ex-diretores do INSS.
Essas associações ofereciam serviços como seguros e planos de saúde, mas a maioria dos aposentados nem sabia que estava associada, já que 98% não autorizaram os descontos, segundo a Controladoria-Geral da União.
Além das entidades, ex-diretores do INSS são investigados por suposta corrupção para manter esse esquema funcionando, aprovando novas associações ou evitando punições.
Quatro associações, corrupção e ostentação
Anderson e Igor já foram presidentes da AASAP e, junto com Américo Monte Jr e Felipe Macedo Gomes, controlavam também as outras três entidades mencionadas.
As sedes dessas organizações eram salas comerciais em Alphaville. Investigações revelaram que mais de R$ 100 milhões recebidos por essas associações foram desviados para empresas ligadas aos suspeitos e seus familiares.
Contratos suspeitos com parentes de dirigentes do INSS
Empresas e associações dos “golden boys” firmaram contratos com pessoas próximas a ex-diretores do INSS que foram presos, como Eric Fidelis, filho do ex-diretor André Fidelis, e a médica Thaissa Hoffmann, esposa do ex-procurador-geral Virgílio Oliveira.
Também foram identificadas transferências de dinheiro para o ex-ministro da Previdência Social, José Carlos de Oliveira, que está sob suspeita de receber valores via operadores e outras fontes.
Apesar das investigações, os empresários nunca foram presos, mas desde abril de 2026 são obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal.
Defesa desconhece vídeos
Os advogados de Anderson, Igor e Felipe afirmaram não conhecer a existência, autenticidade ou integridade dos vídeos e disseram que todos os bens dos clientes estão bloqueados pela Justiça e que eles permanecem à disposição das autoridades.
A defesa também alegou que, caso os vídeos existam, foram obtidos de maneira ilegal. As defesas de Eric Fidelis e Virgílio Oliveira não se manifestaram, e a reportagem não conseguiu contato com a defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes.
Estadão Conteúdo
