PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Criminosos que roubam celulares e alianças nas ruas de São Paulo têm utilizado coletes à prova de balas durante os assaltos.
Esse comportamento representa uma mudança nas táticas dos bandidos e é uma novidade para a polícia da cidade. Antes, o uso desse tipo de proteção era mais comum em crimes como assaltos a bancos ou resgates de presos.
Entre outubro de 2025 e janeiro deste ano, pelo menos três homens foram presos vestindo coletes, todos capturados por policiais militares. Em fevereiro, um roubo que envolveu coletes resultou em latrocínio, mas os suspeitos fugiram, segundo relato de um agente.
Segundo um delegado, criminosos armados e com coletes estão mais propensos a confrontar a polícia com tiros.
Além disso, a Polícia Civil investiga uma quadrilha que utiliza coletes para atacar farmácias e roubar medicamentos caros.
Em 30 de janeiro, um suspeito com colete foi baleado ao tentar roubar um passageiro na avenida Tiradentes, região central da capital.
Em 4 de novembro, um jovem de 19 anos foi preso no Campo Belo, zona sul, acusado de roubar alianças. Com ele, foram apreendidos um revólver, três anéis e um colete balístico. A motocicleta usada estava furtada e tinha placa adulterada. Uma das vítimas conseguiu recuperar a aliança na delegacia.
Um caso de grande repercussão ocorreu em 16 de outubro, em um restaurante na avenida Dionysia Alves Barreto, em Osasco, onde um homem de 28 anos entrou armado e exigiu pertences dos clientes, entre eles um policial civil. Após troca de tiros, o suspeito foi baleado e detido. Foi encontrado com ele um fragmento de munição que caiu do colete. No mesmo dia, ele teria feito outras vítimas em Pinheiros, zona oeste. O Ministério Público o denunciou em novembro.
O consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, destacou duas preocupações importantes. A primeira é a falta de controle rigoroso sobre coletes, que deveriam ser fiscalizados pelo Exército por se tratarem de equipamentos destinados a profissionais de segurança.
A segunda preocupação é que o uso frequente de armas e coletes por criminosos indica que eles não se sentem intimidados pelas ações policiais, revelando falhas na prevenção da polícia paulista.
A Secretaria da Segurança Pública do estado afirmou que as forças policiais agem constantemente para combater os crimes e que o uso irregular de coletes por criminosos é investigado como posse ilegal.
Segundo a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a compra e registro de coletes são regulamentados por leis federais e estaduais, com exigências como análise documental, ausência de antecedentes criminais e motivação justificada.
Os coletes usados pelas forças de segurança são adquiridos por meio de licitação, registrados individualmente e rastreados para impedir o desvio para uso ilegal.
O Comando Militar do Sudeste declarou que a compra de coletes por civis requer autorização da Secretaria de Segurança Pública estadual, segundo portaria de 2006.
Civis maiores de 20 anos podem comprar coletes à prova de balas em lojas especializadas, desde que tenham autorização da Secretaria de Segurança Pública do estado onde moram, que fica responsável pelo registro.

