Novas imagens capturadas por câmeras de segurança mostram como os ladrões executaram o roubo de 13 obras importantes de artistas como Cândido Portinari e Henri Matisse, na Biblioteca Mário de Andrade. O crime aconteceu em 7 de dezembro de 2025.
Segundo as autoridades, o crime foi cuidadosamente planejado. Um dos suspeitos teria visitado o local cerca de um mês antes para estudar a rotina.
As investigações apontam que Gabriel Pereira Rodrigues de Mello, apelidado de “Gargamel”, foi o mentor do roubo. Ele teria convidado Felipe dos Santos Fernandes Quadra, conhecido como “Tapete” ou “Sujinho”, para ajudar na ação. A defesa dos suspeitos não foi encontrada para comentar.
No dia do roubo, Mello e Quadra entraram na exposição se passando por visitantes interessados em apreciar as obras de arte. Um deles carregava uma mochila contendo um martelo e uma arma.
Eles renderam um casal de idosos, que eram os únicos presentes na hora, e anunciaram o assalto para a vigilante da biblioteca, obrigando-a a acompanhá-los para dentro do prédio.
Com todos sob controle, os criminosos rapidamente retiraram as obras expostas e saíram tranquilamente pela porta principal.
A fuga
Após o roubo, os suspeitos tentaram fugir em um carro estacionado perto da biblioteca, mas o veículo falhou por uma pane elétrica a poucos metros do local, forçando-os a deixar o carro para trás.
Algumas das obras foram retiradas do carro e levadas a pé, e algumas chegaram a ser deixadas na rua porque os ladrões não conseguiam carregar tudo.
As câmeras mostram Gabriel Mello voltando ao prédio onde mora, a menos de dois quilômetros da biblioteca, carregando as gravuras. Ele entrou no condomínio e subiu até seu apartamento, sendo filmado cruzando com vizinhos e acenando a uma criança.
Ele então trocou de roupa e saiu novamente para se juntar a Felipe Quadra. Os dois retornaram ao local onde parte das obras havia sido deixada e começaram a retirar as gravuras das molduras, quebrando o vidro no chão da rua.
Para facilitar o transporte, as obras foram enroladas como pergaminhos, de acordo com a polícia.
Outros envolvidos
Durante as investigações, a polícia identificou um terceiro participante, Luís Carlos do Nascimento, conhecido como “Magrão”, que teria ajudado a retirar as obras das molduras. Ele possui ligações com uma facção criminosa.
Também foi registrada a entrada de uma mulher no prédio de Mello horas após o crime, identificada como Cícera, companheira do suspeito. Ela saiu do prédio minutos depois carregando duas sacolas, possivelmente com as gravuras. A defesa do casal também não foi localizada.
Cícera chegou a ser presa, mas foi solta. Segundo a polícia, ela não tinha antecedentes criminais e decidiu colaborar com as investigações, embora tenha sido indiciada por receptação.
A defesa dela afirmou que ela apenas pegou uma sacola e a entregou a Gabriel Mello sem saber o conteúdo.
Caso em andamento
No dia seguinte ao roubo, Felipe Quadra foi capturado e preso. Luís Carlos do Nascimento também foi detido. Gabriel Mello, principal responsável pelo crime, continua foragido.
Segundo a polícia, sua última aparição foi em imagens do metrô, carregando uma sacola que poderia conter as obras.
Alguns dias depois, Mello voltou ao prédio onde mora, mas não foi preso naquele momento.
A Prefeitura informou que, na ocasião, não havia ordem judicial para identificá-lo nas câmeras inteligentes da cidade.
Posteriormente, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva. O nome de Gabriel Mello consta nas listas de procurados internacionais.
As 13 obras levadas da biblioteca ainda não foram recuperadas.
O prejuízo estimado com o roubo está entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de reais.
Conteúdo Estadão.
